Centeno traça objetivos para a Caixa mas não fala em números

Ministério das Finanças explicou em traços gerais o plano de recapitalização para a Caixa Geral de Depósitos

O ministro das Finanças apresentou esta tarde, em traços muito gerais, o plano de recapitalização para a Caixa Geral de Depósitos. Em conferência de imprensa, Mário Centeno não fez referência ao valor da fatura desse plano, depois de, esta manhã, a Antena 1 ter avançado que poderão ser necessários, não quatro, mas cinco mil milhões de euros.

Mesmo perante a insistência dos jornalistas, já na fase das perguntas, Centeno recusou falar em números, admitindo que a Comissão Europeia pode reduzir o valor proposto pelo governo para a recapitalização da Caixa.

Mário Centeno confirmou que as necessidades de capital estão a ser discutidas, mas considerou que é cedo para falar em números, nomeadamente no que diz respeito ao encerramento de agências e à saída de funcionários, através de rescisões amigáveis e de um plano de pré-reformas, que confirmou.

Centeno afirmou que a CGD deverá "regressar aos resultados líquidos positivos num futuro próximo". "Em 5 anos deverá assegurar um retorno de capital do Estado, reduzir os custos e aumentar o produto bancário", disse o governante, segundo o qual o conselho de administração, liderado por António Domingues, vai ser proposto às entidades reguladoras nos próximos dias para entrar em funções em julho.

O ministro defendeu ainda que a CGD deverá redimensionar a sua área internacional, privilegiando a sua atividade em África.

Em traços gerais, o plano do governo procurará "manter posição de liderança da Caixa no mercado doméstico", "aumentar a eficiência operacional e simplificar a estrutura complexa do grupo tornando-se mais eficiente", "assegurar que o investimento será recuperado num período relativamente curto", e "reforçar o níveis de capital". Para isso, o banco público deverá "adotar um modelo de gestão profissional, independente e responsável", considerou.

A Antena 1 avançou que o plano está a ser ultimado, tendo já tido luz verde do Bloco de Esquerda e do PCP. De acordo com a rádio pública, a maior fatia destes cinco mil milhões de euros servirá para prevenir o não recebimento de créditos concedidos, ou seja, as imparidades.

Mas o valor servirá também para aumentar a almofada financeira da CGD e para efetuar mudanças na estrutura do banco. Está prevista a saída de 2500 funcionários nos próximos anos através de rescisões amigáveis ou reforma e o encerramento de 300 balcões, a maioria no estrangeiro, diz a Antena 1.

Costa diz que é prematuro falar em números

O primeiro-ministro, António Costa, afirmou entretanto, e à margem de um encontro com o primeiro-ministro da Costa do Marfim em São Bento, que o Ministério das Finanças dará informações sobre a Caixa Geral de Depósitos quando "for oportuno", insistindo que é prematuro falar sobre números antes de concluir conversações com a Comissão Europeia.

"Enquanto não tivermos concluído as conversações com a Comissão Europeia é obviamente prematuro estarmos a falar sobre números e sobretudo sobre números que querem dizer coisas muito diferentes", afirmou António Costa.

"Acho que é muito importante não especularmos sobre o futuro da Caixa Geral de Depósitos. A Caixa Geral de Depósitos é o grande pilar da estabilidade do nosso sistema financeiro, é um grande banco", afirmou o primeiro-ministro, apelando à paciência para até estarem concluídas as conversações com Bruxelas.

"Aquilo que eu acho que era importante todos fazermos é simplesmente termos paciência. Termos paciência, não é nada de particularmente difícil, paciência para concluirmos os trabalhos com a Comissão Europeia", disse.

António Costa recordou que há "uma equipa diretiva em formação" para o banco público, e foi apresentado na Comissão Europeia "um projeto de plano de negócios, de plano de investimento, de plano de reestruturação e de plano de capitalização".

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