Centeno prevê a maior queda do PIB de que há registo em Portugal

O ministro das Finanças antecipa um impacto nas contas públicas até sete mil milhões de euros. E poderá demorar dois anos até a economia recuperar.

O segundo trimestre deste ano deverá registar a maior quebra homóloga do PIB de que há registo em Portugal.

"O segundo trimestre vai ter uma variação homóloga em relação ao segundo trimestre do ano passado de uma grandeza que será com certeza próximo de quatro, cinco vezes o máximo do que alguma vez vimos o PIB num trimestre em Portugal cair", afirmou o ministro das Finanças, numa entrevista esta segunda-feira à TVI.

Mário Centeno revelou que com os dados que existem, o "impacto que vai desde 6,5% do PIB anual aos 30 dias a cada mês e meio", mas colocou de parte uma degradação do PIB acima dos 10% em termos anuais.

Centeno afasta, assim, um cenário de quebra do PIB de 15% ou 20% como algumas instituições apontam para o conjunto do ano. Mas tudo vai depender da duração e profundidade da crise que o ministro acredita ser "temporária".

Impacto nas contas

O ministro das Finanças revelou ainda os impactos das medidas até agora tomadas para fazer face aos efeitos da pandemia e do funcionamento dos estabilizadores automáticos (subsídios de desemprego a subir e receita a descer).

"Pensamos que os estabilizadores automáticos possam representar juntamente com as medidas que já tomámos de apoio ao emprego números próximos dos seis, sete mil milhões de euros, que obviamente não vamos retirar da economia. São os efeitos que temos dos subsídios de desemprego, o lay-off simplificado, a flutuação cíclica com a economia na receita de impostos e contribuições", adiantou o titular das Finanças.

Ou seja, toda a margem para que o país se mantenha sem violar a meta dos 3% do défice será absorvida pela necessidade de intervenção pública na economia.

Questionado sobre o tempo que a economia poderá demorar a recuperar para valores de 2019, quando o país conseguiu o primeiro excedente da era democrática, o ministro referiu que "provavelmente vamos voltar em dois anos aos números de 2019" se a crise não se prolongar por muito tempo.

Questionado sobre o tempo que a economia poderá demorar a recuperar para valores de 2019, quando o país conseguiu o primeiro excedente da era democrática, o ministro referiu que "provavelmente vamos voltar em dois anos aos números de 2019" se a crise não se prolongar por muito tempo.

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