Braço direito de Rendeiro detido no aeroporto. Advogado pede libertação

Paulo Guichard estava no Brasil e tinha sido condenado a uma pena de prisão de quatro anos e oito meses. Encontra-se detido cadeia de Custóias, mas advogado entregou petição de habeas corpus alegando que a detenção é ilegal.

Paulo Guichard, ex-administrador do BPP e antigo, braço direito de João Rendeiro, foi detido na quinta-feira ao chegar ao aeroporto Francisco Sá Carneiro, no Porto,, vindo do Brasil, para cumprimento da pena de prisão de quatro anos e oito meses, revelou à Lusa fonte policial.

A fonte policial acrescentou que, estando detido para cumprimento de uma pena de quatro anos e oito meses, fica sem efeito a deslocação, hoje, do ex-administrador do BPP ao juízo central criminal de Lisboa para reavaliação das medidas de coação.

Em comunicado, a Polícia Judiciária (PJ) indica que através da Unidade de Informação Criminal executou um mandado de detenção para cumprimento de pena.

A PJ precisa que o detido, com 61 anos, de nacionalidade portuguesa, foi condenado a uma pena única de quatro anos e oito meses de prisão efetiva pela prática de seis crimes de falsidade informática e um crime de falsificação de boletins, atas ou documentos.

Paulo Guichard vivia há vários anos no Rio de janeiro, Brasil.

Além de Paulo Guichard, estão ainda envolvidos no caso BPP João Rendeiro, que foi condenado a três anos e seis meses de prisão efetiva num processo por crimes de burla qualificada, mas que está estrangeiro e em parte incerta, fugido à justiça, e os ex-administradores do banco Salvador Fezas Vital e Fernando Lima.

Estes dois antigos administradores do BPP foram também condenados a penas de prisão, mas ficaram proibidos de se ausentarem para o estrangeiro, tendo contribuído para este agravamento das medidas de coação a fuga de João Rendeiro.

Paulo Guichard, Salvador Fezas Vital e Fernando Lima já expressaram publicamente repúdio pelo que consideram ter sido a fuga de João Rendeio para o estrangeiro.

O colapso do BPP, banco vocacionado para a gestão de fortunas, verificou-se em 2010, já depois do caso BPN e antecedendo outros escândalos na banca portuguesa.

O BPP originou vários processos judiciais, envolvendo crimes de burla qualificada, falsificação de documentos e falsidade informática, assim outro um processo relacionado com multas aplicadas pelas autoridades de supervisão bancárias.

Guichard diz que a sua detenção é ilegal e pede libertação imediata

Paulo Guichard considera entretanto que a sua detenção é ilegal e pede libertação imediata, segundo o habeas corpus a que a Lusa teve acesso.

Na petição de habeas corpus (pedido de libertação imediata por ilegalidade da detenção) ao presidente do Supremo Tribunal de Justiça, apresentada na quinta-feira, o advogado Nuno Brandão diz que o seu cliente, no decurso do caso do Banco Privado Português (BPP), "viveu no Brasil sempre com o conhecimento das autoridades judiciárias", que foram "sempre informadas do seu paradeiro".

Já após se conhecer a fuga de João Rendeiro (outro arguido do caso BPP), e perante a ordem da juíza titular do processo para Guichard se apresentar em tribunal hoje, refere o advogado que o antigo administrador "decidiu regressar a Portugal" e que isso mesmo anunciou na passada segunda-feira.

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