Ana Rita Cavaco: "O meu desejo é que o PRR não vá para os amigos de sempre encherem os bolsos"

Ana Rita Cavaco é a bastonária da Ordem dos Enfermeiros

Depoimentos recolhidos por Rosália Amorim

Dia 30 há eleições legislativas. Como convencer um abstencionista a ir votar?
É explicar-lhe que, se não vota, não pode reclamar. Votar não é apenas um direito que demorou a conquistar, é um dever cívico.

Qual a primeira medida na sua área que o governo deveria tomar?
Contratar enfermeiros com condições dignas para fixá-los no país.

E qual a primeira medida para o país, em geral?
Investir no SNS, mas investir à séria, não é atirar dinheiro para cima dos problemas e empurrá-los com sucessivas promessas.

Na sua opinião o que seria melhor para Portugal: um governo de maioria absoluta ou de coligação entre vários partidos?
Um governo de coligação. A falar todas as pessoas se entendem e o bem comum só se alcança com acordos, não com maiorias absolutas.

Fiscalidade: o novo governo deve baixar primeiro os impostos às famílias ou às empresas? Qual das soluções trará mais rápido crescimento ao país?
Ambas. Temos das cargas fiscais mais elevadas da Europa, ao mesmo tempo que somos dos mais mal pagos. Sem empresas não há investimentos e sem dinheiro no bolso não há consumo e as empresas não sobrevivem.

O PRR pode mudar o país? Qual a sua expectativa em relação à execução do PRR durante esta legislatura?
Infelizmente, a minha expectativa é zero, tendo em conta o historial do destino dos fundos europeus. O meu desejo é que o PRR não vá para os amigos de sempre encherem os bolsos.

Escolha dois ou três políticos da História de Portugal (que não sejam candidatos a estas eleições) e que continuam a ser uma inspiração para si?
​​​​​​​Francisco Sá Carneiro e Amália Rodrigues, que através da música foi uma grande política.