Altice. "5G em Portugal é um flop, um logro"

Alexandre Fonseca, CEO da Altice, não poupou críticas à Anacom no que toca ao proposta de regulamento do 5G, cujo documento final ainda não é conhecido e cuja divulgação, há cerca de uma uma semana, o regulador afiançou estar "por dias".

A proposta de regulamento do 5G é "irrealista" e só faz sentido na cabeça do regulador, diz Alexandre Fonseca, CEO da Altice, não hesitando em considerar o processo de 5G em Portugal, "um flop, um logro".

"Irrealista, incluindo as obrigações de cobertura, irreal, porque não se adapta à realidade do nosso país, e à necessidade que um projeto como o 5G tem para a nossa sociedade e para a nossa economia, ferido de ilegalidades várias, no que toca ao apoio à entrada de novos operadores", disse o gestor num encontro com jornalistas.

"Que fique claro: a Altice Portugal não receia a entrada de novos operadores: somos líderes de mercado em todos os segmentos e temos vindo a crescer a nossa liderança", diz.

"O queremos é que, os novos que venham a entrar no país, para além de contribuírem para o desenvolvimento do sector e da economia, tenham condições idênticas: que tenham obrigações de cobertura como os operadores históricos, que há mais de 30 anos investem no nosso país, que não tenham descontos artificiais nos preços de acesso ao espectro (25%) só porque são novos operadores, que não apanhem boleias das redes dos 30 anos de investimento deste sector em Portugal e que não apanhem uma boleia grátis para poderem proliferar os seus serviços, sem qualquer custo, fazendo tábua rasa dos milhares de milhões de euros que foram investidos no nosso país, na últimas três décadas, para estarmos na linha da frente daquilo que é o 4G a nível internacional", continua.

Os apoios a entrada de novos operadores - sem que lhe seja exigida contrapartidas - foi, de resto, alvo de crítica da NOS e da Vodafone.

"Este é um regulamento alheado da realidade, utópico que são faz sentido nas atuais condições na cabeça de uma pessoa no nosso país: o presidente da autoridade reguladora do setor das telecomunicações", acusa.

"Este é um regulamento que só posso classificar de uma fábula ideológica, de alguém que tem preconceitos contra o setor, zangado com tudo e com todos, determinado em castigar o setor, única e exclusivamente, tendo por base os seus anseios mediáticos e ideológicos de presença na comunicação social e de garantir uma pseudo defesa do consumidor", atira.

"Temos vivido nos últimos três anos um ambiente regulatório altamente hostil, que afasta investimento, que é propício ao desinvestimento destes operadores neste país, que é contrário à proteção de valor ou criação de novo emprego, é um momento regulatório que põe em causa a continuidade dos investimentos e da importância deste sector no nosso país", diz

"Acima de tudo, esta postura tem trazido má imagem ao país, a Portugal, porque é o oposto ao que o Governo tem vindo a promover internacionalmente: um país virado para a frente, que olha para o futuro, que quer ser líder na transição digital, que quer dar passos seguros após esta fase da pandemia", refere.

Regulador que "destrói o sector das comunicações" e que "acima de tudo continua a mostrar claramente incapacidade para gerir um dossier tão importante como o 5G", acusa.

Ana Marcela é jornalista do Dinheiro Vivo

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