90% do PIB e 80% dos portugueses em semi-confinamento

A partir desta segunda-feira, 191 concelhos do continente ficam com regras mais apertadas de circulação. É neste grupo que se concentram 82% da população e 88% da riqueza produzida.

O Governo decidiu alargar a mais concelhos as regras apertadas de circulação, passando de 121 para 191, os municípios em confinamento parcial. E isso significa que a partir desta segunda-feira, 82% dos portugueses terão os movimentos condicionados, com o recolher obrigatório entre as 23 horas e as 5 da manhã de segunda a sexta-feira, e a partir das 13 horas no próximo fim de semana.

De acordo com os cálculos do Dinheiro Vivo, estas medidas abrangem cerca de 8,5 milhões de pessoas. Estas regras mais severas aplicam-se apenas aos concelhos do continente e, se tomarmos apenas este universo, significa que neste território mais de 86% dos seus residentes vão estar sob medidas mais apertadas.

A lista atualizada coloca mais de 62% dos 308 concelhos do País no grupo dos que são considerados de risco elevado. O critério é de 240 novos casos de covid-19 por 100 mil habitantes nos últimos 14 dias.

O universo é atualizado todos os 15 dias, tendo em conta estes critérios, apesar de o primeiro-ministro já ter indicado que vai ser feito um escalonamento das limitações dependendo, por exemplo, se o número ultrapassa muito aquele limite dos 240 novos casos. "Justifica-se uma diferenciação das medidas entre os 191 concelhos, porque sendo o critério o número de novos casos superior a 240 por 100 mil habitantes nos últimos 14 dias, a realidade é muito diversa [entre os concelhos]", afirmou António Costa, na conferência de imprensa da última quinta-feira à noite (12 de novembro).

Nestes concelhos, as pessoas estão impedidas de circular durante o período de recolher obrigatório, havendo 13 exceções que necessitam sempre de ser justificadas, mas não há multa. No limite, a polícia pode conduzir que desobedecer a casa. Se não aceitar, pode sujeitar-se a um processo-crime, por desobediência às autoridades.

Nestes territórios, há um dever de permanência em casa, exceto nas deslocações autorizadas e o comércio encerra às 22 horas e os restaurantes às 22:30, tal como os equipamentos culturais.

90% da riqueza

Nestes 191 concelhos agora sob maiores restrições encontra-se a esmagadora maioria das empresas do País, contando-se as maiores e mais importantes. No levantamento feito pelo Dinheiro Vivo, é nestes territórios que se produz 88% da riqueza do país.

Para chegar a este valor recorreu-se ao valor acrescentado bruto (VAB) das empresas não financeiras, o que retira todos os serviços da banca. O VAB é a riqueza gerada na produção, descontando o valor dos bens e serviços consumidos para a obter, tais como as matérias-primas ou a energia utilizada. Este valor não deduz o consumo de capital fixo, como maquinaria.

Nos 191 concelhos sob confinamento parcial existem mais de um milhão de empresas, que correspondem a mais de 81% das firmas existentes no País.

O concelho de Lisboa lidera no número de empresas e no valor de riqueza criada. Na capital existem 115,6 mil firmas que são responsáveis por mais de 23,1 mil milhões de euros, ou seja, mais de um quarto (23,4%). Não quer dizer que a produção esteja localizada na capital.

Em segundo lugar, em número de empresas, está o concelho do Porto com mais de 41 mil entidades. Mas em termos de riqueza produzida, Oeiras surge à frente com um VAB superior a 5,2 mil milhões de euros. O Porto surge logo a seguir, a fechar o pódio com uma riqueza de 3,7 mil milhões de euros.

com Luís Reis Ribeiro

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