Vitor Pereira conquista título chinês e faz história a triplicar

Antigo técnico do FC Porto tornou-se esta quarta-feira o primeiro treinador português campeão na China, garantiu o primeiro título nacional para o Shangai SIPG e interrompeu a hegemonia do heptacampeão Guangzhou Evergrande

Feito triplamente histórico para Vítor Pereira. O treinador de 50 anos não só se tornou o primeiro técnico português a sagrar-se campeão na China como deu ao Shangai SIPG o primeiro título nacional e interrompeu a hegemonia do heptacampeão Guangzhou Evergrande.

A garantia matemática foi obtida esta quarta-feira, depois de a formação de Xangai ter vencido em casa o Beijing Renhe por 2-1, na penúltima jornada e ficado inalcançável precisamente para o Guangzhou Evergrande, que terá de se contentar com o segundo lugar. Akhmedov (20 minutos) e Wu Lei (47') marcaram os golos no jogo da consagração - Makhete Diop reduziu para os visitantes (65').

Na primeira época em solo chinês, Vítor Pereira sucedeu a André Villas Boas, tal como tinha acontecido no FC Porto no verão de 2011, depois de no ano passado o compatriota ter guiado a equipa à segunda posição, igualando na altura a melhor classificação de sempre do clube, obtida em 2015.

Agora, o técnico que já tinha sido campeão pelos dragões em 2011/12 e 2012/13 e pelo Olympiacos na Grécia em 2014/15, voltou a fazer valer a sua qualidade numa prova de regularidade, depois de uma experiência malsucedida na II liga alemã ao serviço do Munique 1860. Campeão em três países, iguala o compatriota Artur Jorge (Portugal, França e Arábia Saudita) e aproxima-se de José Mourinho, que recebeu faixas em quatro (Portugal, Inglaterra, Itália e Espanha).

Razão para haver feriado

Para se ter a noção do que significa romper a hegemonia do Guangzhou Evergrande, recorde-se o que Manuel Cajuda, que trabalhou em três clubes na China, disse no início da época ao DN: "É um clube comparável ao Al-Ahly do Egito, nos tempos em que estava lá o Manuel José. Ganha, ganha, ganha e será feriado se não ganhar. É um clube enorme, muito avançado, se calhar mais do que alguns grandes portugueses. Foi campeão asiático e não me custa a acreditar que volte a vencer a liga. Além dos estrangeiros, bons, todos os melhores jogadores chineses atuam lá. Muitos podiam jogar em qualquer equipa europeia, pois têm um nível elevado nas quatro linhas e... nos vencimentos."

Com este título, o treinador natural de Espinho junta-se ao quadro de honra de treinadores campeões, que inclui os nomes de Marcello Lippi e Luiz Felipe Scolari, ambos tricampeões pelo Guangzhou Evergrande. Resta saber se também vai arrecadar o troféu de treinador do ano, que na época passada foi parar às mãos de Fabio Cannavaro, terceiro classificado ao leme do Tianjin Quanjian e que esta temporada orientou o Guangzhou Evergrande.

Menos bem a Vítor Pereira correu a Taça da China, em que o Shangai SIPG foi afastado nos quartos de final, apenas nas grandes penalidades, pelo Beijng Gouan. Na Liga dos Campeões, o carrasco foi o Kashima Antlers, do Japão, nos oitavos de final.

Melhor marcador é... chinês

Esta conquista surge num ano em que os clubes da Superliga Chinesa podem utilizar apenas três jogadores estrangeiros em campo e quatro no plantel, sendo que o número de estrangeiros em campo não podia ser em número superior ao de sub-23 chineses, em virtude do plano nacional para que o futebol local seja o melhor da Ásia em 2030 e do mundo duas décadas depois. A vaga para um futebol asiático acabou, mas os naturais de Macau, Hong Kong e Taiwan passaram a contar como jogadores nacionais.

Perante este cenário, Vítor Pereira e os seus adjuntos e compatriotas Luís Miguel, Filipe Almeida e Pedro Silva tiveram à disposição o usbeque Odil Akhmedov e três brasileiros: o rei das assistências (18) Oscar, Elkeson e o antigo avançado portista Hulk. Quem diria, quando o internacional canarinho abandonou o Dragão no verão de 2012, que se iriam reencontrar seis anos depois na China?

Ainda assim, o melhor marcador da equipa e do campeonato é um chinês de 26 anos ainda sem experiência na Europa, Wu Lei, com 27 golos marcados. Ao que tudo indica, irá juntar-se ao quadro de honra de melhores marcadores, inaugurado pelo antigo avançado sportinguista Kwame Ayew em 2004, ao serviço do Inter Shanghai, e no qual consta o nome de outro ex-leão, Hernán Barcos, autor de 17 golos em 2009 por Shenzhen Asia Travel e Shanghai Shenhua.

Paulo Bento e Paulo Sousa distantes

Se Vítor Pereira foi campeão, Paulo Bento e Paulo Sousa não terminaram a época no Chongqing Dangdai Lifan e Tianjin Quanjian, respetivamente. O primeiro foi despedido a 22 de julho, com a equipa em 13.º lugar - e entretanto tornou-se selecionador da Coreia do Sul -, a mesma posição que ocupava o segundo aquando do seu despedimento, a 4 de outubro.

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