Rui Vitória abriu o "jogo todo" no salão da universidade onde foi praxado

Treinador do Benfica, "um dos pontas de lança" da Faculdade de Motricidade Humana (FMH), voltou esta segunda-feira à escola para dar uma aula sobre a forma como preparou o jogo com o PAOK no início desta temporada

"Um dos pontas de lança da Faculdade [de Motricidade Humana]". Foi assim que o professor João Aroso descreveu Rui Vitória, que esta segunda-feira voltou à escola onde se formou para dar uma aula aos alunos no Salão Nobre, onde o treinador do Benfica foi praxado.

O técnico encarnado abriu o jogo às várias dezenas de estudantes (e até certa altura aos jornalistas), esquematizando toda a preparação do jogo com o PAOK, da 2.ª mão do playoff da Champions, "que valia uma série de milhões de euros". "Uma época que estava em causa com um jogo com o Sporting pelo meio. Um jogo em que se mata ou que se morre. Agarrámo-nos a um relatório de nossa observação de adversários", recordou. O Benfica ganhou ao PAOK (4-1) na Grécia depois de ter empatado (1-1) na Luz, garantindo a passagem à fase de grupos da Liga dos Campeões 2018/19.

Primeiro, começou por mostrar um relatório que a sua equipa lhe forneceu sobre a equipa adversária, com dados do treinador, zonas de finalização, de assistência, análise de sistemas dos últimos três jogos, equipa provável e análise coletiva (pontos fortes, pontos fracos, sugestões de adaptação, esquemas táticos ofensivos e defensivos, análise individual).

Depois, exibiu os slides que foram exibidos aos jogadores benfiquistas, em que se podiam visionar aspetos como a caracterização do adversário, dinâmica ofensiva, dinâmica defensiva, cantos ofensivos e cantos defensivos com vídeos de situações específicas e plano tático/estratégico com planos alternativos (quatro cenários) e esquemas táticos [bolas paradas]. "Estou a abrir o jogo todo, mas agora paciência... Há aqui alguém que trabalhe na I Liga?", atirou, bem-disposto.

Depois da palestra, Rui Vitória tirou dúvidas aos estudantes. Um questionou-lhe sobre a intensidade de trabalho quando se tem jogos de três em três dias. "Mais do que treinar, é recuperar bem. Nos dois dias a seguir é de descanso quase total. Os jogadores pouco ou nada fazem. Fazem trabalho tático de pouca carga. No terceiro dia, fazemos coisas muito operacionais. Ao mesmo tempo, temos que trabalhar e manter ativos os que não jogaram. Começámos a época com nível de exigência mental muito elevados, sempre a dar resposta, jogos com V. Guimarães, Fenerbahçe, PAOK... Trabalho curto de muita estratégia. Ou os jogadores têm muita capacidade para ter respostas rápidas. A carola tem que estar liberta", respondeu, acessível.

E quando as coisas que são pedidas aos jogadores não têm o efeito desejado, poderá haver algum tipo de descrença, perguntou outro aluno. "Fundamental é acreditar. Quando apresentamos isto, é um grau de certeza muito grande. Há muito tempo de trabalho. São imagens selecionadas, que já têm uma densidade de acontecer muito grande. Acreditamos muito nisso. Mais do que treinar complexidade, tem que se tirar complexidade. Isto é muita vivência. Temos que selecionar muito bem o que temos de treinar. Selecionar, aplicar e corrigir são três palavras muito importantes, que guiam este processo. Há treinadores que podem corrigir bem o exercício mas que não o sabem escolher", afirmou o técnico encarnado.

À saída, Rui Vitória Vitória disse que foi "uma alegria e um prazer muito grande falar de futebol" na faculdade onde se formou. E não se quis alongar sobre as notícias acerca de Jorge Jesus poder regressar ao Benfica: "Vim falar de futebol e passar a mensagem sobre a preparação de um jogo. Havemos de falar desse e de outros temas na próxima conferência de imprensa."

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