Nuno Campos: "Ferreyra é um miúdo sensacional"

O braço direito de Paulo Fonseca no Shakhtar recorda os 46 golos marcados pelo argentino nas duas últimas épocas. Diz o melhor do avançado, quer no aspeto técnico quer no contacto com os colegas no dia-a-dia

Nuno Campos é desde sempre o principal adjunto de Paulo Fonseca. Desde KIev, onde o Shakhtar trabalha diariamente devido ao conflito militar na Ucrânia, o técnico fala ao DN sobre o que se passa com Facundo Ferreyra que, para além de não marcar golos, agora perdeu a titularidade para Seferovic e isto numa altura em que Jonas e Castillo estão lesionados.

Lidou com Facundo Ferreyra durante dois anos, fica surpreendido por ele estar a ser alvo de críticas e ainda não se ter conseguido impor?
Fico, um bocadinho, principalmente com as críticas. . Ele connosco, durante duas épocas, foi sempre um jogador muito importante, jogou quase sempre e marcou 46 golos - 16 na primeira e 30 na segunda. Estamos a falar de um jogador fino, inteligente, que é um profissional de primeira água, um miúdo sensacional.

O início de Ferreyra no Benfica foi um pouco atribulado porque o contrato tornou-se público e ficou a saber-se que ficaria a ganhar mais do que Jonas, que tem sido preponderante nas últimas quatro temporadas...
Eu sobre isso não posso dizer nada, o que sei, por experiência própria, é que o Facundo foi um dos melhores profissionais com quem trabalhei na minha carreira. Estou a falar de um jogador que sempre foi querido pelos colegas, que nunca foi um foco de conflito, mostrando-se sempre disponível para termos um bom balneário. Durante dois anos foi o que eu vi diariamente. Aliado a isso, foi um futebolista de extrema importância pelos jogos que resolveu.

Tem visto os jogos de Ferreyra no Benfica?
Vi pouco.

Mas o que achou?
Pelo que pude perceber ele ainda não está bem entrosado. Falta que os colegas o percebam um bocadinho melhor, mas esse entendimento vai chegar, é uma questão de tempo. Vejo-o a fazer determinados movimentos que podem levar perigo à baliza adversária, mas o colega portador da bola tem optado por rematar ou passar a outro colega. É como eu disse, é uma questão de tempo, o entendimento só surge com o tempo, com os treinos e com os jogos.

Acha que ele pode desmoralizar?
Não sei, isso não sei que resposta possa dar porque ele connosco nunca passou por uma fase que eu possa apelidar de má. Espero que isso não aconteça, porque o Facundo é um ótimo jogador e um homem ainda melhor. Merece tudo de bom. Sem desprimor para ninguém é dos melhores profissionais, em termos de empenho e atitude perante o trabalho, com quem tive o prazer de conviver. Desejo que esta fase má esteja a passar. Pode ter a ver com a mudança de país, de equipa ou de estilo de jogo.

Se Rui Vitória lhe pedisse uma ajuda a si, ou a Paulo Fonseca, o que lhe diria?
Não negaríamos ajudar um colega de profissão, sobretudo em relação a um jogador pelo qual temos imensa estima, mas eu acho que o Rui Vitória e a sua equipa técnica, com quem temos uma excelente relação, sabem o que têm de fazer.

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