Nápoles esquece a pandemia e sai à rua para festejar. "Dói ver as imagens", diz médico da OMS

"Miseráveis", diz Ranieri Guerra, médico italiano da Organização Mundial da Saúde (OMS) sobre os adeptos do Nápoles que, em plena pandemia de covid-19, festejaram nas ruas a conquista da Taça de Itália. Aglomerados de pessoas, sem respeitar as regras de saúde pública, como o distanciamento social ou o uso de máscaras.

Cânticos, abraços, muita alegria e uma multidão que saiu à rua para festejar a Taça de Itália, conquistada pelo Nápoles após vencer a Juventus. Tudo normal na celebração de uma vitória no mundo do futebol não estivessemos ainda em plena pandemia de covid-19.

O mundo continua no combate ao novo coronavírus e a hipótese de uma segunda vaga ganha força com os novos casos detetados na China. Mas a pandemia não estragou a festa e, aparentemente, as preocupações não tiveram lugar entre milhares de adeptos que celebravam a vitória do Nápoles frente à equipa de Cristiano Ronaldo. Sem máscaras nem o distanciamento social.

"Miseráveis. Dói ver estas imagens", disse Ranieri Guerra, médico italiano da Organização Mundial da Saúde (OMS).

"O problema continua presente e, neste momento, não podemos permitir isto. Por sorte aconteceu na Campânia [ no Sul de Itália], onde foram tomadas medidas restritivas mais duras e a incidência do vírus foi menor do que noutras zonas", disse o médico, um dos vice-diretores da OMS, em declarações à Rai 3.

O médico alerta que os sinais mostram que "o vírus ainda está a circular" e que não se pode afirmar que vamos escapar a uma segunda vaga.

"Os que respeitaram as regras sentiram-se uns idiotas"

Com o Estádio Olímpico de Roma vazio de público - uma das medidas para conter a propagação do vírus -, as ruas de Nápoles encheram-se de gente para festejar a conquista do clube da cidade num país que já foi o epicentro da pandemia na Europa. Grandes aglomerados de pessoas sem máscaras e sem o distanciamento social recomendado pelas autoridades de saúde, como se vê nas imagens e vídeos que estão a circular nas redes sociais. "Vergonhoso", lê-se numa das publicações do Twitter.

E as críticas não se fizeram esperar. "Uma estalada na cara daqueles que respeitam as regras há meses", deixando de ir a igrejas, museus, teatros e até a funerais para um último adeus aos entes queridos, pode ler-se no site Fanpage numa crónica assinada por Ciro Pellegrino. "Não sabemos se esta atitude representa um risco de infeções pelo novo coronavírus, mas sabemos certamente que aqueles que respeitam as regras sentiram-se uns idiotas ao ver ontem a televisão", escreveu Pellegrini, descrito no site como um jornalista da seção de Nápoles.

Para Pellegrino, os aglomerados de pessoas nos festejos eram previsíveis, mas ninguém os impediu. "Nada acontece. E nada vai acontecer porque estamos na campanha eleitoral", considera o jornalista.

Em Itália, os números de óbitos por covid-19 têm vindo a baixar, com o país a registar um total de 34.448 vítimas mortais desde o início da pandemia, segundo os dados revelados na quarta-feira.

Mais de 237 mil pessoas foram diagnosticadas com covid-19, sendo que 179.455 já recuperaram da doença.

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