Mourinho aceita um ano de prisão e multa de quase 2 milhões por fraude fiscal

Treinador português não passará tempo num estabelecimento prisional, pagando em troca uma multa diária de 250 euros durante dois anos. Fisco espanhol foi defraudado em cerca de 3,3 milhões de euros, em 2011 e 2012

José Mourinho aceitou esta segunda-feira de um ano de prisão por dois delitos fiscais cometidos em Espanha, quando treinava o Real Madrid. Os crimes, cometidos em 2011 e 2012, valem ainda ao treinador português uma multa de cerca de dois milhões de euros. Mourinho não irá passar tempo algum na prisão, sendo essa pena substituída por uma multa de 180 mil euros.

O acordo de José Mourinho com o Ministério Público de Espanha foi noticiado na manhã desta terça-feira pelo El País, que cita partes do documento. O treinador criou a Koper Services SA para "tornar fiscalmente opacos os benefícios procedentes dos seus direitos de imagem".

Antes de 2004, explica o jornal espanhol, Mourinho assinou um contrato que simulava a cessação da exploração dos seus direitos de imagem, que passavam para a sociedade, com sede nas Ilhas Virgens. Em 2011 e 2012, já em Madrid, o treinador "não declarou nenhuma quantidade procedente dos direitos de imagem", gerando um prejuízo para as finanças espanholas de 1,6 milhões de euros, em 2011, e aproximadamente 1,7 milhões em 2012.

Assim, é atribuída uma pena de seis meses de prisão por cada crime ao treinador português, com o ano num estabelecimento prisional a ser substituído por uma multa de 250 por dia durante 24 meses (cerca de 180 mil euros). O português paga ainda outra multa, correspondente a 60% do valor em que defraudou o fisco espanhol: quase 2 milhões de euros.

Mourinho vai ainda pagar todos os custos do processo e perde o direito a obter incentivos ou subsídios fiscais durante dois anos.