FC Porto salva um ponto no batatal dos Barreiros

Dragões estiveram a perder durante mais de uma hora, mas conseguiram evitar a derrota já nos últimos dez minutos, com golo validado com recurso à tecnologia da linha de baliza

Depois de ter vitórias arrancadas a ferros nas duas últimas temporadas, o FC Porto voltou a escorregar nos Estádio dos Barreiros, palco difícil por tradição mas que esta quarta-feira ainda mais dificuldades criou aos dragões pelo mau estado do relvado. Deu para salvar um ponto já nos últimos dez minutos, após mais de uma hora em desvantagem. Com esta igualdade, os dragões caíram para o segundo lugar, em igualdade pontual com o Famalicão, e deixaram o Benfica isolado na liderança da I Liga.

Sem Marega na comitiva e sem Alex Telles no onze - o lateral brasileiro entrou apenas aos 80 minutos -, a equipa de Sérgio Conceição esteve quase a sair do caldeirão verde-rubro sem pontos. Em grande parte, por uma tardia adaptação a um batatal que apelava a um futebol menos técnico e mais físico. Não terá sido o jogo ideal para lançar um médio ofensivo tecnicista (Otávio) em detrimento de um avançado mais possante como Zé Luís ou... Marega, apesar da grande resposta que o onze apresentado pelos portistas tinha dado 72 horas antes na receção ao Famalicão.

Quem depressa se adaptou ao contexto foi o anfitrião Marítimo, que apresentou um bloco serrado, com grande densidade na zona central, raio de ação do duplo pivot do meio-campo azul e branco (Uribe e Danilo), do médio ofensivo Otávio e do avançado Tiquinho Soares. Ofensivamente, os homens de Nuno Manta Santos apostaram tudo no futebol direto, no contra-ataque e nas bolas paradas.

Foi precisamente numa bola parada, um canto, que surgiu o golo dos madeirenses, logo aos 11 minutos, com Franck Bambock a rematar de primeira ao segundo poste depois de um desvio de Danilo ao primeiro. Bonito gesto técnico do médio defensivo francês.

A partir daí, o Marítimo baixou (ainda) mais o bloco e contou com a cumplicidade de um relvado que foi ficando cada vez em pior estado. O FC Porto ia tendo muito mais bola, mas mostrava-se incapaz de criar situações de grande perigo. Numa dessas raras ocasiões flagrantes, Amir respondeu a dois tempos a uma tentativa de Luís Díaz (18').

No segundo tempo, os dragões tentaram incutir mais dinâmica à circulação de bola e levar o esférico mais depressa de um flanco ao outro à procura de desmontar o bloco insular, mas a organização da equipa da casa não se desmoronou e o encontro foi ganhando contornos cada vez mais combativos.

À passagem da hora de jogo, Sérgio Conceição sente necessidade de mexer na equipa e acrescenta mais um avançado (Zé Luís) em detrimento de um médio (Uribe). Depois dá mais vocação ofensiva ao corredor direito ao lançar Nakajima para o lugar de Mbemba, fazendo recuar Corona para lateral. E já na reta final, introduz Alex Telles a pensar no chuveirinho para o coração da área e volta a adiantar Corona, uma vez que o sacrificado foi Luís Díaz.

Os dragões apostaram então num futebol cada vez mais direto e chegaram ao golo precisamente através do futebol aéreo, na sequência de um canto de Alex Telles na direita, com Soares a aproveitar uma saída em falso do guarda-redes Amir para cabecear a bola. Esta embateu nas costas de Pepe e foi intercetada pelo central Grolli, mas já no interior da baliza madeirense, indicou a tecnologia da linha de baliza ao árbitro Jorge Sousa (84').

Deu para salvar um ponto, mas poderá não chegar para salvar a liderança. O FC Porto interrompeu uma série de sete vitórias consecutivas na I Liga e voltou a não ganhar nos Barreiros, palco onde foram mais as vezes em que não venceu (26) do que aquelas que venceu (19).

A figura: Franck Bambock

O seu nome até nem constava como provável titular na imprensa desportiva, mas o médio defensivo francês de 24 anos tornou-se no grande protagonista do encontro ao dar vantagem ao Marítimo através de uma belíssima execução técnica. A partir daí deu mais nas vistas no processo defensivo, funcionando como tampão à frente da linha defensiva.

Formado no Paris Saint-Germain, Franck Bambock passou pelos espanhóis do Huesca e do Córdoba, pelos holandeses do Sparta de Roterdão e pelos israelitas do Maccabi Petah Tikva antes de ter aterrado no verão na pérola do Atlântico. Esta quarta-feira somou o décimo jogo na temporada (em todas as competições) e apontou o terceiro golo.

Ficha de jogo

Jogo no Estádio dos Barreiros, no Funchal

Árbitro: Jorge Sousa (AF Porto)

Marítimo - Amir; Nanú, Renê Santos, Grolli e Fábio China; Bambock, Pelágio e Edgar Costa (André Teles, 90+1); Maeda, Nequecaur (Marcelinho, 62) e Correa (Rodrigo Pinho, 79).

FC Porto - Marchesín; Mbemba (Nakajima, 63), Pepe, Marcano e Manafá; Uribe (Zé Luís, 60) e Danilo Pereira; Corona, Otávio e Luís Díaz (Alex Telles, 80); Soares

Marcadores: 1-0, Bambock, 11 minutos; 1-1, Pepe, 84;

Disciplina: Cartão amarelo a Corona (24 minutos), Mbemba (33), Amir (42), Marcelinho (64), Otávio (76), Pelágio (76) e Alex Telles (82), Marchesín (90+5)

Mais Notícias

Outros conteúdos GMG