João Moutinho, português nos EUA: "As celebridades viam os jogos em Los Angeles, era engraçado"

Aos 21 anos, o jovem defesa está em Orlando, depois de Los Angeles e Akron. Foi a primeira escolha do draf de 2018 e falou, ao DN, em "sonho cumprido"

Foi a julho de 2017 que João Moutinho, não o do Wolverhampton, jovem futebolista português agora com 21 anos, abraçou a aventura de tentar ser futebolista profissional nos EUA. Chegou muito recentemente ao Orlando City, depois de ter passado por Los Angeles e pela Universidade de Akron, no Ohio. Cerca de um ano e meio depois de ter emigrado, João Moutinho falou ao DN sobre a sua experiência e o seu percurso até ao momento.

Formado no Sporting, foi há dois verões que conheceu "uma empresa que levava jogadores para as universidades dos EUA, com bolsas de estudo". "Falei com a empresa e acabaram por me encontrar uma oportunidade em Akron, numa das melhores universidades ao nível do futebol", explicou o defesa esquerdo sobre a concretização de uma ideia que já tinha "um ano ou ano e meio".

"Sabia que ia ser uma mudança fácil e que me ia integrar facilmente. Era uma coisa que queria fazer e sabia que ia ser uma experiência muito boa. Os meus pais sempre me encorajaram e não tive de pensar muito para decidir, porque era o que eu queria", frisou.

Para o português, a mudança para os EUA não acarretou "nada de especial". Admitiu que "há sempre um choque, por estar longe da família, dos amigos e da rotina", mas ter ido para um ambiente universitário ajudou imenso. "Os colegas de equipa integraram-me muito bem e, como eram da minha idade, foi um ambiente fácil", garantiu. E como a maior diferença apontou mesmo facto de se ter mudado de casa dos pais, onde sempre viveu, para viver no ambiente da Universidade de Akron: "O meu dia-a-dia era todo feito ali".

O primeiro a ser escolhido e as celebridades em Los Angeles

Depois de uma época "muito boa" no Ohio (24 jogos), João Moutinho era um dos muitos jogadores no Superdraft da Major League Soccer (MLS, a Liga de futebol dos EUA), à espera de serem escolhidos por uma equipa. Os Los Angeles FC foram os primeiros a optar e João Moutinho foi mesmo escolhido antes de todos os outros. "Sabia da possibilidade de ser escolhido em primeiro, porque já se falava disso, mas não soube até me chamarem. Fiquei muito feliz, foi o cumprir de um sonho", afirmou ao DN.

O jovem futebolista mudou-se então para Los Angeles, "uma cidade muito diferente", mas onde se voltou a verificar uma "adaptação fácil numa equipa muito jovem".

"A adaptação foi tranquila. Ser profissional era um sonho, mas é claro que a competitividade e o nível dos jogadores são mais altos", respondeu sobre as maiores diferenças que encontrou. Na época de 2018 fez 14 jogos na equipa californiana, que chegou ao playoff. "Foi uma época muito boa, em que tive os meus altos e baixos, mas no geral correu bem e estou muito agradecido pela oportunidade de jogar em Los Angeles", disse.

De Los Angeles, e não fosse a cidade uma das capitais mundiais do entretenimento, recorda adeptos especiais: "Tínhamos várias celebridades ver os jogos, era engraçado".

Um mês em Orlando e o novo colega... Nani

"Cheguei aqui há um mês, mas é mais do mesmo. Um grande grupo, com muito bons jogadores e damo-nos todos muito bem, que é o mais importante. O espírito de equipa é ótimo e a partir daí os resultados vão começar a aparecer de certeza", garantiu sobre a recente mudança para a Florida.

A mudança da costa este para a costa oeste verificou-se entre a temporada passada e a que se segue, quando as duas equipas acordaram uma troca de jogadores. João Moutinho vê nesta mudança mais uma "oportunidade". "Ambos os clubes queriam fazer a troca e pensam que ficam mais fortes assim. É mais uma oportunidade de mostrar o que sei fazer e fico contente estar num sítio onde o treinador me quer", frisou.

O português, que diz estar a adaptar-se bem à terceira cidade norte-americana em menos de dois anos, falou ainda sobre Nani, que deixou o Sporting recentemente para ser seu colega em Orlando. "É uma grande aquisição e vai ser preponderante na equipa. É muito experiente, já ganhou muitos títulos importantes e todos sabemos o que pode fazer dentro de campo. Claro que é bom e vai ser importante para nós", disse, elogiando o internacional português.

O futuro, a seleção, o futebol nos EUA, Ibrahimovic e Lebron James

Sobre o futuro, João Moutinho disse estar mais focado no que acontece no presente, mesmo em termos de seleção nacional. "Gosto muito de estar aqui e estou feliz. Adoro este país e agora estou focado nesta época e nos objetivos que temos traçados", afirmou.

A visibilidade do seu percurso, ao estar nos EUA, num campeonato muitas vezes tido com menos competitivo, e muito longe do futebol europeu, pode ser questionada, mas o jovem português diz não pensar muito nisso. Nem se as suas exibições chegam aos olhos de Fernando Santos, selecionador nacional. "Não tenho muita noção disso e não está nas minhas mãos. Só posso pensar em dar o meu melhor e depois quem sabe", afirmou sobre o futuro.

Dos EUA, no entanto, destaca as condições de trabalho, que são "de alto nível, até nas universidades", e mais fáceis de encontrar do que em Portugal, onde "talvez quatro ou cinco equipas têm muito boas condições". "Aqui há muito dinheiro e investimento, até nas universidades", explicou.

"A MLS não é melhor, nem pior. A exigência é grande, e a velocidade do jogo e o físico que é necessário já são diferentes", referiu sobre o campeonato onde joga.

Já com bastantes estrelas do futebol europeu no campeonato norte-americano, João Moutinho referiu já ter jogado contra vários, e que tem "um sentimento especial" de jogar contra quem viu jogar na televisão, mas que desaparece. "Joguei contra muitos jogadores. Ibrahimovic, David Villa ou Giovinco. E o ano passado jogámos contra o Borussia Dormund, com Gotze e Pulisic, por exemplo. Mas depois de estar dentro do campo, jogar contra o Ibrahimovic ou outro jogador é igual", garantiu ao DN.

Quando o português chegou aos EUA foi para Akron, no Ohio, terra de LeBron James, um dos basquetebolistas mais conhecidos do planeta. E sim, sente-se. "Tinha vários colegas na equipa que eram do Ohio e falavam muito dele. É um ídolo gigante na cidade".

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