Os fundamentos do processo que pode expulsar Bruno de Carvalho

Comissão de fiscalização enuncia em comunicado os factos que levaram a novo processo disciplinar.

O órgão de fiscalização do Sporting emitiu nesta quinta-feira um comunicado em que explica a nova suspensão aplicada a Bruno de Carvalho, os fundamentos da nota de culpa emitida contra o antigo presidente leonino e os restantes elementos do anterior conselho diretivo - Carlos Vieira, Rui Caeiro, José Quintela, Luís Roque, Luís Gestas e Alexandre Godinho.

A comissão de fiscalização explica que a nota de culpa baseia-se em participações de sócios e que, atendendo ao "carácter grave e continuado dos factos imputados", entendeu "suspender preventiva e condicionalmente Bruno de Carvalho, Luís Gestas e Alexandre Godinho". Ou seja, mesmo já estando suspensos por outro processo anterior, ainda que "provassem ou revertessem a sua situação naquela sede, estarão suspensos por força deste outro".

O comunicado enumera depois os fundamentos em que se baseia a nota de culpa que, ao que apurou o DN​,​​​​​​ pode vir a resultar na expulsão de Bruno de Carvalho de sócio:

- as ações a propósito da assembleia geral destitutiva de 23 de junho, como "a entrada sem autorização na mesma", a "divulgação" de imagens (que tinha sido proibida) ou a "continuada tentativa de obstaculizar a realização" da AG;

- a recente "entrada em Alvalade com o anúncio de uma decisão judicial que pura e simplesmente não existia";

- a "tentativa, gorada, de bloqueio das contas bancárias" do Sporting, "no que se pode considerar usurpação de funções".

A comissão de fiscalização salienta ainda a existência de outros factos, alguns deles "bizarros", como o escritório de advocacia de Alexandre Godinho funcionar nas instalações do Sporting.

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