Rui Vitória por Lage. Chicotada volta a render um título duas décadas depois

Lage rendeu Rui Vitória no Benfica à 16.ª jornada, a sete pontos do FC Porto, e conseguiu acabar campeão. Em 1967/68 Otto Glória também entrou com a época a decorrer e terminou a levantar o troféu

Bruno Lage tornou-se no segundo treinador do Benfica a alcançar o título de campeão após uma chicotada psicológica e o sexto no futebol nacional, sucedendo a Augusto Inácio, que conquistou o troféu pelo Sporting em 2000.

Com o triunfo na receção ao Santa Clara, por 4-1, os encarnados confirmaram a conquista do 37.º título de campeão, depois de iniciarem a época sob o comando de Rui Vitória.

O técnico ribatejano, bicampeão pelas águias em 2015/16 e 2016/17, não aguentou a sequência de maus resultados e foi rendido por Bruno Lage no início de janeiro. A mudança surtiu efeitos e, além de ter recuperado sete pontos de desvantagem para o FC Porto, o Benfica venceu um campeonato que parecia irremediavelmente perdido no arranque do ano civil.

Nas 15 ocasiões em mudou de treinador a meio de uma época, esta foi apenas a segunda em que o clube da Luz conseguiu chegar ao título, sendo que a primeira ocorreu na década de 1960. Em 1967/68, o chileno Fernando Riera foi demitido pelo então presidente Adolfo Vieira de Brito, sendo rendido por Fernando Cabrita. Por seu lado, o português daria lugar a Otto Glória, que, na sua segunda passagem pela Luz, levaria a equipa ao título nacional.

Já em termos gerais, Bruno Lage é o sexto treinador a sagrar-se campeão nacional na sequência de uma 'chicotada psicológica', algo que não sucedia desde 1999/00, quando Augusto Inácio rendeu o italiano Giuseppe Materazzi no comando do Sporting e conduziu os 'verde e brancos' a um título que lhes escapava há 18 anos.

Essa foi a terceira vez que os 'leões' arrecadaram o título máximo do futebol nacional nestas condições, depois de o terem alcançado em 1961/62 e 1979/80. Na primeira, Otto Glória arrancou a temporada, mas foi Juca quem conquistou o título, enquanto em 1979/80 Fernando Mendes substituiu Rodrigues Dias e guiou a equipa de Alvalade à conquista da prova.

Contudo, o primeiro clube a capitalizar uma troca de treinador a meio da temporada foi o FC Porto, em 1957/58, depois de o húngaro Béla Guttman ter substituído o brasileiro Otto Bumbel.

Benfica esmagador no campeonato dos primeiros

O Benfica foi arrasador no campeonato entre os primeiros, incluindo ou não o Sporting de Braga, e foi nesses resultados que alicerçou a conquista do seu 37.º título nacional de futebol. Nos seis encontros com FC Porto, Sporting e 'arsenalistas', os 'encarnados' somaram 16 de 18 pontos possíveis, cedendo apenas um empate (1-1) na receção aos 'leões', logo a abrir o campeonato, à terceira ronda.

Um golo de João Félix, aos 86 minutos, 15 após substituir Pizzi, valeu, então, um ponto ao Benfica, num jogo em que Nani adiantou os 'leões', aos 64, e o guarda-redes francês Salin foi o melhor em campo.

Ainda na primeira volta, e em mais dois jogos caseiros, o Benfica bateu o FC Porto por 1-0, à sétima ronda, graças a um tento do suíço Seferovic, aos 62 minutos, para, à 14.ª, golear o Sporting de Braga por inapeláveis 6-2.

No penúltimo jogo sob o comando de Rui Vitória, os 'encarnados' ganharam com tentos de Pizzi, Jardel, Grimaldo, Jonas, Cervi e André Almeida.

Menos de duas semanas depois, vergado a um desaire por 2-0 em Portimão, Rui Vitória cedeu o lugar a Bruno Lage, que conseguiu suplantar o feito do antecessor, ao vencer, em reduto alheio, os três encontros da segunda volta.

O primeiro aconteceu à 20.ª ronda, em Alvalade, onde o Benfica poderia ter conseguido uma goleada história, mas, mesmo assim, venceu por convincentes 4-2, selados por Seferovic, João Félix, Ruben Dias e Pizzi, de penálti, contra um de Bruno Fernandes e outro de Bas Dost, também de penálti.

Quatro jornadas depois, o Benfica, de Bruno Lage, que partiu a sete pontos do FC Porto, foi ao Dragão jogar a liderança e conquistou-a, num jogo que os locais até começaram a ganhar, com um tento do 'improvável' Adrián Lopez.

Os 'encarnados' reagiram, porém, da melhor forma, com João Félix, jogador que os 'dragões' deixaram fugir para a Luz, a empatar e Rafa, que no primeiro golo se apressou a levar a bola para o meio campo, a selar a reviravolta.

Na ronda 31, no jogo que era apontado como o último grande teste à sua liderança, o Benfica fechou com 'chave de ouro' o seu campeonato entre os quatro primeiros, ao vencer fora o Sporting de Braga por 4-1, novamente após desvantagem.

Os 'arsenalistas' ainda chegaram ao intervalo na frente, mas os 'encarnados' agigantaram-se na segunda metade, com um 'bis' de Pizzi, de grande penalidade, um tento de Ruben Dias e outro, após sucessão de fintas, de Rafa.

Ao somar 16 pontos, em 18, no campeonato dos quatro primeiros e 10, em 12, nos embates entre os 'grandes', o Benfica não deu hipóteses à concorrência.

Mesmo a zero face aos 'encarnados', algo pouco vulgar nos últimos anos e que deve, certamente, 'doer' para os lados do Dragão, o FC Porto foi o segundo nestes 'minicampeonatos', com quatro pontos a três e 10 a quatro.

Por seu lado, o Sporting ficou-se por dois pontos nos embates entre os 'grandes' e foi igualmente terceiro incluindo o Sporting de Braga, com cinco pontos, contra apenas três dos 'arsenalistas' (1-0 na receção aos 'leões').

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