Eleições do Sporting: Saiba quem lidera nas redes sociais

Sete das oito candidaturas têm página do Facebook. A exceção é José Maria Ricciardi. Frederico Varandas, João Benedito e Bruno de Carvalho no pódio

Formalizadas as oito candidaturas aos órgãos sociais do Sporting, marcadas para 8 de setembro, e já expirado o prazo para a entrega das listas, a página de Facebook Unir o Sporting, relativa a Frederico Varandas, lidera no número de seguidores: mais de 12 800.

O ex-diretor clínico do clube é o primeiro no barómetros das redes sociais, mas é preciso não esquecer que foi igualmente o primeiro a anunciar a candidatura, a 24 de maio, precisamente um mês antes da assembleia geral de destituição da direção liderada por Bruno de Carvalho. A 26 de junho, lançou a página.

Em segundo lugar, surge Raça e Futuro, do antigo guarda-redes de futsal do clube João Benedito, com pouco mais de 10 800 seguidores na página lançada a 19 de julho. Não muito distante está Leais ao Sporting, do ex-líder leonino Bruno de Carvalho, que amealhou quase 10 300 seguidores desde 8 de julho. Ou seja, Benedito vai batendo a concorrência do ex-dirigente no rácio número de seguidores/tempo de página.

Curiosamente, 8 de julho também foi a data escolhida por Dias Ferreira para lançar a página Somos todos Sporting, que conta com pouco mais de 9100 gostos.

Mais distantes estão as páginas Pedro Madeira Rodrigues, com pouco mais de 5200 seguidores desde... 4 de janeiro do ano passado; Unidos Venceremos, de Fernando Tavares Pereira, lançada a 28 de junho e com quase 2900 gostos; e sobretudo Sporting. Projeto e Futuro, de Rui Jorge Rego, lançada a 3 de agosto e que ainda não atingiu os 500 seguidores.

A exceção Ricciardi

José Maria Ricciardi é o único que fica de fora deste barómetro, pois não ter qualquer página nas redes sociais e, a julgar por declarações proferidas a propósito de contas falsas com o seu nome, aparenta não fazer questão de vir a ter: "Não tenho contas no Twitter, nem no Facebook. Tudo o que esses perfis dizem é absolutamente falso. Qualquer coisa que venha daí não é verdade."

Apesar destes indicadores, é necessário ter em conta que cada pessoa pode seguir várias páginas de candidatos e que cada sócio tem direito a um diferente número de votos, consoante a categoria e longevidade enquanto associado.

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Catarina Carvalho

Arnaldo, Rui e os tuítes

Arnaldo Matos descobriu o Twitter (ou Tuiter, como ele dizia), em 2017. Rui Rio, em 2018. A ambos o destino juntou nesta edição. Por causa da morte do primeiro, que o trouxe à nostálgica ordem do dia, e por o segundo se ter rendido à tecnologia da transmissão de ideias que são as redes sociais. A política não nasceu para as ideias simples com as redes sociais. Mas as redes sociais vieram dar uma ajuda na rapidez ao passar as mensagens. E a chegar a mais gente. E da forma desejada, sem a, por vezes incómoda, mediação jornalística. É isso mesmo que diz, e sem vergonha, note-se, uma fonte do PSD, no trabalho sobre a presença de Rui Rio no Twitter. "É uma via para dizer exatamente o que pensa e dar a opinião, sem descontextualizações." O jornalismo como descontextualização. Ou seja, os políticos que aderem às redes sociais fazem-no no mesmo pressuposto da propaganda. E têm bons exemplos a seguir, como Trump, mestre nos 280 carateres que o ajudaram a ganhar eleições. Foi o Twitter que trouxe Arnaldo Matos das trevas da extrema-esquerda para o meio mediático. Regressou como fenómeno, não apenas pelas polémicas intervenções no velho partido, o MRPP, onde promoveu rixas, expulsou camaradas por desvios de direita, mas, sobretudo, pela excelente adaptação à forma que a tecnologia do Twitter lhe proporcionava para passar a sua mensagem política dura, rápida, cruel e, sim, simplista. Para quem não quer perder muito tempo com explicações, o Twitter é ideal. Numa prosa publicada na página do partido, Luta Popular, Arnaldo Matos fazia o que sabia fazer, doutrina, sobre o assunto. Dizia que as suas publicações, batendo "todos os recordes em Portugal", se tornavam "tão virais" que já nem ele as controlava E sem nenhum recuo ou consideração sobre a origem "capitalista" desta transmissão informativa queixava-se de as mensagens não serem vistas pelos "camaradas do partido". Resumindo: "Os tuítes são pequenas peças de agitação e de propaganda políticas, que permitem aos militantes do PCTP/MRPP manter uma informação permanente sobre a vida política nacional e internacional." Dizia também que este método "fornece uma enorme quantidade de temas que armam a classe operária para a difusão de opiniões que caracterizam os seus pontos de vista de classe". Ninguém diria melhor do que um "educador" de classe, operária ou outra, e nem mesmo Jack Dorsey ou Noah Glass ou Biz Stone, ou Evan Williams, os fundadores da rede social, a saberiam defender de forma tão eficaz. E enganadora. A forma como Arnaldo Matos usava o Twitter era um pouco menos benévola do que podia parecer destas palavras. Zurziu palavras simples e fortes contra velhos ódios: contra o "putedo" da esquerda, o "monhé" António Costa, os sociais-fascistas do PCP e, até, justificando ataques terroristas como os do Bataclan em Paris. Mandava boutades que no ciberespaço se chamam posts. E, depois, os jornalistas faziam o resto, amplificando a mensagem nos órgãos de comunicação social tradicionais. Na reportagem explica-se que o objetivo dos tuítes de Rui Rio é, também, que os jornalistas "peguem" nas mensagens e as ampliem. Até porque ele tem apenas cerca de três mil seguidores - o que não é pouco, tendo em conta a fraca penetração da rede em Portugal. Rio muda quando está no Twitter. É mais contundente e certeiro. Arnaldo Matos era como sempre foi, cruel e populista. Ambos perceberam o funcionamento das redes sociais, que beneficiam os políticos, mas prejudicam a democracia. Porque incentivam ao "tribalismo", juntando quem pensa igual e silenciando quem acha diferentes. Que contribuem para a diluição das mediações que leva com ela o pensamento, a crítica, e traz consigo a ilusão da "democracia direta" que mais não é do que outra forma de totalitarismo. Estas últimas ideias são roubadas da apresentação de Pacheco Pereira na conferência sobre o perigo das fake news organizada nesta semana pela agência Lusa. Dizia ele que não devemos ter complacência com a ignorância - que é a base do espalhar de notícias falsas. Talvez os políticos devessem ser os primeiros a temê-la, à ignorância.