Chaves trava Benfica em jogo de todos os casos

Encontro terminou empatado (2-2) mas esteve para não se realizar devido à chuva. Rafa bisou, Ghazaryan imitou-o, Jardel e Conti não podem defrontar o FC Porto, que pode chegar à Luz na frente do Benfica. E atenção ao Sp. Braga...

Num jogo que esteve quase para não se realizar devido à chuva, o Benfica deixou dois pontos em Trás-os-Montes naquele que foi o primeiro jogo entre o clube da Luz e o Chaves desde 1997 que os encarnados não vencem.

Mas o vice-campeão nacional perdeu mais do que dois pontos, pois ficou sem Jardel, com uma lesão muscular, Gabriel, com um problema no joelho, e ainda Conti, que foi expulso depois de ter substituído o central brasileiro.

É preciso dizer que o resultado tem o seu quê de justo pois o Chaves fez pela vida e esta é uma equipa que sabe jogar, que gosta de jogar e não se mostra incomodada quando tem a bola na sua posse.

Isso tudo podia ter ido por água abaixo pois aos três minutos o mais forte, o Benfica, fez o primeiro golo do jogo, por intermédio de Rafa, o substituto de Salvio, que se escapou muito bem a Djavan, uma unidade a menos no onze flaviense.

Veja o resumo:

Enorme Vlachodimos

No entanto quem esperava ver um Chaves desanimado enganou-se. Os flavienses, porventura cientes de o clube estar em dia de aniversário, fizeram-se à vida rodando a bola com mestria nas imediações da área encarnada e fazendo com que Vlachodimos exibisse toda a sua categoria. O alemão travou um cabeceamento de William, saiu aos pés de Paulinho e deteve, por instinto, um remate de cabeça de Eustáquio, um jogador fadado para outros voos. A ele, e só a ele, se devia o zero na baliza do Benfica. Foram 40 minutos de enorme esplendor do Chaves mas para se perceber como o futebol pode constituir um paradoxo as melhores oportunidades nos primeiros 45 minutos foram do Benfica, com um remate ao poste de Gabriel e um chapéu de Seferovic que Ricardo ainda desviou com a ponta dos dedos.

Foram 40 minutos de enorme esplendor do Chaves mas para se perceber como o futebol pode constituir um paradoxo as melhores oportunidades nos primeiros 45 minutos foram do Benfica


Percebia-se que o meio-campo do Benfica não carburava, a dupla Pizzi/Gabriel funcionava mal e não dava para conter a intensidade que Eustáquio, Gallo e Ghazaryan imprimiam à partida. E foi isso que Rui Vitória afinou ao intervalo, percebeu-se que Pizzi e Gabriel entenderam melhor os terrenos que tinham de pisar no recomeço do jogo.

A segunda parte do Benfica foi muito melhor que a primeira, por muito que os golos digam o contrário. O clube da Luz teve soberanas oportunidades para matar a partida mas Cervi e Seferovic, que fez uma excelente exibição mas é (e continua a ser) um avançado com pouco golo, fizeram Ricardo mostrar que é um guarda-redes com enormes recursos.

A meio da segunda parte já Gabriel se tinha lesionado e sido rendido por Gedson. O Benfica conseguia o mais importante; controlar a partida no meio-campo do Chaves, que parecia algo fatigado.

Nova alma

No entanto, a troca de Niltinho por João Teixeira deu nova alma ao Chaves que aproveitou bem uma falta desnecessária de Cervi sobre William para Ghazaryan entrar em cena com um livre direto em que a bola só parou no fundo da baliza de Vlachodimos, sendo importante dizer que a barreira do Benfica parecia um queijo suíço.

Rui Vitória ainda fez entrar Jonas, colocando a equipa num 4x4x2 que permitia encostar dois homens junto dos centrais flavienses mas o marcador do segundo golo do Benfica seria novamente Rafa, a aproveitar um passe soberbo de Rúben Dias e um abrir de pernas de Seferovic que desposicionou toda a defesa do Chaves. A cinco minutos do fim muitos pensaram que o vencedor estava encontrado mas logo a seguir Conti foi expulso, devido a uma entrada imprudente sobre JoãoTeixeira, Daniel Ramos meteu ainda André Luís, um avançado, e Avto, um extremo, que substituíram outro extremo, Perdigão, e um central, Maras,. O risco era evidente mas não havia muito a perder a não ser o que já estava perdido. E no quarto dos cinco minutos de descontos que João Capela concedeu Ghazaryan desferiu um remate potente com a bola a entrar no mesmo local (junto ao poste direito) com que tinha feito o 1-1.

Seferovic fez uma boa exibição mas é, decididamente, um avançado com pouco golo

Uma nota final para dizer que o Chaves justificou o empate, muito mais pelo que produziu na primeira parte. O Benfica tem um problema em mãos, pois em 48 horas Luisão finalizou a carreira, Jardel contraiu uma lesão muscular, Conti foi expulso, sobrando Lema, que poucos conhecem, para o clássico com o FC Porto que, se vencer esta sexta-feira o Tondela, pode chegar à Luz à frente do seu rival encarnado. E o grande beneficiado pode ainda ser o Sp. Braga, que será líder isolado se vencer domingo no Restelo.

Figura - Ghazaryan

O arménio de 30 anos estreou-se a marcar na atual temporada e logo em dose dupla e logo a um grande. Não teve um contributo assertivo na produção da equipa mas foi ele o elemento decisor com dois remates que provam a qualidade da sua definição. Por alguma razão Daniel Ramos, que já o tinha treinado no Marítimo, o fez rumar a Chaves. Fez dis golos como Rafa mas o facto de jogar na equipa menos forte faz com que os seus golos tenham um significado diferente.

FICHA DE JOGO

Jogo no Estádio Municipal Eng.º Manuel Branco Teixeira, em Chaves.

Chaves - Benfica, 2-2.

Ao intervalo: 0-1.

Marcadores:
0-1, Rafa, 3 minutos.
1-1, Ghazaryan, 75.
1-2, Rafa, 84.
2-2, Ghazaryan, 90+4.

CHAVES: Ricardo, Paulinho, Maras (André Luís, 89), Marcão, Djavan, Bruno Gallo, Eustáquio, Ghazaryan, Perdigão (Avto, 90), Niltinho (João Teixeira 69) e William.
Treinador: Daniel Ramos.

BENFICA: Odysseas, André Almeida, Rúben Dias, Jardel (Conti, 16), Grimaldo, Fejsa, Pizzi (Jonas, 80), Gabriel (Gedson, 65), Rafa, Cervi e Seferovic.
Treinador: Rui Vitória.

Árbitro: João Capela (Lisboa).

Amarelos para Perdigão (21), Marcão (30), Gabriel (51) e Djavan (82).
Vermelho direto para Conti (87).

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