Ataque a Alcochete. Juiz recusa novo interrogatório a Jorge Jesus

Fase de instrução do processo referente ao ataque à Academia do Sporting em Alcochete começa na quarta-feira. Juiz não acedeu a novos depoimentos do treinador e do médio William Carvalho, nem ao pedido de Bruno de Carvalho para se examinar as imagens vídeo.

O juiz Carlos Delca recusou novos interrogatórios a Jorge Jesus e a William Carvalho como pediam alguns dos acusados no processo do ataque à Academia do Sporting, em Alcochete, nos seus requerimentos de abertura de instrução, fase que vai começar dia 6 de março no Campus da Justiça.

Os 44 arguidos neste processo, 38 deles em prisão preventiva, estão acusados de vários crimes entre eles sequestro, ofensa à integridade física qualificada, introdução em lugar vedado ao público, dano com violência, terrorismo, resistência e coação sobre funcionário.

No despacho onde nega a pretensão de Hugo Ribeiro, Celso Cordeiro, Sérgio Santos, Daneil Lavaredas, Elton Camará, Carlos Delca também recusa o pedido do antigo presidente do clube Bruno de Carvalho para ter acesso "às imagens de vídeo das câmaras de vigilância e dos jornalistas presentes [no dia do ataque a 15 de maio de 2018], alegando que não foi confrontado com tais elementos de prova".

O magistrado que liderou a fase de inquérito do processo e que vai também ser o juiz de instrução sublinha no despacho, a que o DN teve acesso: "Tal como o arguido alega, porque disso tem pleno conhecimento, os elementos de prova que refere constam dos autos, foram referidos ao arguido aquando do interrogatório judicial a que foi sujeito e foram, então, colocados à sua disposição, bem como à do seu Ilustre Defensor."

Lembra ainda que "depois disso, foi deduzida acusação contra o arguido, onde tais elementos de prova voltam a ser referidos tendo o arguido, desde então, tido a possibilidade de os examinar, tendo dependido, exclusivamente, da sua vontade o facto de o não fazer. Nestes termos, por se tratar de actos de prova já praticados no inquérito a que o arguido teve acesso, indefiro a sua repetição - art.º 291, n.º 3, do CPP [Código de Processo Penal]".

No documento, o juiz Carlos Delca recusa o pedido de abertura de instrução de cerca de uma dezena de arguidos por terem sido entregues fora de prazo e recusa os pedidos para serem ouvidos de novo o treinador Jorge Jesus e o futebolista William Carvalho. A justificação apresentada é igual para todos: "No caso presente, requer este arguido o seu interrogatório e ainda a inquirição das testemunhas Jorge Jesus e William Carvalho, sendo certo que os mesmos já foram ouvidos em sede de inquérito. Analisados os presentes autos, constata-se que relativamente às diligências que este arguido requer que sejam repetidas, não se vislumbra não terem sido observadas as legais formalidades. Acresce que não se verificam quaisquer razões ponderosas e, no fundo, com interesse para o objecto desta fase processual, que determinem a repetição de tais diligências. Na verdade, as testemunhas indicadas, foram ouvidas quanto aos factos objetivo do presente processo e por cada um percepcionados, não se vislumbrando ter existido qualquer lacuna."

Ou seja, os dois já foram ouvidos e o magistrado considera que não há interesse acrescido para esta fase do processo que voltem a prestar depoimento, incluindo Bruno Jacinto, o antigo oficial de ligação aos adeptos do Sporting.

No documento também fica percetível que a grande maioria dos acusados que pediram a abertura da instrução não se disponibilizou para prestar declarações nesta fase nem apresentou testemunhas, ficando assim a aguardar a a marcação do debate instrutório - a fase que antecede a decisão do juiz sobre se mantêm as acusações, as altera ou arquiva-as contra todos ou alguns acusados.

Dos que pediram para ser ouvidos, três vão sê-lo na próxima quarta-feira (dia 6 de março), são eles Hugo Ribeiro, Celso Cordeiro e Sérgio Santos. No dia seguinte será a vez de Eduardo Nicodemes e das suas testemunhas. A 12 comparecerá perante o juiz Elton Camará e uma testemunha que indicou. E a 13 de março será a ver do ex-presidente leonino Bruno de Carvalho.

Entre os acusados pelo Ministério Público que não pediram a abertura de instrução está o líder da Juventude Leonina, Nuno Mendes - mais conhecido como Mustafá.

Este processo surge na sequência da invasão que um grupo de adeptos conotados com a principal claque sportinguista fez à academia do clube a 15 de maio do ano passado. Nessa tarde ninguém os impediu de entrar no espaço e entraram nos balneários onde o plantel profissional começava a preparar o jogo da final da Taça de Portugal em que iriam jogar com o Desportivo das Aves.

Nessa altura, agrediram jogadores, o técnico e outros elementos do clube, atiraram petardos e depois abandonaram o recinto antes da chegada da GNR. Nesse dia também estava nas instalações da academia o atual presidente do clube Frederico Varandas que era o médico da equipa principal.

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