As mensagens a combinar o ataque: "É para bater em todos e ponto"

Nas mensagens intercetadas na véspera do ataque, percebe-se que a invasão à Academia de Alcochete começou a ser preparada na noite do dia 13 de maio, após a derrota dos leões na Madeira. Leia aqui alguns excertos de conversas que constam no despacho da acusação do Ministério Público.

No despacho da acusação do Ministério Público ao ataque à Academia de Alcochete, a que o DN teve acesso, são reveladas várias mensagens de texto trocadas entre alguns dos arguidos e outros adeptos a planear o assalto à Academia. Numa dessas mensagens intercetadas, da noite do dia 13 de maio, depois de o Sporting ter sido derrotado pelo Marítimo, no Funchal, um dos arguidos escreve: "Também sou dessa opinião de ir a Alcochete, mas poucos, 20/30, vou-me organizar para ir já amanhã para baixo".

São várias as mensagens insultuosas e de ameaças contra os jogadores, sobretudo em relação ao guarda-redes Rui Patrício e ao extremo Marcos Acuña. Outro arguido neste caso, também nessa mesma noite de 13 de maio, chega a dizer que em relação a Acuña "é mesmo de ir à porta de casa". Nesta mesma conversa são ainda reveladas as matrículas dos carros dos argentinos Acuña e Battaglia.

No dia 14 à noite, numa mensagem enviada à noite, um arguido questiona se "amanhã há academia ou não". Ao que outro responde: "Sim vamos varrer todos." E outro confirma: "Amanhã é para ir... só se está à espera de confirmar o horário do treino, é a única coisa que está a faltar. Mas é para ir tudo, sim, organizem-se já."

A partir daqui, nessa mesma noite, véspera do ataque aos jogadores na Academia de Alcochete, vários arguidos chegam até ao ponto de identificar em quem querem bater. "Eu vou dar uma bastonada no Patrício", diz um deles", apelando também a que os jornalistas sejam agredidos. Outro refere que os jogadores "têm de ser apertados, levar nos cornos".

Também numa mensagem datada da tarde do dia 14 de maio, outro arguido diz que William Carvalho "é o primeiro em que quero bater". "Levam todos menos o Bruno Fernandes. Até o Coentrão. Não vou andar aqui a escolher ninguém. É bater em todos e ponto."

Outra mensagem intercetada e que faz parte da acusação apanha um dos arguidos a dizer: "um jogador para cada um. [...] fica com o Podence, para ser taco a taco... Bas Dost é para o [...] [...] ficas com o Jesus, fico com o Battaglia filho da p..., o Doumbia é para o [...] o [...] vai morder os pés ao Bryan, o Bruno César é para os [...]". A mensagem às tantas termina com o seguinte comentário: "Amigo ninguém fica com ninguém. Rodinha no chão, pontapés na cabeça e vão-se f..."

Outros dos arguidos, nessa noite de 14 de maio, chega a dizer que deviam seguir alguns jogadores na noite do dia 13, quando regressassem da Madeira. "Eles devem ir jantar a algum lado, era seguir um, eles vão jantar a algum lado. O William vai sempre ao Olivier." Uma das últimas mensagens trocadas nessa noite diz o seguinte: "Ninguém fala a ninguém para não haver polícia. Acho melhor chegar tudo ao mesmo tempo, deixar os carros e ir logo para lá a correr. Que o campo onde treinam é longe."

Nas mesmas conversas, os arguidos e adeptos confirmam que os jogadores já tinham sofrido apertões no aeroporto do Funchal e na garagem do Estádio José Alvalade.

Algumas mensagens intercetadas voltam a confirmar que chegou a ser planeado cada um dos invasores ficar com um jogador. "Quem é que fica com o Coates? E o Bas Dost? tem dois metros... levem o esticador, eu levo o canhão. Amanhã vão mamar a sério". "Para lá tudo, não está nada bófia, eu de manhã passo lá às 9.00", prosseguiu.

De acordo com o despacho da acusação, na noite de 14 de maio, pelas 22.03, um dos arguidos criou um grupo no WhatsApp a que chamou "Academia Amanhã". Antes, pelas 21.43, um dos arguidos dá a informação de que o treino de dia 15 estava marcado para 17.00. "Chegar e bater, estou farto de conversas. Primeiros a levar são os jornalistas que vão estar na entrada. Por mim leva tudo menos o Bruno Fernandes. Desde que dê para tapar a cara é tranquilo", escreveu outro dos arguidos.

O ataque começa então a ganhar novos contornos. "Temos que combinar 30 minutos antes. Vamos em caravana. Paramos os carros e vamos lá para dentro [...] alguém fica com os da Prossegur para não comunicarem. Alguém tem de ficar com eles para não filmarem", descreve um dos arguidos.

Na manhã do ataque, no dia 15, os arguidos trocam mensagens logo cedo. Um pede para que sejam levadas duas tochas, outro que se espalhem por alguns lugares chave das redondezas a ver se "está tudo limpo", enquanto outros começam a combinar as boleias.

A determinada altura, surge a informação no grupo de Whats App que já seria sabido que a Juve Leo ia ao treino. E por isso há quem chame a atenção para as fugas de informação.

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