Gelson Martins pode apanhar até oito meses de castigo. Conheça outros casos de jogadores que agrediram árbitros

Português que joga no Monaco empurrou o árbitro durante um jogo e pode ser suspenso nesta quinta-feira. Conheça outros casos, como o de João Pinto, Luisão e Marco Gonçalves...

Dois empurrões a um árbitro podem afastar Gelson Martins dos relvados durante oito meses. É esse o castigo máximo estimado por alguma imprensa francesa para o português, que foi expulso no jogo com o Nimes de domingo passado. Em 2010, Nancéien Youssouf Hadji foi alvo de uma suspensão de seis meses após ter protagonizado um comportamento semelhante perante o árbitro do jogo entre Nancy e Valenciennes. Há ainda os casos de Bagayoko (seis semanas), Alou Diarra (dez jogos) e Nabil Dirar (oito jogos).

O jogador recorreu às redes para pedir desculpa pela "atitude irrefletida e feita de cabeça quente". "Quem me conhece sabe que em toda a minha carreira sempre tive por princípio respeitar todos - desde os meus colegas, adversários, adeptos e árbitros - fora de campo e dentro de campo, onde nunca fui nem sou agressivo com ninguém. Sinto que devo pedir desculpa por uma atitude irrefletida e feita de cabeça quente. Peço desculpa, em especial ao Sr. árbitro Mikael Lesage, mas também aos meus colegas de equipa e aos nossos adeptos", escreveu o extremo, que saberá nesta quinta-feira o castigo aplicado pelo comité disciplinar da Ligue 1.

Seja qual for o castigo, o português não se vai livrar de um processo interno. Oleg Petrov, vice-presidente do Monaco, criticou duramente a atitude do extremo. "A sua atitude é inaceitável e imperdoável. Vai ser severamente punido e, da minha parte, farei que um gesto destes não volte a acontecer. Ele pediu desculpa ao árbitro pessoalmente no final do jogo e nas redes sociais. Quando falei com ele, reparei que ele apercebeu-se de que tinha cometido um erro. Não é uma pessoa violenta e daí a surpresa. O Gelson contou-me que teve uma semana difícil. Não que isso desculpe o gesto, mas ajuda a perceber os motivos", disse o dirigente, citado pelo L'Équipe.

João Pinto: quatro meses de castigo e multas

O murro no estômago do árbitro argentino Angel Sánchez durante o Portugal-Coreia do Sul de 14 de junho de 2002, em pleno mundial, valeu ao português um castigo de quatro meses. "Obviamente que estou (arrependido). Também vi as imagens, embora não diga se foi agressão ou não. Mas, obviamente que me arrependi daquele ato", disse em entrevista à Sport TV em 2004, dois anos após os acontecimentos que o afastaram dos relvados durante vários meses.

A FIFA decidiu-se por uma suspensão de seis meses, com dois meses de pena suspensa. Para além da suspensão de todas as competições nacionais e internacionais, João Pinto foi ainda punido com uma multa de 50 mil francos suíços (34 102 euros) por comportamento antidesportivo, tendo ainda arcado com os custos processuais (15 mil francos, cerca de dez mil euros). O então jogador do Sporting ficou sob alçada disciplinar durante um ano. Se acontecesse alguma coisa fora das regras cumpria mais dois meses de castigo.

Segundo Marcel Mathier, presidente do comité disciplinar da FIFA na altura, a pena suspensa foi acordada porque o jogador "teve, depois do incidente, um comportamento exemplar", lembrando que o passado futebolístico de João Pinto, tanto a nível nacional como internacional, pesou na atenuação da pena. Na altura o jogador alinhava no Sporting, que optou por não recorrer da decisão. O então presidente da SAD de Alvalade Miguel Ribeiro Telles, que acompanhou o jogador na sua deslocação a Zurique, considerou a sentença "justa e equilibrada", por isso o jogador já não foi sancionado internamente.

O presidente do Conselho de Arbitragem da Associação Portuguesa de Árbitros de Futebol (APAF), Vítor Reis, pedia um castigo exemplar e lamentou a leveza da punição. De acordo com os regulamentos da FIFA, o castigo poderia ter ido até aos cinco anos de suspensão da atividade a todos os níveis, tanto nacional como internacional a "um jogador que deliberadamente agrida alguém fisicamente ou lhe prejudique a saúde".

Luisão: dois meses e 60 mil euros ao árbitro

A 11 de agosto de 2012, num jogo particular entre o Benfica e o Fortuna Dusseldorf, Luisão empurrou o árbitro Christian Fischer, depois de uma confusão entre jogadores das duas equipas. O juiz do encontro desmaiou e caiu no relvado, dando mais tarde o encontro por encerrado.

O defesa central do Benfica foi depois punido com dois meses de suspensão e uma multa pecuniária de 2550 euros pelo Conselho de Disciplina (CD) da Federação Portuguesa de Futebol. Os membros do CD federativo aplicaram a pena, com base na alínea b do artigo 145º do Regulamento Disciplinar das Competições Organizadas pela Liga Portuguesa de Futebol Profissional, relativo a agressão sem lesão de especial gravidade e cujo castigo variava entre um mínimo de dois meses e o máximo de dois anos, além de multa pecuniária. No caso de Luisão, foi aplicada a pena mínima.

O caso seguiu ainda para os tribunais civis, uma vez que o árbitro apresentou queixa num tribunal alemão, sendo o benfiquista mais tarde condenado a pagar 60 mil euros de indemnização a Christian Fischer.

Canelas: Pena de prisão e quatro anos de castigo

Em abril de 2017 o país ficou a conhecer Marco Gonçalves, o jogador do Canelas 2010 que agrediu um árbitro à joelhada num jogo com o Rio Tinto do campeonato distrital da Associação de Futebol do Porto. José Rodrigues foi transportado de imediato para o hospital e o jogo cancelado. O caso correu mundo.

A agressão ficou registada no boletim de ocorrência da PSP e seguiu para tribunal, onde o avançado do clube de Vila Nova de Gaia acabou condenado a 11 meses de prisão com pena suspensa (durante 24 meses). A agressão ao árbitro José Rodrigues custou-lhe ainda 3600 euros de indemnização ao juiz - que pedia 32 mil euros por danos causados. A juíza do processo deu como provada a acusação de que o arguido agarrou o árbitro pelo pescoço, puxou-lhe a cabeça e deu-lhe uma joelhada, atingindo-o na cara - em particular no nariz -, depois de ser admoestado com um cartão vermelho por agressão a um adversário.

O clube optou por "dispensar" o jogador - conhecido no mundo do futebol por Orelhas -, que ficou ainda impedido de entrar em estádios durante 11 meses e suspenso por quatro anos pelo Conselho de Disciplina da Associação de Futebol do Porto. Castigo que ainda está em vigor.

Meses em Espanha, anos na Alemanha...

Os casos de agressões a árbitros são transversais a vários países e campeonatos, sendo que as penas tendem a ser mais pesadas no futebol amador. Em 2018, Dani Gómez, futebolista espanhol do Ayamonte, foi suspenso durante 25 jogos (cerca de cinco meses), por ter agredido um árbitro durante um encontro da III Divisão espanhola frente ao Los Rosales. O Comité Disciplinar da Federação da Andaluzia aplicou ainda uma multa de 250 euros ao jogador e retirou um ponto ao Ayamonte.

Um ano depois, em 2019, um jogador do FSV Münster da IV Divisão alemã de futebol foi suspenso por três anos por ter agredido um árbitro com um murro após lhe mostrar um cartão vermelho. O árbitro foi transportado de helicóptero para o hospital. O clube foi condenado a pagar 500 euros de multa, que depois imputou ao jogador. "Esse tipo de comportamento não é admissível no terreno de jogo e a suspensão de três anos é amplamente justificada, é a pena máxima", explicou o presidente da HFV, Theodor Greiner.

Também no ano passado, o brasileiro Lucas Paquetá foi suspenso por três jogos do campeonato Italiano, por causa da agressão ao árbitro Marco Di Bello. Em causa uma palmada no braço durante um jogo do AC Milan com o Bolonha.

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