Caso Mayorga: Da noite de festa em 2009 à queixa contra Ronaldo no tribunal federal em 2019

O caso de alegada violação que envolve Cristiano Ronaldo terá ocorrido no verão de 2009. Kathryn Mayorga assinou um acordo de confidencialidade numa altura em que, disse, se encontrava fragilizada. Depois da queixa em 2018, entretanto retirada, em janeiro apresentou uma outra no tribunal federal.

A decisão de Kathryn Mayorga de retirar a queixa contra Cristiano Ronaldo por violação poderá colocar um ponto final num processo que foi tornado público em setembro do ano passado e explicado numa conferência de imprensa dos advogados da norte-americana. Na sequência da apresentação da queixa a polícia de Los Angeles abriu uma investigação e chegou a pedir amostras de ADN do futebolista internacional português o que pode levar a que o processo continue aberto.

A equipa que defende Kathryn Mayorga explicou que a alegada violação aconteceu em 2009 numa suíte de um hotel onde o jogador da Juventus - na altura do Manchester United - estava alojado depois de se terem conhecido numa discoteca. No entanto, só passados nove anos é que decidiu apresentar queixa, o que foi justificado com o estado emocional frágil com que a norte-americana se debateu durante esse período.

Os momentos-chave para perceber este processo

Denúncia. Em setembro de 2018, os advogados de Mayorga anunciam que tinham apresentado uma denúncia contra Cristiano Ronaldo por violação em 2009 depois de se terem conhecido numa discoteca. Em conferência de imprensa, explicaram que só passados nove anos tinha sido decidido avançar com a queixa pois a sua cliente encontrava-se frágil emocionalmente, nos anos que se seguiram ao episódio.

O acordo de confidencialidade. Nesse encontro com a imprensa os advogados confirmaram a existência de um acordo de confidencialidade assinado em 2009 onde Kathryn Mayorga se comprometia a não falar sobre a alegada violação e que teria recebido uma verba de 322 mil euros. O compromisso foi divulgado pelo Der Spiegel com base em documentos obtidos pelo site Football Leaks, que agora se sabe terem sido entregues pelo hacker português Rui Pinto.

As razões. A explicação para os nove anos de silêncio sobre o assunto foi o facto de Kathryn ter assinado o acordo numa altura em que se encontrava fragilizada e, portanto, sem capacidade para avaliar o que estava a fazer. E que passado esse tempo já podia defender-se. No processo que entregaram no tribunal os advogados invocaram, para anular a validade do acordo, a falta de capacidade para assinar o contrato (não estava em condições mentais para tal), ter sido coagida a assinar o compromisso e a deturpação dos factos. No documento divulgado na altura é defendido que os advogados de Ronaldo usaram "meios desleais" para levar Kathryn a assinar.

O processo. Na queixa apresentada em 2018, Kathryn nomeia um total de 11 queixas, entre as quais coação, abuso de pessoa vulnerável e inflação intencional de stress emocional. Um dos objetivos do processo passava por declarar o acordo de confidencialidade nulo. Para Ronaldo a maior dificuldade da queixa não seria um eventual pedido de indemnização, mas sim uma acusação de violação que em julgamento poderia terminar com uma pena de prisão.

O que disse Ronaldo. O futebolista sempre negou estas acusações, garantiu que tinha sido uma noite de "sexo consentido" e chegou a responder numa conferência de imprensa que "a verdade vem sempre ao de cima. Tenho pessoas que cuidam bem dos meus interesses".

Queixa em dois tribunais. À desistência da queixa de Kathryn Mayorga que foi noticiada pela agência Bloomberg seguiu-se outra notícia: há uma outra queixa apresentada pela norte-americana num tribunal superior do Nevada. Esse processo deu entrada a 28 de janeiro, foi atribuído a uma juíza no mesmo dia e a 29 foi emitida uma notificação para Cristiano Ronaldo. No site do tribunal pode ler-se que a última vez que o processo foi visualizado foi a 8 de março, ou seja antes da data adiantada pela agência noticiosa que adiantou ter sido a queixa retirada do Tribunal Estadual do Nevada há cerca de um mês. Portanto, não se sabe ainda se as duas ações não estarão relacionadas.

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