Bruno Fernandes: "Sou um jogador diferente dos outros. Talvez corra mais riscos"

O internacional português fez um balanço do seu primeiro mês no Manchester United. Diz que um jogador não muda uma equipa, mas assume que é um futebolista diferente, que arrisca mais. Bruno deixa ainda elogios ao treinador.

Bruno Fernandes concedeu uma longa entrevista à Sky Sports onde fala do seu primeiro mês no Manchester United, um período onde rapidamente se assumiu como um dos grandes destaques da equipa e mereceu elogios de todos, inclusivamente dos treinadores de clubes rivais, casos de Jürgen Klopp, do Liverpool. Nesta entrevista, o ex-jogador do Sporting fala da importância do compatriota Diogo Dalot na sua integração, e assume que se considera um jogador diferente dos outros - "talvez eu corra mais riscos, talvez os outros não arrisquem tanto, talvez eu remate mais."

Aqui ficam as principais passagens da entrevista.

"A decisão de assinar pelo Manchester United foi simples. Quando a oportunidade de vir para aqui surgiu, não pensei duas vezes. Falei com o Sporting, que já tinha tido conversas com o Manchester United sobre a minha transferência. Disse-lhes que a minha primeira escolha era o Manchester United e que era isso que precisava para a minha carreira."

"No último mês tivemos vários jogos muito bons e penso que podemos falar de um novo início após o Bruno. Mas o que importa não é o Bruno e sim a equipa. Penso que, se o Bruno não viesse, o Manchester United venceria na mesma. Um jogador não muda a equipa. Vejo a mesma equipa de há um mês. Penso que somos os mesmos e temos uma grande fome de vitórias, de dar tudo, de fazer melhor e melhor em cada jogo."

"Penso que sou um jogador diferente dos outros. Cada um tem a sua forma de jogar, mas talvez eu corra mais riscos, talvez os outros não arrisquem tanto, talvez eu remate mais, há outros que passam mais. Somos todos diferentes e, embora por vezes alguns possam parecer idênticos, nunca são o mesmo jogador."

"Eu sou um jogador que arrisca, que faz o último passe, que assiste. Não quero saber se alguém de fora não ficou satisfeito com a forma como passei a bola, respeito, mas vou continuar a fazê-lo. As pessoas dizem que os jogadores que são bons com bola não o são sem ela. Eu tento ser melhor com bola, mas também tenho na minha cabeça outros aspetos importantes como a capacidade de reação quando a perco. Fico chateado quando as coisas não correm tão bem, quando o passe não sai bem."

"Estou sempre muito atento aos pormenores porque se queres melhorar tenho de o ser. Quando termino um jogo em que marquei ou assisti, vou revê-lo para casa para perceber se cometi erros ou não. Tenho na cabeça tudo o que fiz de errado porque eu sei o que é um mau passe, um mau remate ou uma má decisão. Mesmo que faça uma assistência tenho de a rever para perceber se pode ser melhor. Isto é difícil de explicar, mas eu tenho de analisar os pormenores para ser cada vez melhor."

"Eu tenho carro, mas o Diogo Dalot quer levar-me para os reinos e vamos sempre juntos. Chegamos cedo, o Diogo quer ter companhia e então vamos tomar o pequeno-almoço e depois para o ginásio. Desde que cheguei, ele tem-me ajudado muito. Nos primeiros dias dormir na casa dele. Estava num hotel, mas ele dizia-me para ficar em casa dele. Ajudou-me com tudo. Estou muito contente por o ter aqui."

"O Solskjaer [treinador do Manchester United] é muito atento aos detalhes e ao que faço. Isso é importante, porque uma das coisas importante no futebol são os detalhes. Atualmente, todos os treinadores são bons, tentam aprender com os outros e o jogo está cada vez mais difícil. Assistimos aos vídeos e a maioria das equipas sabem como nós jogamos, onde vamos colocar a bola, onde têm de pressionar mais, pelo que o jogo está cada vez mais difícil."

"Ele [Solskjaer] é muito bom e como foi futebolista sabe quando falar com os jogadores, quando tem de dizer aquela palavra ou pressionar para darmos ainda mais. Os treinadores que têm um passado no futebol entendem melhor as coisas. Às vezes tens treinadores que nunca jogaram e que também compreendem estas coisas, depende de cada pessoa. Mas eu penso que o Ole Gunnar Solskjaer é muito cuidadoso com estes pontos-chave. Ele quer a perfeição, o que é impossível, mas ele tenta tirar sempre mais e mais de nós."

"O treinador é sempre importante quando chega um novo jogador. Comigo foi realmente importante porque senti confiança do outro lado. Quando precisas de mudar, quando essa mudança implica mudar de país, para um grande clube, com grandes jogadores, tens de estar preparado. E quando cheguei aqui, o treinador foi muito importante, mas mais importantes foram os meus companheiros de equipa. Quando tens a confiança deles, tudo se torna mais fácil."

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