Benfica quer "tolerância zero" mas diz que "claques legalizadas não resolvem problema"

Encarnados publicaram texto no site na sequência dos incidentes registados sábado em Coimbra que resultaram num ferido. Clube da Luz pede novas leis e punições para os prevaricadores. E lembra que o problema não são as claques legalizadas.

O Benfica, na sequência dos incidentes no decorrer do jogo de sábado contra a Académica, em que um adepto do clube ficou ferido (fratura de uma vértebra da coluna) depois de ter sido empurrado da bancada, pediu esta sexta-feira através de um texto publicado no site oficial do clube para que "exista tolerância zero para quem instala um ambiente de violência no Desporto" e que este ponto "deve merecer um apoio inequívoco da parte de todos sem exceção".

"Mas sem demagogias e falsos argumentos e muito menos confundindo a questão da pretensa legalização das claques como a origem que está por trás do que se tem passado", escrevem os encarnados, reforçando que as claques legalizadas não resolvem o problema: "Foram as ditas claques legalizadas que promoveram o terrível episódio de Alcochete, em que grande parte dos envolvidos nem estavam inscritos como sócios, nem como membros da dita claque, ou que promoveram espetáculos degradantes como aqueles a que assistimos no final da época passada, de profissionais de um clube a terem que se sujeitar a uma humilhação pública. Uma pretensa legalização, aproveitada nalguns casos para legitimar o controlo de vários negócios dentro dos respetivos clubes."

O clube da Luz recorda que "nos últimos seis meses, dois adeptos do Benfica foram hospitalizados por atos de pura violência gratuita". "Nenhum dos casos envolveu qualquer tipo de confronto, nem pertenciam a qualquer grupo organizado de sócios. E foram vítimas precisamente de atos perpetrados de forma organizada por elementos de claques", prosseguem as águias.

"O primeiro passo para se pôr fim de forma veemente e definitiva a estas situações é ser célere na identificação e punição dos verdadeiros prevaricadores, estabelecer leis e regras claras, sem subterfúgios e que não sirvam apenas para legalizaram uma espécie de crime organizado, e que, finalmente, enfrente com coragem quem se considera acima das leis e exiba em todo o lado o seu poder de ameaçar e coagir tudo e todos a seu bel-prazer", defende o clube da Luz. "Sem clubites, sem olhar a cores, todos assumindo as suas responsabilidades, trabalhando para uma concretização das novas leis de uma forma séria e concreta em prol da promoção e projeção efetiva do futebol português, é esse o dever que nos compete concretizar nesta nova época", acrescenta o texto publicado no site oficial.

Da nossa parte fica o apelo final, para que o futebol seja cada vez mais uma festa em que todos os adversários merecem o melhor dos respeitos e que, na nova época que se aproxima, o fair play seja o exemplo que prevaleça!", termina o Benfica.

O adepto do Benfica que ficou ferido em consequência dos desacatos ocorridos no jogo particular de futebol com a Académica, está internado e sob observação, devido à fratura de uma vértebra da coluna.

Em nota publicada domingo no site oficial, o Benfica informou que o adepto, de 30 anos, "fraturou a vértebra D12 da coluna" e está internado no Centro Hospitalar e Universitário de Coimbra, esperando-se que na segunda-feira seja "tomada a decisão sobre a necessidade de se avançar com uma eventual operação".

"Não esteve envolvido em qualquer desacato, mas, à passagem de indivíduos adeptos da Académica (escoltados pela Polícia) que tinham sido responsáveis pela confusão gerada, foi empurrado por um deles", indica o Benfica, assinalando que a direção do clube de Coimbra "prontificou-se de imediato a ajudar os familiares a identificar os responsáveis".

O jogo entre a Académica e o Benfica, que se disputou em Coimbra e foi ganho pelo campeão nacional por 8-0, esteve interrompido durante cerca de oito minutos devido a incidentes nas bancadas entre adeptos - que chegaram a entrar na pista de atletismo do estádio para se refugiarem -, levando à intervenção da polícia.

O incidente motivou mesmo duras palavras do treinador Bruno Lage. "Isto tem de acabar. Foi um adepto para o hospital, mas ninguém foi preso. Temos de começar a prender esta malta, seja preto, vermelho, verde ou azul. Um estádio bem composto, bom ambiente e acontece isto. Já chega. Temos de tomar medidas urgentes sob pena de um dia, como adepto, deixar de trazer o meu filho ao futebol", disse.

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