As cinco razões que levaram à escolha de Bruno Lage

Onze dias depois da saída de Rui Vitória, Luís Filipe Vieira confirmou a passagem do técnico interino a principal. Uma solução que acabou por não surpreender.

Bruno Lage é a aposta do presidente Luís Filipe Vieira para treinar o Benfica pelo menos até final da temporada, uma decisão que acaba por não ser surpreendente tendo em conta os onze dias que decorreram entre a saída de Rui Vitória e a confirmação de que o até agora treinador interino passaria mesmo a ser efetivo.

Na segunda-feira passada, numa entrevista na SIC, o líder dos encarnados remeteu a decisão final para esta semana. E ela aí está. Bruno Lage é mesmo o eleito do líder benfiquista, tendo a seu cargo a missão de fazer regressar o Benfica aos títulos, desde logo a começar pela Taça da Liga, cuja final four se disputa na próxima semana em Braga, com o jogo das meias-finais com o FC Porto na terça-feira e, se conseguir vencer, a final no sábado seguinte.

Os encarnados continuam na luta pelo título, a cinco pontos do líder FC Porto, na viragem para a segunda volta. Na Taça de Portugal têm um jogo nesta terça-feira com o V. Guimarães que vale o apuramento para as meias-finais e, depois, a 14 de fevereiro iniciam a participação na Liga Europa diante dos turcos do Galatasaray.

Após a saída de Rui Vitória, muitos foram os nomes apontados para a sucessão. De Jorge Jesus a José Mourinho, passando por outros menos consagrados. No entanto, Luís Filipe Vieira optou por dar um voto de confiança a Bruno Lage, que venceu os dois jogos como treinador interino: 4-2 frente ao Rio Ave e 2-0 com o Santa Clara.

E há cinco razões que explicam esta decisão do presidente do Benfica:

1 - A contratação de um treinador de nomeada encerrava nesta altura bastantes dificuldades, uma vez que normalmente esses nomes não estão muito recetivos a arriscar assumir uma equipa a meio da temporada, sobretudo por não terem sido eles a formar o plantel, mas também porque é algo que envolve muitos riscos. Se as coisas corressem mal, já a temporada seguinte iria arrancar com essas nuvens negras. Além disso, o mês de janeiro é de grandes decisões para o Benfica, que vai ter jogos importantes na Taça de Portugal com a deslocação a Guimarães, na Taça da Liga frente ao FC Porto e até no campeonato no qual as duas próximas saídas são de elevado grau de dificuldade: Guimarães e Alvalade.

2 - A vontade de José Mourinho de não regressar para já a Portugal poderá ter sido outro fator para que Luís Filipe Vieira mantivesse a aposta em Bruno Lage. É que, do ponto de vista da SAD benfiquista, era preciso alguém que se identificasse com a equipa e com o projeto, que não perdesse muito tempo a conhecer os cantos à casa. E, neste ponto, o atual treinador dos encarnados seria uma aposta natural.

3 - A decisão de manter Bruno Lage, de 42 anos, é também explicada pelo percurso que o treinador teve de oito anos nas camadas jovens do Benfica e por ter mostrado um bom trabalho na equipa B nesta época, durante a qual apenas perdeu dois jogos em 13 jornadas, sendo que, mais importante do que tudo, a equipa praticava um bom futebol, transmitindo segurança e bons indicadores táticos.

4 - O projeto do Benfica em apostar nos jogadores que tem formado tornou também Bruno Lage uma escolha natural, afinal trata-se de um técnico que conhece bem todo o edifício da formação e todos os jogadores que estão no centro de treinos do Seixal. Luís Filipe Vieira deixou isso bem claro na conferência de imprensa desta segunda-feira quando diz que foi uma decisão "bastante ponderada" pela SAD. "É um homem ponderado, que conhece bem a nossa casa e toda a formação do Benfica, sabe os objetivos que temos e é dentro desse espírito que queremos pensar", justificou.

5 - Bruno Lage é, neste momento, um treinador com maior margem de tolerância junto dos adeptos, que vêm de uma fase de grande descontentamento em relação a Rui Vitória. O facto de ser um homem da casa e estar na sua primeira experiência como treinador ao mais alto nível, faz que essa tolerância seja ainda maior. Assim sendo, esta opção terá sido considerada como aquela que menos riscos comporta para o que resta da época.

Agora, só o tempo o dirá se esta foi a melhor aposta da SAD encarnada para comandar a equipa, sendo certo que os dois primeiros jogos deram bons sinais. Contudo, aproximam-se testes decisivos para aquilo que será o sucesso ou insucesso do Benfica nesta época. Os testes mais duros à liderança de Bruno Lage vão começar.

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