Triunfo difícil e com a marca do renascido Taarabt

O Benfica venceu o Belenenses SAD, por 3-2, esta sexta-feira, no Estádio da Luz e aumentou a vantagem na liderança para dez pontos. FC Porto joga no sábado em Setúbal.

"A vida e o Benfica deram uma oportunidade ao Taarabt. Ele está a agarrá-la. Vejo um homem forte, determinado, feliz... Foi à seleção e regressou como capitão da equipa, e acho que ainda vai a tempo de deixar a sua marca." Estas palavras de Bruno Lage, após voltar a apostar no marroquino que andava há anos a desperdiçar o talento em noitadas e atitudes menos próprias para o profissional de futebol, fazem hoje todo o sentido. Mérito para o treinador do Benfica que acreditou que o talento ainda lá estava e soube como chegar ao âmago do génio de Taarabt, que esta sexta-feira, frente ao Belenenses SAD (vitória, por 3-2), fez provavelmente o seu melhor jogo pelo Benfica e se estreou a marcar com a camisola das águias. Foi ele que desbloqueou um jogo difícil e deu a tranquilidade necessária para a segunda parte, que ainda revelou alguma audácia azul em discutir o resultado. Taarabt tinha "perdido o amor pelo futebol", mas entretanto recuperou-o... para bem do Benfica.

As dificuldades encarnadas começaram logo nas escolhas. A 48 horas de fechar o mercado de inverno (hoje à meia noite), Bruno Lage confessou que esperava por mais reforços (chegou Dyego Sousa para o ataque), pois ambicionava ter dois jogadores por posição. Só assim era possível elevar o nível. E olhando para as escolhas para o jogo com o Belenenses SAD dá para perceber as incógnitas e dúvidas que devem assaltar o técnico benfiquista na hora de escolher o onze inicial. A boas dores de cabeça como lhe chamam os treinadores. Esta sexta-feira, Lage voltou a apostar em André Almeida (Tomás Tavares ficou no banco) e Taarabt que andava a ser preterido desde a chegada de Weigl. E em boa hora o fez. O marroquino voltou ao onze após três jogos (um por castigo e dois por opção) e alinhou ao lado do alemão, mandando Gabriel para o banco. A riqueza das opções estende-se ao ataque, onde Rafa voltou a ser aposta inicial (relegou Chiquinho para o banco), com Vinícius e Cervi. E ainda havia Seferovic no banco a quem recorrer na falta do golo...

O jogo começou com o Belenenses SAD a ter mais bola no Estádio da Luz. Era a estratégia definida por Petit, que tal como Lage tinha prevista entrou com uma linha de cinco, consistente e com uma boa dinâmica ofensiva, apoiada em Varela e Licá. Só aos dez minutos o Benfica conseguiu estabilizar o seu jogo e aos 12 minutos Grimaldo colocou André Moreira à prova. O treinador do Benfica percebeu que os laterais dos azuis davam amplitude ao jogo do adversário e pediu aos seus jogadores para marcaram à saída da bola e dessa forma condicionar a estratégia de Petit. O problema é que os treinadores pareciam pensar da mesma forma e também o Belenenses SAD pressionava à saída da bola das mãos de Vlachodimos...

O guarda-redes encarnado foi o primeiro grande protagonista do jogo ao evitar o golo de Varela aos 20 minutos de jogo, com uma intervenção magistral. Respondeu à oportunidade de golo o Benfica, através de André Almeida. Sem oposição o lateral recebeu na área, preparou o remate, mas a bola levantou voo. Uma perdida incrível do capitão no regresso à equipa, após lesão. Os encarnados revelavam mais dificuldades na circulação da bola do que habitualmente e não conseguiam fazer chegar a bola à área adversária em futebol apoiado. Sempre que o conseguiu fazer foi graças a Taarabt e aos seus passes a rasgar a defensiva azul. Foi assim que as águias chegaram ao golo. A bola acabou nos pés de Cervi, que serviu Vinícius. O brasileiro atirou à barra, mas ainda teve força e engenho para ir buscar a bola, tirar um adversário da baliza e rematar cruzado para o 1-0.

O Benfica carregava no acelerador e era cada vez mais difícil ao Belenenses SAD conter a fúria do ataque encarnado, com Cervi e Rafa endiabrados. O português atirou uma bomba aos 37 minutos, mas André Moreira impediu que ela entrasse na baliza. O mesmo não se pode dizer da bomba de Taarabt. O marroquino encheu o pé para se estrear a marcar pelo Benfica ao fim de ...31 jogos. Os festejos dos jogadores com Taabart, mostram como ele é agora acarinhado pelo balneário.

A perder por dois, mas mantendo a ambição ofensiva, Licá ainda teve uma excelente oportunidade para reduzir, mas Grimaldo fechou bem o caminho para a baliza e logo depois o árbitro apitou para o intervalo.

Intervalo enganador

A segunda parte ameaçava ser aborrecida, mas foi puro engano. A vencer por 2-0, a equipa da Luz jogou a um ritmo menos intenso do que na primeira parte. O Benfica desligou-se um pouco e o Belenenses SAD aproveitou para tentar o golo, mas nem Licá, nem Varela e Show conseguiram bater um concentrado Vlachodimos. Tal como na época passada os encarnados adormeceram na segunda parte e acabariam por sofrer o golo... com a ajuda de Ferro, que atravessa um momento menos bom. Perante a ameaça de Licá, o central benfiquista acaba por meter a bola na baliza.

O técnico dos azuis acreditava que podia ir atrás do empate e fez entrar Phete para o lugar de Show, mas o treinador do Benfica antecipou-se a ler o jogo e meteu Chiquinho, que logo depois fez o 3-1 para descanso dos benfiquistas. O ex-Vit. Setúbal mostrou a riqueza das opções do banco encarnado... Mas o adversário não desistiu do jogo e voltou a reduzir de grande penalidade marcada por Licá. Foi o primeiro golo de grande penalidade sofrido pelo Benfica desde abril 2019 (Sp. Braga). O golo deixou as águias nervosas e até Vlachodimos tremeu, mas já não havia tempo para mais. O jogo terminou com um triunfo encarnado num jogo difícil.

Foi a 16.ª vitória consecutiva dos encarnados no campeonato, que lideram agora com 10 pontos de avanço sobre o FC Porto, que joga no sábado no Bonfim.

FIGURA

Taarabt

Que jogão do marroquino no regresso ao onze. Se o Benfica chegou ao intervalo com dois golos de vantagem, bem pode agradecer a Adel Taarabt. Foi ele que "desenho" o lance do primeiro e marcou o segundo golo. Deu ainda nas vistas com os passes a rasgar a defensiva do Belenenses SAD. Na segunda parte teve de colocar o génio de lado e ser mais combativo em prol da equipa. O marroquino foi, de longe, o melhor em campo.

VEJA OS GOLOS

FICHA DE JOGO

Jogo realizado no Estádio da Luz, em Lisboa

Benfica - Belenenses SAD, 3-2

Marcadores: 1-0, Carlos Vinícius, 31 minutos; 2-0, Taarabt, 38'; 2-1, Ferro, 70' (na pb); 3-1, Chiquinho, 78'; 3-2, Licá, 87' (gp)

Equipas:

Benfica: Vlachodimos, André Almeida, Ruben Dias, Ferro, Grimaldo, Pizzi (Chiquinho, 66), Weigl, Taarabt, Cervi (Gabriel, 80), Rafa e Carlos Vinicius (Seferovic, 89)

Treinador: Bruno Lage

Belenenses SAD: André Moreira, Gonçalo Silva, Nuno Coelho, Chima, Tiago Esgaio (Marco Matias, 71), Show (Phete, 76), André Santos (Chano, 88), Nilton Varela, Licá, Cassierra e Silvestre Varela.

Treinador: Petit

Árbitro: Nuno Almeida (AF Algarve)

Ação disciplinar: cartão amarelo para Nilton Varela (11), Pizzi (19), Tiago Esgaio (42), Show (60), Gonçalo Silva (69) e Rafa (85)

Assistência: 45134 espetadores

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