Comité Olímpico sob pressão para adiar os Jogos de Tóquio

Numa semana em que os atletas olímpicos se manifestaram a favor do adiamento dos Jogos Olímpicos, agora são as federações de atletismo e natação dos Estados Unidos a aumentarem a pressão sobre o COI.

O Comité Olímpico Internacional (COI) está a ser alvo de muita pressão por vários atletas e países para que sejam adiados os Jogos de Tóquio, cuja cerimónia de abertura está marcada para 24 de julho e a de encerramento a 9 de agosto, por causa da pandemia de coronavírus que está a afetar vários países e, ao mesmo tempo, a impedir a realização de provas e dos treinos dos atletas.

A federação de atletismo dos Estados Unidos (USA Track & Field), pela voz do seu chefe máximo Max Siegel, divulgou este sábado uma carta que foi enviada ao Comité Olímpico e Paralímpico dos EUA (USOPC) para que pressione o COI, numa posição que visa defender seus atletas.

"Os nossos atletas estão sob muita pressão, stress e ansiedade, e por essa razão a saúde mental e o bem-estar deles estão entre as nossas maiores prioridades", começou por argumentar, acrescentando que "o mais correto e responsável é a dar prioridade à saúde e à segurança de todos, bem como reconhecer o impacto que desta difícil situação tem nos atletas e na preparação para as Olimpíadas". E, nesse sentido, solicitou ao USOPC que "defenda o adiamento dos Jogos Olímpicos de 2020, em Tóquio, junto do COI".

Esta posição surge após uma semana em que Thomas Bach reforçou a intenção de realizar os Jogos nas datas previstas, uma ideia partilhada também pelo primeiro-ministro japonês Shinzo Abe.

Estas posições originaram também uma reação da federação de natação dos Estados Unidos, que em comunicado solicitou o "adiamento por um ano", tendo o USOPC vindo dizer que vai dar mais tempo ao COI para que tome uma decisão sobre o Tóquio 2020.

A entrada dos Estados Unidos neste movimento de pressão poderá ser decisivo, tendo em conta que a Comissão de Atletas do COI, através da canadiana Hayley Wickenheiser, tetracampeã de hóquei no gelo, classificou como "irresponsável" a decisão de não adiar os Jogos Olímpicos.

Uma posição que mereceu o apoio da campeã olímpica do salto à vara, a grega Katerina Stefanidi, que afirmou não ser possível esperar mais quatro meses por uma decisão, bem como de outros atletas, como a judoca portuguesa Telma Monteiro, que defende o adiamento, ou o saltador Nélson Évora, que deixou uma mensagem bem clara no Twitter: "Dizer que os jogos olímpicos de Tóquio 2020 se vão realizar na data prevista mostra que somente interessa o dinheiro e nada os desportistas."

Este sábado juntou-se ao coro de pressão os comités olímpicos da Colômbia e do Brasil. "Como judoca e ex-técnico da modalidade, aprendi que o sonho de todos os atletas é disputar uma Olímpiada nas melhores condições. Está claro que, neste momento, manter os Jogos para este ano impedirá que este sonho seja realizado na sua plenitude", afirmou Paulo Wanderley, o presidente do Comité Olímpico do Brasil, numa nota publicada no site daquele organismo.

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