"Vou fazer tudo" para concretizar este sonho: promessa de Kikas

Frederico Morais está a um passo da histórica subida à elite mundial (Championship Tour) depois de quase vergar John John Florence no Hawaiian Pro. "Estou preparado", garante

"Este é um sonho para o qual trabalho há anos. Vai acabar por acontecer ! Vou fazer tudo para que aconteça. Mas neste momento o que tenho de fazer é focar-me e apresentar um bom surf, consistente com o que tenho feito. Se me perco a pensar que está tão perto retiro o foco e a força para lá chegar." O discurso é claro: Frederico Morais não se desconcentrou nem tirou o foco do futuro no momento em que quase vergou o campeão mundial John John Florence no Hawaiian Pro (perdeu a final por um centésimo). Esse ambicionado futuro - o histórico regresso de um português ao Championship Tour, elite mundial do surf - está a um passo de distância. E Kikas parte para Sunset Beach (palco da decisiva Vans World Cup, no Havai, a partir de sexta-feira, dia 25) nos lugares de promoção e bastante motivado.

"Sinto-me preparado [para Sunset], são um tipo de ondas que já conheço bem", garantiu o surfista português em declarações ao DN, após o brilharete no Hawaiian Pro, concluído na sexta-feira - já na madrugada de ontem em Portugal continental. Lá, em Alii Beach, Oahu (Havai), Morais protagonizou uma das finais mais renhidas e intensas dos últimos anos nas Qualifying Series, o campeonato que é a antecâmara do Championship Tour (divisão principal da World Surf League, circuito mundial da modalidade). O atleta do Guincho foi à final com o havaiano John John Florence, o francês Marc Lacomare e o australiano Adrian Buchan... e quase vergou o homem que se sagrou campeão em Peniche no mês passado.

Morais e Florence acabaram empatados, com 15,66 pontos, com Lacomare em 3.º (15,50) e Buchan em 4.º lugar (9,60). No entanto, o desempate pela pontuação da melhor onda acabou por sorrir à estrela da casa. John John Florence fez 8,83 e 6,83, enquanto Kikas somou 8,33 e 7,33. Para vencer, teria bastado ao luso mais um centésimo na última onda, quando repetiu a pontuação de 7,33. "O Freddy fez duas ondas em que ficou muito, muito perto. Naquele ponto estava tudo tão equilibrado que eu não fazia a mínima ideia do que iria acontecer. Nem sequer conseguia acreditar que tinha vencido", disse no final John John, que assim se lança para a conquista da Triple Crown do surf havaiano, que inclui também a World Cup de Sunset e Pipiline Masters, a última etapa do circuito mundial. "Já tinha surfado com o John John noutros campeonatos. O facto de ele ser campeão do mundo só veio trazer pressão extra", explica Kikas, garantido não ter ficado desiludido com a forma como perdeu a final, por um centésimo. "Não senti deceção nenhuma, pelo contrário, estou mesmo muito satisfeito com o resultado. Não só com o resultado final como por todo o campeonato em si. Sentia-me bem preparado e focado e os resultados foram correspondendo", sublinhou o surfista português de 24 anos.

Caso tivesse ganho (somando 10 000 pontos), Frederico Morais já teria garantido a presença em 2017 no Championship Tour - no qual Portugal não está representado desde o abandono de Tiago Saca Pires, o pioneiro nacional entre 2008 a 2014. Ainda assim, o segundo lugar (8000 pontos) permitiu a Kikas galgar 18 posições e entrar nas posições de promoção (10.º lugar, com 16,010). Sobem à elite mundial os dez primeiros das Qualifying Series.

Frederico Morais, que já tinha vencido neste ano o Martinique Surf Pro [prova que dá uma pontuação inferior, de 3000 pontos para o vencedor], vai tentar consolidar a posição na Vans World Cup, mítica prova de que já foi finalista em 2013. Contudo, em Sunset, ainda estará muito surfista à procura de um bilhete para a elite mundial.

A prova havaiana também garante 10 000 pontos ao vencedor. Por isso, até ao atual 56.º classificado do circuito de qualificação todos mantêm chances matemáticas de chegar à elite mundial em 2017. Morais terá de avançar algumas rondas em Sunset Beach para ter a certeza de que não deixa escapar o passaporte: chegar à 4.ª (1000 pontos) pode ser suficiente, mas só a presença nos quartos-de-final (2000) lhe garante em absoluto a promoção.

"Vou heat a heat, reavaliando não só as condições como as performances. Neste momento estou 100% aqui e o meu futuro está aqui", conclui Kikas. O foco está definido: o sonho está ao alcance.

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