Vitória de Setúbal perde José Maria, símbolo dos anos de ouro do Bonfim
O Vitória de Setúbal perdeu um dos nomes que ajudaram a escrever algumas das páginas mais importantes da sua história. José Maria, antigo médio e figura de uma geração que colocou o clube sadino entre as principais forças do futebol português, morreu esta sexta-feira (21 de agosto), aos 83 anos, nos Estados Unidos, onde residia.
Nascido em Luanda, a 7 de junho de 1943, José Maria chegou ao Vitória de Setúbal no início da década de 1960 e fez do Bonfim a sua casa futebolística durante 14 temporadas, entre 1962 e 1976.
Foi precisamente nesse período que o Vitória viveu alguns dos melhores anos da sua história, afirmando-se no campeonato, conquistando troféus e construindo um percurso de relevo nas competições europeias.
José Maria esteve entre os protagonistas das conquistas da Taça de Portugal de 1964/65 e 1966/67. A primeira foi alcançada diante do Benfica, enquanto a segunda resultou de uma vitória sobre a Académica. O médio esteve ainda integrado numa geração que levou os sadinos a quatro finais consecutivas da Taça de Portugal.
O seu nome ficou igualmente associado à melhor classificação de sempre do Vitória no campeonato. Na temporada 1971/72, a equipa de Setúbal terminou a prova no segundo lugar, apenas atrás do Benfica, confirmando uma época em que o clube conseguiu aproximar-se de forma consistente dos grandes do futebol português.
A longevidade de José Maria no Bonfim traduziu-se também em números que atravessaram gerações. O antigo médio tornou-se uma das maiores referências estatísticas do Vitória de Setúbal no principal escalão, ocupando um lugar de destaque tanto pelo número de partidas realizadas como pelos golos marcados.
O futebol levou-o também à seleção nacional. José Maria representou Portugal em quatro ocasiões entre 1967 e 1970. Estreou-se a 8 de junho de 1967, um dia depois de completar 24 anos, numa vitória portuguesa por 2-1 frente à Noruega, em Oslo. A quarta e última internacionalização aconteceu a 14 de outubro de 1970, em Copenhaga, também com uma vitória, por 1-0, diante da Dinamarca.
Depois da longa passagem pelo Vitória de Setúbal, prosseguiu a carreira na América do Norte, encerrando assim um percurso que ficará sobretudo associado à camisola sadina.
José Maria pertenceu a uma geração que transformou o Vitória de Setúbal num dos protagonistas do futebol português das décadas de 1960 e 1970. Mais de meio século depois desses anos de afirmação no Bonfim, o antigo médio continuava a representar a memória de um dos períodos mais marcantes da história do clube.

