É uma façanha cada vez mais rara a que o avançado franco-marroquino do Estoril, Yanis Begraoui, alcançou esta época: 20 golos no campeonato português sem estar a jogar num dos chamados três grandes.Nas décadas de 1940 e 1950 era algo frequente. Foi nessa altura, por exemplo, que os também estorilistas Gomes Bravo (20 golos em 1946-47) e José Mota (22 em 1946-47, 25 em 1947-48 e 27 em 1948-49) conseguiram chegar às duas dezenas de remates certeiros - de então para cá, nenhum futebolista da equipa canarinha havia alcançado tal marca. Mas desde os anos 1960 e 1970 que tem caído em desuso. Basta dizer que, das 59 vezes em que jogadores fora dos três grandes atingiram as duas dezenas de golos, apenas seis foram neste século, uma contabilidade na qual já entra Begraoui.O atacante do Estoril, 24 anos, até nem é propriamente um típico homem de área. É um avançado móvel, que pode inclusivamente atuar como extremo, e que na época passada, a primeira em Portugal, já havia deixado boa impressão, ao faturar por 11 vezes na I Liga. Em tempos comparado a Benzema, nasceu em Étampes, a cerca de 50 quilómetros de Paris, e concluiu a formação e iniciou o percurso como sénior no Auxerre, de onde se mudou para o Toulouse em 2021.Porém, nunca se conseguiu afirmar no clube, tendo estado emprestado ao Pau FC da Ligue 2 em duas temporadas. Há quase dois anos chegou à Amoreira e agora está a explodir.. É internacional jovem por França e Marrocos, tendo conquistado a Taça das Nações Africanas de sub-23 em 2023, mas ainda não se estreou pela seleção principal dos leões do Atlas. Estar no Campeonato do Mundo é um sonho para o qual vai correndo em contrarrelógio. Com o Estoril atualmente em 9.º lugar e a poder terminar o campeonato entre a 7.ª e a 11.ª posições, Begraoui pode até alcançar algo que não acontece há mais de 60 anos: apontar duas dezenas de golos por uma equipa classificada abaixo do 8.º lugar. Lourenço, autor de 24 golos pela Académica, 10.ª classificada em 1962-63, foi o último.Matateu vezes seisEntre os que conseguiram marcar 20 ou mais golos numa edição do campeonato sem estar ao serviço de Benfica, FC Porto ou Sporting, há um nome que salta à vista: Matateu. A lenda do Belenenses superou essa fasquia em seis temporadas: 29 golos em 1951-52, 32 em 1954-55, 21 em 1955-56, 21 em 1956-57, 22 em 1957-58 e 21 em 1958-59.Além do já referido estorilista José Mota, Francisco Rodrigues (28 em 1943-44 e 21 em 1944-45 pelo V. Setúbal), Patalino (24 pelo SL Elvas em 1946-47 e pelo O Elvas em 1947-48), André Simonyi (21 em 1949-50 e 22 em 1950-51 pelo Sp. Covilhã), Ben David (21 em 1949-50, 26 em 1950-51 e 25 em 1951-52 pelo Atlético), Iaúca (22 em 1961-62 e 21 em 1962-63 pelo Belenenses), Artur Jorge (25 em 1966-67 e 28 em 1967-68 pela Académica) e Paulinho Cascavel (25 em 1985-86 e 22 em 1986-87 pelo V. Guimarães) completam o lote de marcadores de pelo menos duas dezenas de golos em mais do que uma temporada.