Vasco Ribeiro, Kikas e Tiago Pires falham título nacional

Os dois jovens, que venceram os últimos cinco títulos, perdem etapa decisiva devido a compromissos internacionais. Saca, que nunca foi campeão, fica de fora por motivos pessoais

Ainda Tiago Pires andava no WCT, a elite mundial da modalidade, quando Vasco Ribeiro e Frederico Morais (Kikas) começaram a dominar o surf nacional. Os dois surfistas da nova geração venceram todos os títulos desde 2011. Mas ambos vão falhar o Huawei Cascais Pro, que começa hoje, abrindo espaço para uma mudança na hierarquia do campeonato português.

As ausências de Vasco (campeão em 2011, 2012 e 2014) e Kikas (2013 e 2015) são o grande destaque no arranque da etapa decisiva. Com lugares modestos no ranking WQS de qualificação para o circuito mundial - Frederico está em 41.º e Vasco em 96.º -, os surfistas viajaram para uma prova na Costa Rica, onde vão tentar amealhar pontos para o objetivo principal do ano: chegar ao WCT.

Pedro Henrique, líder do ranking da Liga Moche, perfila-se assim como o grande favorito à conquista do título nacional. O luso-brasileiro, de 34 anos, que já disputou o WCT em 2006 com as cores canarinhas, pode fazer a dobradinha para a família Henrique, já que a sua irmã, Carol, assegurou o título feminino ainda antes do arranque do Cascais Pro.

Outra das grandes expectativas era saber se Tiago Pires (4.º no ranking), o melhor surfista português de sempre, alcançava o título nacional que nunca conseguiu devido à prioridade sempre dada ao circuito mundial - Saca esteve no WCT durante sete anos, de 2008 a 2014. Porém, a organização revelou que Tiago vai falhar a etapa de Cascais devido a motivos pessoais. O portuguese tiger decidiu neste ano afastar-se da competição internacional, e muitos esperariam que pudesse finalmente vencer o circuito nacional. "É um título que não tenho e que gostaria de ter", afirmou no início do ano. Confirmado o seu afastamento do Guincho, a porta ficou ainda mais escancarada para o título de Pedro Henrique.

Só José Ferreira, Filipe Jervis e Marlon Lipke podem tentar contrariar o favoritismo do surfista natural do Rio de Janeiro, ex-campeão mundial júnior. Mas nenhum deles terá tarefa fácil. Para ser campeão, o algarvio Marlon Lipke (11.º no ranking) tem de ganhar a etapa e esperar que Pedro Henrique fique abaixo do quinto lugar. Já José Ferreira precisaria de somar o seu primeiro triunfo numa prova da Liga Moche, enquanto o n.º 1 do ranking não poderia atingir a final. Para Jervis, o cenário é ainda mais difícil: o jovem tem de vencer o Cascais Pro e aguardar que Pedro não ultrapasse o 9.º lugar neste último evento.

Aconteça o que acontecer, a prova que arranca hoje na praia do Guincho (até sábado) coroará um estreante como campeão nacional. Quando Pedro Henrique se mudou com a família para Cascais, há quatro anos, o surf estava em segundo plano na sua vida. O regresso à competição e à boa forma já lhe valeu o título europeu do WQS em 2015. Agora pode juntar mais um título ao seu vasto palmarés, logo num spot que é um dos seus locais de treino favoritos.

Outro dos atrativos desta prova é o regresso à competição de Almir Salazar, a convite da organização. O surfista fez um trajeto semelhante a Pedro Henrique; chegou do Brasil em 1990 e, dois anos depois, tornou-se o primeiro campeão nacional do recém-criado circuito português. Depois de alguns anos fora, regressou em março para trabalhar como shaper na Polen (marca de pranchas com fábrica em Cascais), e agora, aos 58 anos, terá uma possibilidade de sentir o ambiente competitivo, mais de 20 anos depois de ter disputado o circuito nacional pela última vez.

Femininos estão decididos

No circuito feminino, a questão do título nacional já está resolvida. Carol Henrique, irmã do líder do ranking Liga Moche, destronou a hegemonia de Teresa Bonvalot. A jovem bicampeã portuguesa em 2014 e 2015, e que neste ano conseguiu o título de campeã da Europa júnior, vai falhar a etapa de Cascais por motivos pessoais. Carol vai entrar nas águas do Guincho já com o estatuto de campeã. Aos 20 anos, a luso-brasileira já conseguiu escrever o seu nome na história do surf nacional. No dia 8, quando terminar o Cascais Pro, espera que o nome do seu irmão continue no topo do ranking, para que a festa em família seja em duplicado.

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