Uma ficha por cair e um "café com leite"

Carol Henrique conseguiu a terceira vitória consecutiva. Nos homens, favoritos seguiram em frente na Praia Grande

Sabe o que é um dia de loucos? É isto: 25 baterias disputadas, mudança de líder no ranking masculino e decisão na prova feminina. E o Allianz Sintra Pro, que arrancou ontem na Praia Grande, ainda tem mais dois dias pela frente. Com ondas de um metro, assistiu-se a um bom espetáculo de surf, com vários motivos de interesse. Carol Henrique venceu a 3.ª etapa consecutiva na Liga Moche e deixou quase afastada do título a bicampeã Teresa Bonvalot, que falhou este evento. Nos homens não houve surpresas e espera-se um fim de semana de animadas decisões.

A organização decidiu completar a prova feminina, em que a vencedora foi tudo menos uma novidade. Carol, irmã de Pedro Henrique (ex-surfista do WCT e atual 2.º classificado da Liga Moche), voltou a mostrar que o talento no surf é um atributo de família. Depois de ter deixado pelo caminho Beatriz Santos (11.ª do ranking) nas meias--finais, a luso-brasileira venceu Carina Duarte (10,75 contra 6,60) no heat decisivo. Foi uma saga que começou pela manhã e só terminou às 20.00. "Hoje estou cansada, depois de tantas baterias", confessou a jovem de 20 anos.

"Estou muito feliz, quando ganhamos é fixe porque não sou só eu que ganho, há muitas pessoas que me ajudam. Se não fosse por elas não estaria aqui. Não estou a acreditar ainda, a minha ficha ainda não caiu." Mas pode cair com segurança, pois Carol não se deixa deslumbrar. Com duas etapas por disputar no campeonato feminino (Ílhavo e Cascais), dificilmente a taça da Liga Moche parará noutras mãos que não as suas.

Olhos na liderança

Já se sabia que a ausência do galego Gony Zubizarreta, 1.º classificado da Liga Moche, iria provocar um cerrado ataque à liderança. E, um a um, os favoritos foram passando a primeira ronda. Pedro Henrique, Filipe Jervis, Vasco Ribeiro, José Ferreira, Tiago Pires e o campeão nacional Frederico Morais seguiram em frente. À partida para este evento, Gony tinha apenas 80 pontos de vantagem sobre Pedro Henrique, o segundo classificado do ranking Liga Moche. Com a passagem do luso-brasileiro à 2.ª ronda, é certo que no final desta penúltima etapa (o campeonato masculino tem menos um evento do que o feminino) haverá um líder diferente, com vários candidatos ao lugar.

Um dos melhores surfistas do dia foi Elohe Alvarez. O luso-brasileiro radicado no Porto bateu o campeão nacional Kikas, que tinha dominado o heat desde o início: "Estou superfeliz por ter passado o meu heat. Foi um heat calmo, tentei fazer um "café com leite". É uma honra competir com o Frederico Morais, é uma pessoa que representa o surf português pelo mundo fora. Ter batido o campeão é uma motivação extra." Certo Elohe, mas perdemo-nos na parte do "café com leite". "É fazer o mínimo necessário para passar [o heat] sem arriscar muito", explica. Agora sim, mensagem recebida.

Vasco Ribeiro também mostrou que o 5.º lugar do ranking é algo a rever no fim desta etapa. O jovem da Praia da Poça arrasou na última bateria do round 1, conseguindo a melhor pontuação do dia (16,25). Se mantiver o nível, será um adversário complicado de parar. Saca também esteve seguro, com a sua experiência a valer-lhe um heat tranquilo.

Havia também a expectativa de ver como se iam sair os wildcards (e locais da Praia Grande), João Macedo e André Pedroso, referências do surf nacional. O big wave rider, filho do antigo ministro das Finanças Braga de Macedo, protagonizou um dos momentos mais emocionantes do dia. João estava eliminado nos últimos segundos do heat, quando apanhou uma onda e conseguiu, apenas com uma manobra, obter a nota necessária para seguir em frente (7,70 pontos no total, atrás de Eduardo Fernandes, com 9,90). André Pedroso, outro regresso esperado à competição após seis anos de interregno, não foi tão feliz. Acabou em último no heat de Kikas, Elohe e Francisco Almeida com 6,65 pontos.

Outras Notícias

Outros conteúdos GMG