Um ano depois. Por onde andam os nossos 23 campeões europeus

Faz hoje um ano que Portugal se sagrou campeão europeu, em França e diante da França.

Esse foi o momento mais importante da história do futebol português, conquistado graças a 23 futebolistas convocados por Fernando Santos. Um ano depois o DN recupera os heróis e relembra o que se passou nos últimos 12 meses com cada um deles. 12 mantêm-se no mesmo clube e houve um que já trocou de emblema duas vezes.

Rui Patrício

Considerado o melhor guarda-redes do Europeu, esperava-se que as suas exibições tornassem o Sporting demasiado pequeno para a dimensão que alcançou em França. Foi traído talvez pela falta de rotatividade na baliza dos maiores clubes europeus e por isso continuou em Alvalade, onde durante toda a época não atingiu o brilhantismo visto em terras gaulesas. Terminou a época com mais uma impressionante demonstração de qualidade na Taça das Confederações e, até ver, vai prosseguir de leão ao peito.

Anthony Lopes

Por incrível que possa parecer ainda não fez qualquer jogo oficial pela seleção A. Um ano depois mantém-se como alternativa a Rui Patrício na seleção e como indiscutível no Lyon, onde foi decisivo na Liga Europa, principalmente nos quartos-de-final, ao suster dois penáltis diante do Besiktas. Também esteve em foco por ter sido agredido por adeptos do Bastia quando o Lyon se deslocou à Córsega. Pediu para não ir à Taça das Confederações devido a um "problema pessoal grave". E vai manter-se no Lyon.

Eduardo

Há um ano era jogador dos croatas do Dínamo Zagreb, pretendido por FC Porto e Sporting, mas acabou por se vincular ao campeão inglês Chelsea, onde não passou (e não passa) de uma terceira opção para a baliza. Mesmo sem ser utilizado, Antonio Conte quis renovar o contrato com o internacional português, que já sabe que, aos 34 anos, vai permanecer, pelo menos, mais um ano em Londres. Continua num clube de elite mas sem grandes possibilidades de mostrar a sua valia, o que o afasta da seleção.

Cédric Soares

Fez um Europeu de suplente a titular e parece estar a viver o melhor momento na carreira. No Southampton é intocável e nesta época esteve à beira de conquistar um troféu mas perdeu a final da Taça da Liga para o Man. United de Mourinho. Na seleção continua a ter a confiança de Fernando Santos, pese embora os muitos laterais direitos de qualidade. Foi um dos melhores portugueses na Taça das Confederações. A Juventus parece atenta ao seu talento, mas ao que tudo indica deve continuar no Southampton.

Vieirinha

Foi um ano difícil para o futebolista do Wolfsburgo, clube pelo qual foi ao Euro e onde continua. Começou a perder o comboio da seleção em França e nunca mais o apanhou, o que não deixa de ser interessante, visto que Fernando Santos conhecia-o como poucos. O Wolfsburgo teve de lutar até à última para se manter na Bundesliga e Vieirinha, muito afetado pelas lesões, nem sempre foi opção quando estava apto fisicamente. Aos 31 anos fala-se muito num regresso à Grécia.

Bruno Alves

Foi um dos 11 portugueses que foram ao Europeu como futebolistas de um clube e entretanto mudaram de emblema. Mas Bruno Alves foi o único a mudar duas vezes. Esteve em França pelo que fez no Fenerbahçe, depois rumou ao Cagliari e entretanto vinculou--se ao Glasgow Rangers. Tem 35 anos, e continua a um nível que lhe permitiu, por exemplo, recuperar algum espaço na seleção, pela qual fez apenas um encontro no Europeu, mais propriamente na meia-final diante do País de Gales.

Pepe

Este foi um ano atribulado para o central luso-brasileiro. Na sua 10ª e última época ao serviço do Real Madrid jogou muito pouco para aquilo que é habitual - apenas 18 encontros. Verdade que teve algumas lesões mas o processo relativo à sua renovação não ajudou. Acabaria por sair para o Besiktas, mas ainda conquistou mais uma Liga dos Campeões, a terceira do seu palmarés, e um campeonato espanhol. Na seleção nada de novo, aos 34 anos é um titular indiscutível.

José Fonte

Afirmou-se (tardiamente) pela seleção no Europeu e conseguiu manter até à Taça das Confederações a titularidade na equipa das quinas. Em janeiro desfez um "casamento" de sete anos com o Southampton e assinou pelo West Ham até junho de 2019 numa altura em que se chegou a pensar que podia ser reforço de José Mourinho em Old Trafford. Ao serviço do clube londrino não convenceu e foi algo criticado, o que não se passava em Southampton, onde era um ídolo dos adeptos.

Ricardo Carvalho

Chegou ao Europeu com 38 anos, mas todos se esqueceram da sua idade após três belas exibições na fase de grupos. Acabaria por perder a titularidade mas já tinha deixado a sua marca. Em França foi campeão europeu como desempregado, pois o contrato com o Mónaco tinha terminado a 30 de junho. Após meses de indefinição assinou pelo Guanghzou R&F de André Villas-Boas e ainda ontem foi titular pelo clube chinês. A seleção parece longe, apesar de Fernando Santos ter admitido que sente saudades do veterano.

Raphäel Guerreiro

Foi a maior revelação do Europeu no que diz respeito à seleção portuguesa. Integrou a comitiva como futebolista do modesto Lorient e saiu como novo reforço do Borussia Dortmund, clube pelo qual fez exames médicos em plena competição. Tirando uma lesão muscular que muito o afetou, mostrou ser futebolista para um nível alto e não só como defesa esquerdo - pelo Borussia atuou ainda como ala esquerdo e médio-centro. Ganhou o seu espaço na seleção e não vai ser fácil arredá-lo da titularidade.

Eliseu

Pouco ou nada mudou para o açoriano, que continua como alternativa a Raphaël Guerreiro na seleção e a Grimaldo no Benfica. Mas é uma alternativa de luxo, como agora se viu na Taça das Confederações, ao utilizar toda a sua experiência. Ninguém esquece a forma como chorou ao cantar o hino durante o Euro. Para já está sem contrato, pois o seu vínculo com o Benfica terminou a 30 de junho. Os encarnados querem renovar, mas há mais interessados. Eliseu deve decidir a sua vida nos próximos dias.

William Carvalho

Um dos garantes de Fernando Santos que até iniciou o Europeu no banco de suplentes. Na altura era jogador do Sporting, condição que mantém, muito embora seja um futebolista cobiçado, principalmente por clubes da Premier League, a que não deve ser alheio o facto de ser agora representado por Pere Guardiola, irmão de Pep Guardiola. Não realizou uma época muito positiva ao serviço do Sporting mas antes das férias foi um dos que mais e melhor aproveitaram a Taça das Confederações.

Danilo Pereira

Indiscutível no FC Porto, sombra de William Carvalho na seleção. Foi um jogador muito observado mas a escassez de títulos no Dragão e os reduzidos minutos por Portugal não ajudam a que se evidencie mais. Faltaram troféus e montra a um dos jogadores mais regulares ao longo da época. Nos últimos 12 meses não conseguiu ser titular da seleção, mas tornou-se ainda de maneira mais evidente uma das pedras nucleares do FC Porto. Nuno confiava em Danilo a 100%, Sérgio Conceição não abdica dele.

João Moutinho

Ano difícil para o médio do Mónaco. Não é já uma figura predominante na seleção ou no seu clube, pelo qual esteve algum tempo lesionado. Mas o tempo passa e mesmo a 100% o médio formado no Sporting deixou de ser uma referência no onze da equipa do principado. Ainda assim, juntou um improvável título de campeão francês e alcançou as meias-finais da Liga dos Campeões. Está no Mónaco há quatro anos e por lá se deve manter mais uma temporada, a última do contrato de cinco anos que tem em vigor.

André Gomes

Em vésperas de 10 de julho de 2016, dia da final do Europeu, os jornalistas espanhóis acotovelavam-se para "sacar" uma declaração do então médio do Valência sobre o seu futuro. Real Madrid e Barcelona eram os pretendentes mas os catalães ganharam a corrida, como se viu após o Europeu. Não foi fácil a vida de André Gomes no Barcelona. O clube apenas ganhou uma Taça do Rei, as suas exibições foram criticadas. Valeu-lhe a defesa de Luis Enrique. Na seleção Fernando Santos não abdica dele.

Renato Sanches

Foi ao Europeu sabendo que ia ser reforço do Bayern mas ainda na condição de futebolista do Benfica. De todos os 23 convocados, o médio do Bayern foi aquele passou menos bem nos últimos 12 meses, isto depois de ter sido uma das atrações do Euro. Pouco ou nada jogou na Baviera, regressou à seleção sub-21, onde não consegue ser um titular consistente, e, ainda por cima, o campeão alemão está disposto a libertá-lo a quem cobrir o investimento de 35 milhões de euros. Mas atenção, ainda só tem 19 anos.

Adrien Silva

É um dos 12 futebolistas que, passado um ano, se mantêm no mesmo clube, no caso o Sporting. Mas bem podia não ser assim, porque em agosto passado, em cima do fecho do mercado, esteve com pé e meio no Leicester. Teve uma época atípica, com duas lesões em períodos nevrálgicos (outubro e fevereiro). Não perdeu influência no Sporting, que muito se ressentiu com as suas ausências, e na seleção. E volta a ser muito pretendido em Inglaterra, com Tottenham, Everton e West Bromwich muito atentos ao seu talento.

João Mário

Foi dos futebolistas que tiveram uma maior valorização com o Europeu, onde teve, mesmo assim, dificuldades em expressar o futebol revelado de leão ao peito na época que antecedeu a competição. Sairia para o Inter de Milão por 40 milhões de euros, a maior transferência de um futebolista português feita por um clube português, no caso o Sporting. Em Itália teve altos e baixos, mais baixos do que altos, de tal forma que o novo treinador do Inter, Luciano Spaletti, parece disposto a libertá-lo perante o interesse do PSG.

Nani

Chegou a França apostado em fazer um bom Europeu para poder sair do Fenerbahçe rumo a uma das melhores ligas europeias. E os objetivos foram alcançados. Foi um dos futebolistas portugueses mais regulares durante a prova, jogando solto no ataque ao lado de Ronaldo, e ainda conseguiu ser contratado pelo Valência. Não se pode dizer que as coisas tenham corrido propriamente bem. O clube fez uma época para esquecer, Nani teve algumas lesões, marcou apenas cinco golos e o clube parece disposto a transferi-lo.

Ricardo Quaresma

Aos 33 anos está como o vinho do Porto, quanto mais velho, melhor. Está há dois anos nesta sua segunda passagem pelos turcos do Besiktas e parece um futebolista diferente. Talvez por isso vá somando títulos - é bicampeão turco - e, fruto da experiência, perceba que nem sempre pode ser ele e mais dez. Foi isso que Fernando Santos lhe fez ver e Ricardo Quaresma consegue ser mais produtivo nos minutos que vai tendo na seleção. Na última Taça das Confederações voltou a mostrar que continua a ser uma mais-valia.

Cristiano Ronaldo

Teve um ano sensacional que começou há 12 meses ao conseguir uma grande competição pela seleção nacional, um objetivo que perseguia. Foi amealhando recordes atrás de recordes individuais, contudo foram os troféus coletivos que amealhou. Afinal, venceu a sua quarta Liga dos Campeões e conquistou pela segunda vez a liga espanhola. Parece zangado com o Real Madrid, onde está há oito anos, mas deve permanecer na capital espanhola.

Rafa

Foi utilizado quatro minutos ainda como futebolista do Sp. Braga. Saiu a seguir para o Benfica, naquela que foi a maior transferência entre clubes portugueses - 16 milhões de euros, após ter sido disputado pelos três grandes. Perdeu impacto desportivo no último ano, pois nunca conseguiu assumir-se como titular do Benfica e, por consequência, justificar o valor gasto na sua contratação. E desapareceu por completo das escolhas de Fernando Santos. Em contraponto, foi campeão e voltou a vencer a Taça de Portugal.

Éder

Há uma coisa que ninguém lhe vai tirar, foi ele o autor do golo mais importante da história do futebol português. Antes do Euro estava no Lille, depois do Euro continuou no Lille. E jogar no país que organizou e perdeu a final devido a um golo seu não é um contexto apetecido. Fez sete golos em 37 jogos nesta época em que foi assobiado sem cessar pelos adeptos franceses nos mais variados estádios. Vive um momento de alguma indefinição, pois o novo treinador do Lille, Marcelo Bielsa, não conta com os seus serviços.

O selecionador: Fernando Santos

Menos de um mês depois de ter sido campeão europeu, Fernando Santos renovou até ao próximo Europeu, ou seja, até 2020. Entretanto, luta para colocar Portugal no Mundial, no qual assume que o objetivo é... vencer.

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