O Fórum da Associação Nacional de Treinadores de Futebol regressa em 2026 ao sul do país, com realização marcada para hoje e amanhã, 30 e 31 de março, no Palácio de Congressos do Algarve, em Albufeira, reunindo mais de um milhar de técnicos num encontro que o presidente da Associação Nacional de Treinadores de Futebol (ANTF), Henrique Calisto, considera ser “um momento de formação, de encontro e de partilha para pensar o futuro do futebol”.Henrique Calisto sublinha que, apesar de o objetivo do Fórum se manter estável ao longo das edições, há uma renovação constante dos conteúdos e protagonistas. “O objetivo é sempre igual: é um momento de formação de treinadores, é um momento de encontro, de partilha. Só que os temas vão sendo diferenciados e os protagonistas são outros”, afirmou, destacando que o tema central deste ano incide nas “tendências evolutivas no futebol, pensando no futuro”.A edição de 2026 contará com 15 horas de formação certificada e a participação de 32 oradores, provenientes do futebol masculino, feminino e do futsal. Entre os nomes confirmados estão técnicos com experiência nacional e internacional, como Nuno Espírito Santo, João Pedro Sousa, Ricardo Soares, António Oliveira, Pepa, Leonardo Jardim, Francisco Neto, Rui Borges, Carlos Carvalhal e Paulo Fonseca, entre outros. “Há uma série de treinadores muito disponíveis para partilhar conhecimento e experiência”, destacou o presidente da ANTF..Apesar da proximidade do final da época desportiva e da coincidência com competições em curso em Portugal e no estrangeiro, Henrique Calisto considera que o programa mantém elevada qualidade. “Houve algum condicionalismo, naturalmente, porque na semana do Fórum há competições. No entanto, temos treinadores e temas que são acessíveis e muito relevantes”, explicou.Entre os temas em debate estará o papel crescente da análise de dados no treino moderno. Para o dirigente, trata-se de uma discussão incontornável, mas que deve ser enquadrada com prudência. “Treinamos melhor ou monitorizamos mais? Os dados são importantes, mas são quantitativos. A afirmação do futebol continua a ser a qualidade do jogador e a qualidade do jogo”, afirmou, acrescentando que “o treinador é parte fundamental para qualificar esses dados e dar-lhes a importância que, no contexto do próprio jogo, realmente têm”.Para além do conteúdo técnico, Henrique Calisto considera que o Fórum continua a distinguir-se pelo ambiente de convivência entre profissionais. “O que é transversal a todos os treinadores é o convívio, a partilha, o estar junto, o almoçar junto, o jantar junto. Essa partilha é tão importante como o conteúdo que adquirimos nos diversos painéis”, referiu.A edição deste ano deverá contar com cerca de 1.200 participantes, entre presenças físicas e online. Segundo o responsável, a adesão internacional continua a crescer, sobretudo entre treinadores fora da Europa, que podem obter créditos formativos à distância reconhecidos pelo Instituto Português do Desporto e Juventude (IPDJ) e pela UEFA. “Temos cerca de 150 treinadores inscritos online, todos no estrangeiro fora da Europa, e para eles esses créditos são fundamentais”, explicou..Uma das novidades da edição de 2026 é o reforço da presença internacional, com delegações de países africanos de língua oficial portuguesa e do Brasil, bem como representantes de Espanha, Itália, França, Inglaterra e Alemanha. “É fantástico termos estas comitivas presentes. Já recebemos pedidos de credenciação de jornalistas estrangeiros, incluindo do México, o que mostra a projeção crescente do Fórum”, salientou.Henrique Calisto aproveitou ainda para destacar o reconhecimento internacional dos técnicos portugueses, defendendo que continuam a ser mais valorizados fora do país. “Temos cerca de 400 treinadores portugueses no estrangeiro, em 54 países. Eu diria que o treinador português é mais valorizado fora do que dentro”, afirmou.Na sua perspetiva, essa reputação resulta não apenas da qualidade técnica, mas também de uma dimensão humana diferenciadora. “Há uma característica muito própria dos portugueses: o sentido humanista do que é ser treinador. É ver o homem antes do jogador. Isso é algo que nem todas as escolas de treinadores valorizam”, sublinhou.Para o presidente da ANTF, os treinadores nacionais assumem igualmente um papel relevante na projeção internacional do país. “Não é só a transmissão do conhecimento no futebol. É também a transmissão da nossa cultura, da nossa língua e da capacidade do povo português de saber e de saber fazer”, afirmou.No final do encontro, Henrique Calisto espera poder confirmar que os principais objetivos foram alcançados: “Gostava de poder dizer que foi um momento de partilha, de aquisição de conhecimento, de reforço da nossa associação e de valorização do treinador”. E conclui: “Se tivermos a aprovação dos mil e tal treinadores presentes, então teremos cumprido plenamente a nossa missão”.