Título mundial volta a passar pela prancha de Frederico Morais

Segunda ronda interrompida por falta de ondas, depois de John John Florence eliminar Miguel Blanco e marcar encontro com Kikas. Medina segue na luta e Matt Wilkinson disse adeus

Tal como em 2015, o título mundial volta a passar por Frederico Morais. Kikas vai enfrentar John John Florence, líder do ranking e principal candidato ao título, que ontem eliminou o outro português em prova, Miguel Blanco. Depois de ter obrigado Gabriel Medina a ir à repescagem (ontem sofreu para se apurar), o surfista de Cascais pode agora fazer história ao eliminar mais uma vez um candidato. Se o fizer, iguala a melhor classificação num prova WTC: precisamente os quartos-de-final do ano passado.

Em 2015, o surfista português eliminou Mick Fanning e impediu o seu surfista preferido de se poder sagrar campeão em Peniche. Apesar disso, um pouco antes de o heat terminar, Fanning aproximou-se de Kikas e deu-lhe os parabéns. "É bom dar um abraço ao Mick. Não posso esconder que tive de lhe pedir desculpa. Não quero de modo algum interferir no título mundial, porque ao fim e ao cabo estou aqui e não tenho nada a ganhar, apenas provar-me a mim mesmo", desabafou o surfista, que viu depois Fanning ser batido por Adriano de Souza na corrida ao mundial, no Havai.

Um ano depois, o cenário repete-se no Meo Rip Curl Pro Portugal. Mas, desta vez, Frederico Morais tem algo a ganhar, pois sonha com a entrada no WTC e uma boa performance em Peniche pode funcionar como motivação extra. Por isso o duelo com John John será importante também para o português, que não compete desde o primeiro dia (terça-feira).

Já o havaiano de 24 anos está sob pressão de levar a coroa de campeão de volta ao Havai e não escondeu isso ao sair do mar, ontem, após eliminar Miguel Blanco.

Kikas já teve alguns encontros com o havaiano, mas nenhum duelo foi mano a mano e com a importância deste. Em 2013, por exemplo, Frederico Morais ficou à frente de John John por três vezes, no campeonato de qualificação, em Sunset, no Havai (heats tinham quatro surfistas), seguindo para as meias-finais desse torneio.

O adeus da surpresa do ano

Bateria mais difícil teve o brasileiro Gabriel Medina, que superou o australiano Ryan Callinan. O campeão mundial de 2014 fez 9.84 pontos contra os 9.43 do estreante do Tour. E vai agora enfrentar Jeremy Flores, 34.º do ranking que ontem surpreendeu ao vencer o heat contra o australiano Matt Wilkinson, que assim disse adeus ao título. O francês fez a melhor média do dia e da prova (17.00 pontos), com um nota de nove e outra de oito (num máximo de 10 pontos).

O australiano Wilkinson, de 28 anos, surpreendeu ao vencer as duas primeiras provas do ano e manteve-se na liderança do até à sétima etapa do circuito, chegando a Peniche em terceiro e com algumas hipóteses (embora poucas) de ser campeão. Mas ficou pela repescagem. E mal saiu do mar, ainda de prancha na mão, ergueu os olhos em direção ao céu e esticou o dedo do meio. Sinal de quem sentiu que os deuses não estavam com ele. Por fim, ofereceu a prancha a um jovem surfista, que saiu a correr da praia com ela debaixo do braço, não fosse alguém querer tirar-lhe a recordação de má memória para Wilkinson.

Depois, a organização decidiu adiar as restantes sete baterias da repescagem para hoje (08.00). Sem previsão dos famosos supertubos, decidiu-se mesmo mudar a prova para o Fabril, onde os atletas têm treinado e dizem ter melhores ondas. Kikas, Florence, Medina, Flores, Toledo, Wilson, Jordy Smith, Slater, Kolohe Andino, Parkinson, Kai Otton, Josh Kerr, Jadson André, Miguel Pupo, Wiggolly Dantas, Adriano de Souza e Italo esperam já na terceira ronda pelos adversários.

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