Supertaça alérgica a pequenos. Beirões tentam evitar 23.º troféu do FC Porto

Portistas defrontam hoje (20.45, TVI) o Tondela na abertura da época 2022-2023. Dragões têm nove ausentes e beirões jogam sem reforços. Técnico portista não falou de saídas nem do caso do filho. Desde 1997 que o troféu em nome de Cândido de Oliveira acaba sempre nas mãos de um dos três grandes.

A missão quase impossível do estreante Tondela na Supertaça, frente ao FC Porto (hoje, 20.45, TVI) é sustentada pelos números. Desde o longínquo triunfo do Boavista, em 1998, que o troféu em nome de Cândido Oliveira acabou sempre nas mãos de um dos três grandes do futebol português: FC Porto (13), Sporting (seis) e Benfica (cinco).

O Sp. Braga e o V. Guimarães foram os clubes que mais oportunidades tiveram (ambos com três) para quebrar o ciclo, mas falharam sempre, tal como o V. Setúbal (duas presenças). Beira-Mar (1998-1999), Boavista (2000-2001), Leixões (2001-2002), U. Leiria (2002-2003), P. Ferreira (2008-2009), Académica (2011-2012), Rio Ave (2013-2014) e Desp. Aves (2017-2018) também não conseguiram contrariar os grandes.

Antes desta série de 24 vitórias consecutivas dos grandes, os pequenos lograram ganhar quatro das primeiras 19 edições, sempre às custas do FC Porto, batido três vezes pelo Boavista (vencedor da primeira edição não oficial, em 1980) e uma pelo V. Guimarães.

O domínio dos dragões é inquestionável. Com mais de metade dos troféus - 22 em 43 possíveis até hoje -, procuram levar a 23.ª Supertaça para o museu. Para isso terão de vencer o Tondela, a terceira equipa fora da I Liga a disputar a prova. A primeira vez que um clube fora do principal campeonato jogou a Supertaça foi em agosto de 1999, numa altura em que era disputada a duas mãos. O Beira-Mar tinha vencido a Taça de Portugal, mas descido na mesma temporada, o que permitiu aos aurinegros enfrentar o campeão da altura, o FC Porto, que acabou por levantar o troféu. A segunda e última vez foi em 2002, quando o Leixões de Carlos Carvalhal, então no terceiro escalão (!), perdeu para o Sporting.

É apenas a terceira vez nos últimos nove anos que os dragões disputam o troféu, sendo que nas últimas sete finais que o FC Porto esteve presente... venceu todas! Já não perdem desde 2008 (há 14 anos, para o Sporting, atual detentor da Supertaça). E se João Pinto (ex-FC Porto) é o jogador com mais troféus ganhos (oito), Sérgio Conceição pode igualar hoje Artur Jorge como o treinador com mais Supertaças (três), sendo que o atual treinador dos azuis e brancos já venceu duas (2018 e 2020).

Conceição entre a obrigação de ganhar ao Tondela e as fintas aos temas quentes

O FC Porto, campeão e vencedor da Taça de Portugal, defronta o Tondela, despromovido à II Liga e finalista vencido da prova rainha do futebol português, no Estádio Municipal de Aveiro, num jogo que ditará o vencedor da 44.ª Supertaça Cândido Oliveira.

Um jogo muito diferente daquele que juntou dragões e beirões no Jamor há dois meses, que culminou com Pepe a levantar o troféu, após o triunfo portista (3-1). Com o mesmo treinador no banco - Sérgio Conceição negou ontem, inclusive, o pedido de demissão noticiado há duas semanas -, o campeão vai apresentar-se com um 11 diferente. Além dos quatro jogadores que saíram do clube este verão (Vitinha, Fábio Vieira, Mbemba e Francisco Conceição), há mais cinco castigados para a Supertaça, num total de nove "ausências".

Os dragões já estariam desfalcados do lesionado Wilson Manafá, bem como do reforço David Carmo e de Otávio, ambos com castigos decorrentes da última época, mas na segunda-feira foram confrontados com a suspensão de Diogo Costa e Fábio Cardoso (e ainda Manafá e Otávio), por cânticos insultuosos contra o Benfica nos festejos do título.

"Obviamente, não contava com esse timing. Tinha uma ou outra opção para o jogo que já não tenho, mas faz parte. Não direi se o castigo é certo ou não. Não sou nenhum jurista isento do Conselho de Disciplina da Federação Portuguesa de Futebol para me pronunciar. Sou treinador, pagam-me para isso e comento as opções que tenho à minha frente", atirou o treinador portista, admitindo que os jogos particulares com o Arouca (5-1), Gil Vicente (2-1) e Mónaco (2-1) "foram claramente a pensar" no Tondela.

Mas esta semana o treinador teve de mudar tudo. Ou quase. "Vamos apanhar uma equipa difícil, que é praticamente a mesma que nos defrontou na final da Taça. É verdade que tem um técnico diferente [Tozé Marreco] e saiu uma ou outra peça, mas não perdeu um espírito interessante e atletas de I Liga", explanou Conceição, que pode igualar Artur Jorge como treinador com mais troféus (oito) de dragão ao peito. O atual técnico portista tem sete em cinco épocas e garantiu que não quer saber de marcas pessoais, mas de títulos coletivos.

"Uma final é uma final, e tudo pode acontecer. As opções do Tondela diminuíram pelos problemas que o clube passa, e não podemos fugir disso, mas há miúdos com qualidade que subiram da formação e também os analisámos. Fragilizado ou não, depende daquilo que fizermos. Teoricamente, somos a equipa que tem obrigação de ganhar, pela história e peso que temos na I Liga e nesta prova, mas é preciso provar em campo. Não espero um jogo fácil, pelo contrário. Cabe-nos ter humildade", avisou, atrevendo-se a adivinhar o 11 do adversário, que jogará em 3x4x3, com Manu Hernando, Jota e Marcelo Alves à frente do guardião Babacar Niasse, com Tiago Almeida, Iker Undabarrena, Pedro Augusto e Bebeto no meio campo e Daniel dos Anjos, Rafael Barbosa e Telmo Arcanjo no ataque.

Questionado sobre a polémica saída do clube de Francisco Conceição, o seu filho, respondeu que não fala "sobre jogadores que não fazem parte do clube" e recusou ainda comentar as afirmações de Fernando Madureira, chefe dos Superdragões, sobre a saída do filho: "Não vou comentar reações de adeptos." Já sobre o valor da venda de Vitinha ao PSG (41 milhões de euros), Conceição lembrou que não é dirigente "para saber se é bom ou mau negócio", defendendo que o FC Porto tem "gente muito capaz" para lidar com o mercado de transferências, nomeadamente o presidente, Pinto da Costa, "que mostra há 40 anos que tudo passa por ele".

Tondela muito limitado e sem poder inscrever jogadores

"Crença e organização" é a receita do treinador do Tondela para a Supertaça. "Se não formos nós a ter essa confiança, a ter essa vontade de fazer história, a ter essa ambição, será difícil. É isso que exijo aos jogadores, é isso que quero, que demonstrem essa ambição, vontade, crença e organização. Não chega correr, isto não é atletismo, é preciso muita organização para o fazer. Não tenho dúvidas de que estamos preparados para o jogo", assumiu Tozé Marreco, reconhecendo que "o FC Porto é fortíssimo em todos os capítulos".

A preparação do jogo "foi igual a outro qualquer", com a "devida diferença" de que este é frente "a uma grande equipa". Marreco só conta com reforços da formação do clube, uma vez que o Tondela está impedido pela FIFA de inscrever jogadores. Mas, apesar de reconhecer que a equipa "ainda não está preparada", vai exigir a mesma ambição e trabalho: "Agora diz-me: quer ganhar a Supertaça? Pois claro que quero."

isaura.almeida@dn.pt

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