Os 7 momentos chave da ata divulgada pela direção do Sporting

Os danos financeiros, o relatório sobre a violência em Alcochete, a discussão entre Bruno de Carvalho e Marta Soares, as rescisões e a campanha orquestrada.

A ata distribuída este sábado aos sócios do Sporting por iniciativa da direção do clube - e que a Mesa da Assembleia Geral já veio acusar de ter sido "manipulada", anunciando que vai apresentar uma queixa na Procuradoria-Geral da República - começa por descrever a discussão sobre a necessidade de o encontro ser gravado. A proposta do Conselho Diretivo acabou por ser reprovada, segundo revela o documento, e portanto não terá ficado qualquer registo áudio ou vídeo do que se passou na quinta-feira em Alvalade.

Das dez páginas que compõem a ata distribuída por e-mail aos sócios, destacam-se sete momentos.

1. Os avisos de Bruno de Carvalho para os riscos de uma Assembleia Geral

Iniciada a reunião, o tema que se debate é o da possibilidade de existir uma Assembleia Geral (AG) destitutiva. Bruno de Carvalho diz que "os membros do CD não estão apegados aos seus lugares" e argumenta que há grandes riscos financeiros e desportivos caso seja convocada uma AG.

Que riscos? Segundo Bruno de Carvalho:
- "O agendamento precipitado de uma Assembleia Geral com o propósito de discutir a continuidade do actual CD trava de imediato o lançamento do Empréstimo Obrigacionista, sem o qual o Clube e a SAD deixarão de ter capacidade para fazer face a compromissos imediatos"

- "Trava de imediato a conclusão do contrato jurídico que permite implementar a melhoria substancial da reestruturação financeira que foi negociada e que permitirá ao Clube passar a ser, em definitivo, dono do seu destino sem qualquer interferência externa"

- "Trava de imediato a preparação da próxima época desportiva, uma vez que passa a ser praticamente impossível concretizar transações de jogadores a um valor justo e prejudica a negociação de mais patrocínios."

- "Se de uma eventual AG Extraordinária saísse a decisão de convocar eleições, as mesmas nunca iriam realizar-se antes da primeira semana de Agosto. Tal medida colocaria em causa, desde logo, a possibilidade de garantir a constituição de um plantel ainda mais forte para o futebol profissional."

2. A proposta de dar 15 a 20 dias a Marta Soares para ter acesso a todos os dossiers da vida do clube

Depois de pedir a Jaime Marta Soares que apresentasse as razões para que o Conselho Diretivo se demitisse, Bruno de Carvalho reiterou uma proposta feita em reunião anterior: "... a MAG e o CFD dizem quantos dias necessitam, 15, 20, 25 dias, sejam os que forem, e nós garantimos o acesso a tudo o que diga respeito ao Clube e à SAD, incluindo acesso a toda a documentação, e contacto pessoal com jogadores e restantes colaboradores".

Assim, segundo terá argumentado Bruno de Carvalho, caso a Mesa da Assembleia Geral e o Conselho Fiscal e Disciplinar descobrissem algo de mal ainda teriam tempo de "convocar uma AG num prazo de 60 dias" e até lá permitir "gerir normalmente o clube"

3. A revelação de um relatório da Procuradoria sobre os incidentes de Alcochete

A propósito do episódio da invasão à Academia de Alcochete por parte de um grupo de adeptos que agrediram jogadores e treinadores, Bruno de Carvalho informou que tinha "uma novidade" para dar: a alegada existência de um relatório da Procuradoria-Geral Distrital de Lisboa a ilibar o Sporting pelos incidentes.

"... existe um relatório da PGDL que diz que o Sporting não teve responsabilidade no que aconteceu. Relembrou que os advogados dos atacantes, quando questionados pêeos jornalistas, sobre Bruno de Carvalho, disseram expressamente que não foi feita nenhuma menção ao mesmo. Isto foi confirmado pelos agredidos, pela policia e pela PGDL. Recordou que a ASPP [Associação Sindical dos Profissionais de Polícia] confirmou expressamente em comunicado o não envolvimento da SAD nos lamentáveis acontecimentos da Academia."

4. Ameaça de rescisões de jogadores são "chantagem de empresários"

Sobre um dos temas que mais têm preocupado os sportinguistas nesta altura, a possibilidade de haver jogadores a pedir rescisão de contrato alegando justa causa, depois dos incidentes de Alcochete, Bruno de Carvalho disse na reunião dos órgãos sociais que "não há rescisões de jogadores, o que há é chantagem de empresários".

O presidente leonino acusou ainda os órgãos sociais demissionários de se "deixarem contaminar por estas falsidades".

5. A campanha interna "para manchar" Bruno de Carvalho e a ameaça de ações judiciais

Sempre ao ataque em relação à posição dos órgãos sociais demissionários, Bruno de Carvalho acusou a Mesa da Assembleia Geral e o Conselho Fiscal e Disciplinar de terem montado "uma campanha que está a manchar o bom nome do Presidente do CD [Conselho Diretivo], dos demais membros do CD e a prejudicar o Sporting".

Bruno de Carvalho anunciou que iria "intentar as ações judiciais necessárias para defesa do seu bom nome e do Clube".

6. O bate-boca entre Jaime Marta Soares e Bruno de Carvalho

Jaime Marta Soares insurgiu-se contra Bruno de Carvalho e o Conselho Diretivo pelo facto de se estar a tentar transformar a reunião num tribunal, o que antecedeu um bate-boca entre os dois.

"O senhor está sempre a vitimizar-se, numa estratégia de fuga para a frente; é perito em sacudir água do capote, nunca assumindo responsabilidades; tenho muitas coisas para contar, mas não as conto porque tenha vergonha do que sei", disse Marta Soares para Bruno de Carvalho, segundo o que consta da ata da reunião. Ao que Bruno de Carvalho terá respondido que Marta Soares "podia fazer as queixas que quisesse que não estava preocupado".

Já o presidente leonino acusou o líder demissionário da MAG de chantagem e coação, e de causar "constrangimento e vergonha" ao Sporting.

"Disse ainda [o presidente do CD] que queria ser claro dizendo duas coisas: em primeiro lugar, que a forma de vida do
Comendador Marta Soares causou à Direção, várias vezes, grandes constrangimentos e vergonha, e que, ao contrário do mesmo, teve oportunidade de lhe dizer, por várias vezes, olhos nos olhos; queria também dizer que lamenta esta forma de chantagem e coação com que o Presidente da MAG apresenta as duas soluções, assacando, desde já, de uma forma despudorada, responsabilidades sobre aquilo que o Presidente da MAG, os restantes membros da MAG e do CFD, por terem absoluta consciência das consequências que poderão advir dos atos que agora estão a praticar."

7. A admissão de "questões de tesouraria"

Falando dos prejuízos que a convocação de uma AG para destituição do Conselho Diretivo poderia acarretar, Bruno de Carvalho admitiu que o Sporting tem problemas de tesouraria que precisam do sucesso no lançamento do novo empréstimo obrigacionista.

"Que fique expresso que o empréstimo obrigacionista tem a ver, como foi comunicado, com questões de tesouraria da SAD; desde o primeiro momento que este facto é público; desde o primeiro momento que é sabido de todos os sportinguistas, accionistas e obrigacionistas o porquê da necessidade do atraso do reembolso do empréstimo de 2015, com vencimento em 25 de Maio; assim o é no Sporting, como também nas outras entidades desportivas cotadas em bolsa".

Bruno de Carvalho reiterou que "todas as questões legais que envolvem esta AG (...) questões financeiras, desportivas e de reputação da marca" podem fazer o Sporting entrar "num processo muito difícil, onde irá ter prejuízos graves".

E fez um "repto aos sócios que existem dentro de cada um dos membros dos órgãos sociais, para que não coloquem o Sporting numa situação idêntica à que encontrou em 2013, resultante de possíveis rescisões de jogadores, por falta de pagamento de salários e da falta de credibilidade do Sporting, situações que, com quase nenhum dinheiro, conseguiu resolver. "

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