Poiares Maduro quer "repor a legalidade" em Alvalade

Antigo ministro Adjunto diz que está em causa a sobrevivência do clube

Miguel Poiares Maduro anunciou nas redes sociais que vai colaborar com a Mesa da Assembleia Geral do Sporting (MAG) no sentido de "repor a legalidade no clube e devolver o poder aos sócios".

Num longo post publicado no facebook, antigo ministro Adjunto de Pedro Passos Coelho e adepto do Sporting, diz que a MAG está "neste momento desprovida de qualquer apoio do clube de que constitui o principal órgão social" e que, em conjunto com outros juristas, irá ser feito o recurso "a todos os instrumentos jurídicos disponíveis" para "repor a legalidade" em Alvalade, depois de o Conselho Diretivo do Sporting ter anunciado a criação de uma comissão transitória da MAG, substituindo os atuais membros demissionários e o atual presidente, Jaime Marta Soares, anulando ao mesmo tempo a Assembleia Geral de dia 23 de junho que iria votar a destituição de Bruno de Carvalho da presidência do clube. Foi também anunciada a substituição do Conselho Fiscal e Disciplinar por uma comissão de fiscalização.

"Sem qualquer base estatutária, [o Conselho Diretivo] declarou mesmo a extinção desses outros órgãos sociais, eleitos pelos sócios e beneficiando de uma legitimidade igual à do Conselho Diretivo. O Conselho Diretivo decidiu, sem qualquer competência para tal, declarar que os substituía por outros não previstos nos Estatutos. Numa frase: em poucos dias acabou com a democracia e separação de poderes no clube. Foi como se um governo, descontente com as decisões de um parlamento e dos tribunais, os decidisse extinguir e substituir por outros da sua escolha...", considera Poiares Maduro.

O ex-ministro diz que está em causa a sobrevivência do Sporting: "Já não está apenas em causa quem pode gerir melhor o clube, oferecer-nos mais sucessos ou melhor preservar e promover a sua imagem. Está em causa a sua sobrevivência. E não apenas (nem sequer fundamentalmente) a sua sobrevivência económica. Está em causa a existência do clube como repousando na soberania dos sócios e em cujo poder é exercido de acordo com as regras e de forma democrática".

"A legalidade, por definição, só pode ser reposta por meios legais. É verdade que esta instabilidade é profundamente danosa para o clube e gera profunda preocupação nos sócios. Há também receios fundados que a gravidade dos comportamentos ilegais adoptados possa ter consequências profundas e, nalguns casos, irremediáveis para o clube. Mas é através da lei, e adoptando todas as iniciativas judiciais e legais urgentes disponíveis, que devemos repor a democracia e legalidade no clube. Não se responde à ilegalidade com ilegalidades nem à intimidação com ameaças. Pelo menos, não no Sporting. A nossa identidade tem de ser preservada mesmo na forma como se combate quem a está a destruir", pode ainda ler-se no post de Poiares Maduro.

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João Céu e Silva

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