Eduardo Barroso indignado com convite para Comissão de Gestão

Cirurgião, que era até há bem pouco tempo um apoiante acérrimo de Bruno de Carvalho, critica, em declarações ao Observador, Jaime Marta Soares e pretende eleições para dar voz aos sócios

Eduardo Barroso revelou, em declarações ao Observador, que tinha sido convidado para a Comissão de Gestão que Jaime Marta Soares está a constituir na sequência da suspensão de Bruno de Carvalho, ainda que este não a reconheça.

"Recebi um telefonema, não posso dizer de quem, mas era mandatado para esse efeito, para me convidar para a Comissão de Gestão. Estava no carro, com a chamada em voz alta, e a minha mulher, ao lado, até se indignou pela forma como respondi. Não faz sentido estarem a convidar-me para uma Comissão de Gestão com a qual estou em profundo desacordo. É um golpe inaceitável. Sou um defensor de eleições, tirei o meu apoio a Bruno de Carvalho, mas para dar voz aos sócios. Isto não é dar voz aos sócios, é aquilo que quiseram que eu fizesse no tempo de Godinho Lopes", sublinhou o médico numa alusão a 2013 quando exercia funções de presidente da Mesa da Assembleia Geral.

Jaime Marta Soares é o tipo de pessoa que não serve para nada, foi um dos grandes culpados de o problema se arrastar


E continuou para criticar o seu sucessor, Jaime Marta Soares: "É o tipo de pessoa que não serve para nada, foi um dos grandes culpados de o problema se arrastar. No passado, insultou-me a mim e ao Daniel Sampaio quando queríamos convocar a AG de destituição de Godinho Lopes. Depois foi a minha casa pedir-me desculpa pelo que disse, para poder pertencer à lista do Bruno de Carvalho. Ele anda ao sabor. Apoiou Godinho Lopes, mas aceitou logo a boleia do Bruno para poder ser presidente da Mesa da Assembleia Geral."

Ler mais

Exclusivos

Premium

Bernardo Pires de Lima

Os europeus ao espelho

O novo equilíbrio no Congresso despertou em Trump reações acossadas, com a imprensa e a investigação ao conluio com o Kremlin como alvos prioritários. Na Europa, houve quem validasse a mesma prática. Do lado democrata, o oxigénio eleitoral obriga agora o partido a encontrar soluções à altura do desafio em 2020, evitando a demagogia da sua ala esquerda. Mais uma vez, na Europa, há quem esteja a seguir a receita com atenção.

Premium

Rogério Casanova

O fantasma na linha de produção

Tal como o desejo erótico, o medo é uma daquelas emoções universais que se fragmenta em inúmeras idiossincrasias no ponto de chegada. Além de ser contextual, depende também muito da maneira como um elemento exterior interage com o nosso repositório pessoal de fobias e atavismos. Isto, pelo menos, em teoria. Na prática (a prática, para este efeito, é definida pelo somatório de explorações ficcionais do "medo" no pequeno e no grande ecrã), a coisa mais assustadora do mundo é aparentemente uma figura feminina magra, de cabelos compridos e desgrenhados, a cambalear aos solavancos na direcção da câmara. Pode parecer redutor, mas as provas acumuladas não enganam: desde que foi popularizada pelo filme Ring em 1998, esta aparição específica marca o ponto em filmes e séries ocidentais com tamanha regularidade que já se tornou uma presença familiar, tão reconfortante como um peluche de infância. É possível que seja a exportação japonesa mais bem-sucedida desde o Toyota Corolla e o circuito integrado.

Premium

Maria do Rosário Pedreira

Adeus, futuro. O fim da intimidade

Pelo facto de dormir no quarto da minha irmã (quase cinco anos mais velha do que eu), tiveram de explicar-me muito cedo por que diabo não a levavam ao hospital (nem sequer ao médico) quando ela gania de tempos a tempos com dores de barriga. Efectivamente, devia ser muito miúda quando a minha mãe me ensinou, entre outras coisas, aquela palavra comprida e feia - "menstruação" - que separava uma simples miúda de uma "mulherzinha" (e nada podia ser mais assustador). Mas tão depressa ma fez ouvir com todas as sílabas como me ordenou que a calasse, porque dizia respeito a um assunto íntimo que não era suposto entrar em conversas, muito menos se fossem com rapazes. (E até me lembro de ter levado uma sapatada na semana seguinte por estar a dizer ao meu irmão para que servia uma embalagem de Modess que ele vira no armário da casa de banho.)