Contrato de rescisão proposto a Jorge Jesus sem cláusula anti-rivais

Ao contrário de Leonardo Jardim e Marco Silva, o ainda técnico leonino é livre de poder assinar por Benfica ou FC Porto

O contrato de rescisão amigável proposto pela SAD do Sporting a Jorge Jesus, que foi enviado ao treinador na última sexta-feira, não contempla qualquer cláusula anti-rivais, apurou o DN junto de fonte conhecedora do processo. Ou seja, o técnico, ao contrário do que aconteceu com os antecessores Leonardo Jardim e Marco Silva, é livre de poder assinar pelo Benfica ou FC Porto sem ter de indemnizar a SAD dos leões.

Além disso, e tal como o DN já publicou este domingo, o contrato de rescisão também não prevê qualquer indemnização a nenhuma das partes, ou seja, nem o Sporting tem de pagar o ano de contrato que resta a Jorge Jesus, nem o treinador poderá reclamar esse mesmo valor, num total de cerca de 7,8 milhões de euros brutos, relativo ao salário anual do técnico.

A não inclusão da cláusula anti-rivais terá sido uma forma de acelerar o processo e evitar problemas legais com Jorge Jesus, pois o DN sabe que o treinador não iria aceitar esta cláusula de pacto de não concorrência que foi exigida aos dois treinadores antecessores e a vários jogadores que nos últimos anos deixaram Alvalade.

O contrato de rescisão de Marco Silva com o Sporting, que numa primeira fase chegou a ser despedido com justa causa, continha uma cláusula que impedia o técnico de assinar por FC Porto ou Benfica no espaço de dois anos. "Um pacto de não concorrência válido por duas épocas desportivas completas, as de 2015/16 e 2016/17, ao abrigo do qual o treinador se compromete a não celebrar contrato de trabalho para as funções de treinador ou contrato de outra natureza, com a Sport Lisboa e Benfica - Futebol SAD e Futebol Clube do Porto - Futebol, SAD, em qualquer data até 30 de junho de 2017", podia ler-se no contrato que foi divulgado pelo "Football Leaks".

No caso de Leonardo Jardim, no acordo celebrado entre as partes para a saída do treinador para o Mónaco em maio de 2014, a SAD do Sporting incluiu uma cláusula que impedia o técnico madeirense de assinar por qualquer um dos rivais num prazo de quatro temporadas, ou seja, até 2017/18.

Negociações com o Al-Hilal ainda muito no início

Jorge Jesus e Sporting, contudo, ainda não acertaram a rescisão de contrato. Segundo o DN apurou, junto de fonte próxima do treinador, Jesus está em negociações com o Al-Hilal, mas o processo está ainda numa fase muito inicial, havendo ainda muito para discutir.

O técnico, que sempre disse que não estaria recetivo a aceitar ir para o Médio Oriente, para um clube sem grandes objetivos desportivos, ainda se mantém renitente em aceitar a proposta milionária dos árabes. Nesse sentido, só aceitará com o objetivo de deixar o Sporting, razão pela qual só admite assinar contrato com o Al-Hilal por uma época, para depois poder regressar ao futebol europeu.

O Al-Hilal, segundo o jornal O Jogo, oferece ao treinador um contrato por uma temporada (com mais uma de opção) com um salário anual de 7 milhões de euros. O interesse dos sauditas foi noticiado pelo DN, em primeira mão, no dia 9 de maio.

Neste momento, a prioridade de Jorge Jesus é acertar todos os detalhes com os sauditas para um futuro vínculo e só depois analisar os termos para a rescisão com o Sporting. Fonte conhecedora do processo garantiu ao DN que Jorge Jesus tem em mãos, desde a passada sexta-feira, a proposta do Sporting para pôr fim ao vínculo com o clube, que ainda tem duração por mais uma época, mas para já a resposta a essa proposta não é uma prioridade e só acontecerá após o desfecho das negociações com o clube da Arábia Saudita.