Bruno de Carvalho resiste mas abre a porta a uma Assembleia pós-Taça

Líder perde apoios mas diz que não está "agarrado ao poder". Marta Soares quer uma AG que vise a destituição do presidente

O Sporting vive uma crise sem precendentes. Bruno de Carvalho começou o dia a garantir que não se demitia e a ameaçar processar Ferro Rodrigues, Daniel Sampaio e comentadores. E terminou o dia a dizer que não ia sair, mas assegurando que não está "agarrado ao poder" entre muitas críticas aos que se demitiram durante o dia.

O dia de ontem foi demasiadamente longo. Após Bruno de Carvaho iniciar as hostilidades com o comunicado à Lusa, três elementos da Mesa da Assembleia Geral (MAG), Eduarda Proença de Carvalho, Diogo Orvalho e Tiago Abade entregaram cartas de demissão com críticas ao facto de o principal objetivo não ser alcançado - a demissão coletiva dos três órgãos e dar a palavra aos sócios.

Este passo levou a que os restantes elementos da MAG apresentassem a demissão em bloco e depois seguiu-se o Conselho Fiscal e Disciplinar (CFD) com a exceção de Fernando Carvalho que, à noite, ao lado de Bruno de Carvalho fez duras críticas ao órgão que integra. E dizemos integra porque quer a MAG, quer a CFD têm que se manter em funções até terem sucessores.

Pela tarde esperava-se que membros do Conselho Diretivo (CD)se demitissem e fizessem com que o órgão perdesse quorum. Em vão, porque do CD saíram António Rebelo, Luís Loureiro e os suplentes Jorge Sanches e Rita Matos. Luís Giestas e Luís Roque ponderaram mas (ainda) não avançaram. E o mesmo passa-se, com alguma surpresa, com Bruno Mascarenhas, elemento muito próximo de Bruno de Carvalho e representante do clube na Liga, que já nem esteve presente na leitura do comunicado. Mesmo que estes elementos saiam fica a faltar mais uma demissão para a perda do quorum...

Um dos momentos altos do dia deu-se quando Eduardo Barroso, o fervoroso apoiante de Bruno de Carvalho ao longo dos últimos cinco anos, retirou o apoio ao presidente do Sporting. "Neste momento devo reconhecer que ele não tem condições."

A Holdimo veio a terreiro, através do seu presidente Álvaro Sobrinho, dizer que José Maria Ricciardi e Rogério Alves e se deviam unir numa só lista, já olhando para eleições, um cenário que ainda está distante.

Responsabilidade e compromisso

Entretanto, o CD esteve reunido e só às 23.00 foi lido um comunicado. Bruno de Carvalho falou de um ataque "interno e externo sem precedentes" cujo objetivo passa por "obrigar à demissão". Bruno de Carvalho pede o "agendamento de uma AG Extraordinária para ouvir os sócios sobre tudo o que se tem passado". E atacou Jaime Marta Soares por a MAG ter recusado juntar-se ao CD e Comissão Executiva para ser agendada uma AG Extraordinária "no espaço de uma semana".

Falaram Fernando Carvalho, o resistente do CFD para atacar o seu órgão, o vice-presidente Carlos Vieira, em quem muitos apostavam para tentar convencer Bruno de Carvalho a demitir-se, e Rui Caeiro, o vogal com o pelouro das modalidades. E no final voltou a falar Bruno de Carvalho.

"Não nos demitimos a bem do Sporting. Não por estarmos agarrados ao poder. Pela frente temos responsabilidades e compromissos como sejam um empréstimo obrigacionista, uma nova reestruturação financeira que está em fase de conclusão jurídica, uma nova temporada desportiva de 55 modalidades, onde se inclui o futebol. As pessoas que sempre garantiram o normal funcionamento do clube e da SAD são as que estão aqui comigo e que sempre estiveram. E sei que comigo continuarão enquanto os sócios aqui nos quiserem."

À TVI 24, onde acompanhou a comunicação de Bruno de Carvalho, Jaime Marta Soares garantiu "analisar" os fundamentos da AG que o CD deseja convocar, mas assegurou que iria para a frente com a nota de culpa a Bruno de Carvalho, condição sine qua non para agendar uma AG que vise a destituição do CD.

Antes Jaime Marta Soares mostrou-se confuso ao revelar que ia fazer eleições para os dois órgãos demissionários mas mantendo o CD, quando o objetivo passa por fazer cair Bruno de Carvalho. Depois já mostrava inclinação em marcar uma AG com "outra ordem de trabalhos" que não a pretendida pelo CD. E, perante este compasso de espera, as eleições são uma miragem e na próxima semana jogadores e treinador da equ

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