Bruno de Carvalho convicto de que não vai haver AG de destituição

Presidente garante que a convocatória da mesa da AG não cumpre preceitos legais. Frederico Varandas foi fortemente atacado

Bruno de Carvalho realizou ontem, no Pavilhão João Rocha, a primeira sessão de esclarecimento aos sócios, num encontro que durou cerca de cinco horas, chegou a contar com a presença de 366 pessoas, mas terminou apenas com cerca de 60. Entre as ideias transmitidas, ficou a convicção do presidente leonino de que a assembleia geral de destituição do conselho diretivo anunciada por Jaime Marta Soares não vai realizar-se.

O aparato policial era evidente nas imediações do pavilhão, mas o ambiente foi sempre muito calmo, não se registando quaisquer incidentes, já que a esmagadora maioria dos sócios presentes seria apoiante de Bruno de Carvalho, a avaliar pelos fortes aplausos a cada intervenção do presidente. Nomes da oposição nem vê-los, tal como figuras de relevo do clube.

"O que ia lá fazer? Nada! Aliás, nem tinha nada para perguntar ao presidente, já estou suficientemente esclarecido", sublinhou, por exemplo, Dias Ferreira, contactado pelo DN. Já o ex-candidato à presidência Carlos Severino foi corrosivo: "Conheço Bruno de Carvalho há muitos anos e de forma mais profunda desde 2013 e estou mais do que esclarecido. Não estive presente mas certamente esta foi mais uma ação de propaganda barata".

Numa das suas explanações, Bruno de Carvalho fez um forte ataque a Frederico Varandas, ex--médico do Sporting e candidato assumido à presidência. Embora nunca tenha pronunciado o seu nome, foi bem claro a quem se dirigia: "Não foi bonito ver pessoas que no vídeo dos ataques apareceram a rir-se terem lamentado que eu não tenha ido à esquadra apoiar os jogadores. Não fui porque a polícia proibiu as pessoas de sair da Academia. Há pessoas que dizem que estão preparadas para a guerra, mas eu é que nasci em Lourenço Marques e não fui eu que mandei retirar a segurança no portão de vidro de acesso à ala do futebol profissional."

Realização da AG em perigo

Nesta sessão de esclarecimento, Bruno de Carvalho realçou que tudo irá fazer para que a AG de dia 23 de junho não se realize e garantiu que existem "fortes razões jurídicas para que a mesma não tenha lugar", atirando: "Na última reunião que tivemos, a mesa da AG justificou a convocação da assembleia com uma gestão danosa, suspeição de comissões em negócios de jogadores e qualquer coisa relativamente à degradação do património. E disse que tinha os papéis das assinaturas dos sócios, mas que não os ia mostrar. Mas vamos ver se vai haver AG, porque não foram cumpridos os preceitos legais", referiu.

O presidente do Sporting revelou uma das suas alegações jurídicas: "Dos mil votos necessários para convocar uma AG, é preciso que as pessoas responsáveis por pelo menos 750 votos estejam depois presentes. Isto não é só dar o nome."

O DN contactou um profundo conhecedor dos estatutos do clube, que, sem querer ser identificado, confirmou que, efetivamente, será preciso a presença desse número de votos, mas unicamente no caso de a AG ser convocada pelos sócios, algo que não sucede neste caso, pois a responsabilidade da convocação é do presidente demissionário da mesa da AG, Jaime Marta Soares.

No entanto, de acordo com outra fonte, há uma grande dificuldade a ultrapassar para que a reunião magna anunciada para a Altice Arena se possa realizar: "De forma a acolher o maior número possível de sócios, os custos dessa AG nunca serão inferiores a cem mil euros. Já se percebeu que o conselho diretivo não irá avançar com a verba e, por outro lado, a mesa da AG também não tem disponibilidade financeira para tal. A não ser que um grupo de sócios junte essa quantia, não haverá AG."

A mesma fonte garante que um outro argumento de Bruno de Carvalho não colhe: o facto de esta mesa da AG estar demissionária. "Isso nem se coloca, pois, apesar de demissionária, continua em funções."

Um grupo de sócios do Sporting fez circular um abaixo-assinado para contestar a validade da AG convocada para dia 23, tendo-se verificado uma boa adesão dos sócios presentes, com muitos a assinarem o documento. Há mais duas sessões de esclarecimentos aos sócios agendadas: dia 30 deste mês, em Faro, e dia 1 de junho, no Porto.

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