Kvaratskhelia e Mikautadze marcaram os golos da vitória frente a Portugal.
Kvaratskhelia e Mikautadze marcaram os golos da vitória frente a Portugal.EPA/FRIEDEMANN VOGEL

Sonho da Geórgia tem heróis com percurso sinuoso até ao estrelato

A festa saiu às ruas do pequeno país nas margens do Mar Negro, onde emergem novos talentos como Kvaratskhelia, Mamardashvili e Mikautadze, rostos do sucesso no Europeu.
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Eslovénia e Geórgia foram as grandes surpresas da fase de grupos do Campeonato da Europa. Curiosamente, os eslovenos são o próximo adversário da seleção nacional, frente a quem irá tentar sarar uma ferida aberta pelos georgianos, naquela que foi a primeira derrota em jogos oficiais da era Roberto Martínez. A festa foi de arromba em Tbilissi, onde a festa saiu à rua para assinalar o apuramento para a fase a eliminar na primeira fase final que a seleção desta antiga república soviética. 

Khvicha Kvaratskhelia é, aos 23 anos, a maior estrela desta seleção e provou-o no jogo com Portugal, no qual foi eleito pela UEFA como o melhor em campo. É uma espécie de Cristiano Ronaldo da Geórgia e um dos vários talentos que saíram da academia do Dínamo Tbilissi, inaugurada em 2013 e que teve como mentor o treinador espanhol Andrés Carrasco. Tinha apenas 16 anos quando se estreou ao serviço do principal clube do país, mas uma disputa contratual fê-lo mudar-se para o Metalurgi Rustavi, antes de rumar à vizinha Rússia, primeiro para um empréstimo ao Lokomotiv Moscovo, depois para assinar contrato com o Rubin Kazan, em 2019. 

Estava à duas épocas e meia no emblema do Tartaristão quando as tropas russas invadiram a Ucrânia… foi o suficiente para regressar ao seu país para representar o Dínamo Batumi. Por essa altura já o Nápoles o tinha descoberto, contratou-o em 2022 para se tornar fulcral na conquista do título de campeão italiano, o primeiro depois de Diego Maradona. Hoje, o número 7 da Geórgia, que tem como ídolo CR7, é um dos jogadores mais pretendidos do mercado de transferências.

Além de Kvaratskhelia, o projeto de formação do Dínamo Tbilissi dá a esta seleção mais cinco jogadores, são eles Gabriel Sigua (18 anos), Anzor Mekvabishvili (23 anos), Giorgi Chakvetadze (24), Zura Davitashvili (23) e o guarda-redes Giorgi Mamardashvili (23). Este último alinha no Valência, onde chegou em 2020 por empréstimo do Dínamo, numa daquelas experiências para ser testado durante um ano na equipa B, que militava na III Divisão. Só que chegou no verão e em dezembro já os valencianos anunciavam o acordo para a contratação do jogador, pois o seu impacto foi de tal ordem que começou a Liga espanhola como titular da equipa principal. É considerado um dos melhores guarda-redes da nova geração e está a provar isso mesmo no Euro 2024, afinal no jogo com a Rep. Checa alcançou o recorde de 11 defesas em apenas 45 minutos numa partida da fase final.

Goleador dispensado doAjax

Outra das grandes figuras da seleção treinada pelo francês Willy Sagnol é o avançado Georges Mikautadze, o atual melhor marcador do Euro 2024 com três golos. O avançado de 23 anos nasceu em Lyon, França, para onde os seus pais emigraram, tendo começado a sua formação como futebolista na academia do Olympique Lyonnais. 

Já na idade de júnior integrou as escolas do Metz, clube pelo qual alinhou depois pela equipa B e pelos seniores, mas como era muito novo foi emprestado a dois clubes belgas Sérésien (22 golos) e Seraing (14). Regressou depois a Metz para brilhar com 24 golos na Ligue 2, o que levou o Ajax a pagar 16 milhões de euros pela sua contratação. 

Em Amesterdão não foi feliz, fez apenas nove jogos e em janeiro deste ano regressou ao Metz por empréstimo, onde marcou 14 golos na Ligue 1, que não chegaram para manter o clube no escalão principal. Apesar disso, o Metz adquiriu o seu passe por 13 milhões, sendo que agora o goleador georgiano até poderá voltar a render uns bons milhões graças à valorização que está a ter no Europeu da Alemanha.

Estes são os nomes de uma nação onde o râguebi é muito popular, mas que agora conseguem o seu maior feito no futebol. Foi por isso que muitos dos 3600 milhões de habitantes deste pequeno país das margens do Mar Negro saíram às ruas, numa festa que pretendem prolongar no domingo no reencontro com a Espanha, com quem mediu forças na fase de apuramento para o Euro 2024 em dois jogos que não deixaram saudades. Isto porque em setembro de 2023 foram goleados por 1-7 em Tbilissi e, dois meses depois, chegou a derrota por 1-3 em Valladolid.

Os 26 jogadores receberam ontem uma motivação extra que chegou à Alemanha através de Bidzina Ivanishvili, primeiro-ministro georgiano que tem uma fortuna avaliada em cinco mil milhões de euros, que decidiu doar cerca de 10 milhões de euros para dividir pela comitiva, como prémio pelo apuramento para os oitavos. Mas Ivanishvili foi ainda mais longe, garantindo que irá oferecer a mesma quantia no caso de novo feito, ou seja, a Geórgia eliminar a Espanha.

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