Seleção tenta arranjar forças e ânimo para ainda chegar ao pódio

Portugal luta hoje com o México, num jogo que ninguém queria jogar e que fecha uma longa temporada. Alguns jogadores têm mais de 50 jogos nas pernas

A temporada 2016-17 chega nesta tarde ao fim para 21 dos 23 convocados da seleção nacional, que vão enfrentar às 13.00 no Estádio do Spartak, em Moscovo, o México, em partida que serve para atribuir o terceiro lugar da Taça das Confederações.

É, no fundo, um triste adeus a uma longa época, pois quando chegou à Rússia, a 14 de junho, a comitiva nacional já pensava partir apenas após o último dia de competição, mas com o sorriso nos lábios e a taça na mão.

Contudo, a derrota na meia-final com o Chile, no desempate por penáltis, mudou todo o cenário. "Ficámos tristes e desgostosos. A seguir ao jogo e no dia seguinte foi difícil ultrapassar tanta tristeza", revelou ontem o selecionador Fernando Santos, que se apresentou na sala de imprensa para antever o duelo com os mexicanos com um semblante bastante triste e um tom de voz quebrado... "Nenhum de nós queria estar neste jogo porque queríamos era ir à final", assumiu.

Com a frustração de não poder discutir a conquista do troféu vem ainda ao de cima o cansaço acumulado por uma época longa e desgastante, ainda por cima numa altura em que várias equipas já deram o pontapé de saída para os trabalhos de pré-temporada.

Bernardo e Moutinho no topo

É preciso ter em consideração que a equipa das quinas tem dez jogadores com mais de 50 jogos nas pernas ao longo da temporada 2016-17, com Bernardo Silva e João Moutinho a ultrapassar mesmo a seis dezenas, pois o Mónaco teve de disputar a terceira pré-eliminatória da Liga dos Campeões, cuja primeira mão se disputou a 27 de julho. Se tivermos em conta que os monegascos iniciaram os trabalhos para a época que agora termina um mês antes dessa partida, constatamos que estes dois jogadores estão há um ano sem férias...

Foi tendo em conta essa sobrecarga de jogos que atinge os jogadores que foi questionado ao selecionador português se seria mais indicado acabar com a Taça das Confederações. "Essa é uma questão que não compete aos treinadores e aos jogadores estarem a falar, pois quem deve pronunciar-se são as pessoas que têm de tomar essas decisões. Nós estamos aqui para jogar e não para desviar atenções do nosso trabalho", resumiu Fernando Santos, acrescentando, no entanto, que o duelo com os mexicanos acaba por ser "um momento honroso", deixando uma certeza: "Queremos lutar pela vitória, mas precisamos de dar a volta à situação, depois de não termos conseguido ir à final."

Completam o lote de futebolistas com mais de 50 partidas realizadas André Gomes, Pizzi, Cristiano Ronaldo, André Silva, Ricardo Quaresma, Gelson Martins, William Carvalho e Nélson Semedo (ver quadro). O capitão CR7 já abandonou a equipa por razões familiares, tendo iniciado o seu período de férias após 56 jogos realizados, distribuídos pelo Real Madrid e pela seleção nacional.

Uma dispensa que Fernando Santos considerou ontem como uma decisão "correta", revelando que há muito conhecia a situação: "Durante o estágio o jogador comunicou-nos, de forma normal, que tinha sido pai, mas "demonstrou disponibilidade absoluta para a Taça das Confederações, o que se revelou muito importante". "A partir do momento que não atingimos o nosso objetivo principal, entendemos que ele devia ir ver e conhecer os seus filhos", acrescentou.

O nível de exigência subiu

André Silva, avançado que recentemente trocou o FC Porto pelo AC Milan, já vai num total de 55 partidas nesta temporada e não podia ter sido mais sincero na forma como abordou o jogo desta tarde com o México. "Estaria a mentir se dissesse que queria estar aqui para disputar este jogo", resumiu, declarando, no entanto, "máxima responsabilidade para garantir o terceiro lugar" na Taça das Confederações.

É nesse compromisso da equipa das quinas que Fernando Santos aposta para vencer o derradeiro jogo da época, garantindo que os jogadores estão "focados e disponíveis" para o jogo.

Para o selecionador, agora é tempo de preparar "da melhor forma" o duelo com o México para terminar bem a primeira temporada do pós-conquista do título de campeão da Europa. É, aliás, pegando nesse feito que Fernando Santos deixa uma mensagem de confiança aos adeptos: "Esta equipa deu ao futebol português um dos maiores feitos, senão o maior, da sua história. Por isso, confiem nesta equipa que já não vai a uma competição só por ir, mas para vencer."

Aliás, o técnico recorda que se os parâmetros da exigência não estivessem tão elevados "não havia este momento de desânimo" na seleção e nos portugueses.

México: bater campeão europeu

Para o selecionador mexicano Juan Carlos Osorio, não há lugar para duvidar da importância desta partida: "Este jogo não é importante, é muito importante. É uma forma de mostrar o progresso da nossa equipa. Chegar ao terceiro lugar após ganhar ao campeão da Europa seria muito bom. Queremos mostrar que podemos competir e ganhar às melhores seleções", afirmou o técnico, para quem "mesmo sem Cristiano Ronaldo, Portugal tem uma grande equipa".

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