São onze para onze e no final ganha o campeão europeu

Em Munique o Bayern começou bem mas o Real Madrid deu a volta (1-2) e obteve uma vantagem preciosa rumo à final de Kiev. A novidade é que Ronaldo não marcou

Gary Lineker, antigo internacional inglês, um dia imortalizou a frase "no futebol são onze para onze e no final ganha a Alemanha". Isto numa altura em que os germânicos, fosse como fosse, triunfavam independentemente do adversário.

Mas os tempos são outros e ontem o Real Madrid venceu (2-1) pela sexta vez consecutiva o Bayern Munique, algo que parecia impensável quando percebemos que os germânicos são também um colosso do futebol europeu. E ganhou uma vantagem preciosa para a segunda mão no Bernabéu ainda que seja importante lembrar que a Juventus esteve a um pequeno passo (3-1) de eliminar os merengues na capital espanhola depois de ter perdido 0-3 em Itália.

Se o Real Madrid reforçou as suas aspirações de estar em Kiev no jogo decisivo, a grande novidade é que desta vez nem precisou da veia goleadora de Ronaldo, que tinha marcado em todos os jogos da atual edição da Liga dos Campeões.

Mas o madeirense tem por onde festejar pois tornou-se o futebolista com mais vitórias da história da Liga dos Campeões, 99, mais uma do que Iker Casillas e deu um passo de gigante para levantar a sua quinta Liga dos Campeões e, talvez, a sua sexta Bola de Ouro.

Sobre o jogo pode dizer-se que aos 23 segundos o Bayern já podia estar na frente, mas Thomas Müller falhou um desvio fácil a passe de Lewandowski, que antes de centrar parece carregado por Varane. Logo a seguir Robben, o holandês de cristal, lesionou-se e teve de dar o seu lugar a Thiago Alcântara. Paulatinamente, o Real Madrid começou a assentar o seu jogo, Modric mostrava dotes de maestro, pena a prisão de Ronaldo, completamente emparedado pelos centrais bávaros. Quando os merengues pareciam melhor, aos 28" uma saída rápida do Bayern desmarca Kimmich, este engana Keylor Navas ao fingir que ia centrar com o olhar mas mete a bola diretamente na baliza do campeão europeu.

Quase de seguida nova lesão muscular no Bayern e saída de Boateng. O Real Madrid parecia perdido e podia ter sofrido o 2-0 nos minutos que se seguiram. Primeiro Ribéry, depois Hummels e finalmente Müller. E como quem não marca, sofre, Marcelo aproveitou uma bola perdida à entrada da área para empatar e tornar-se o defesa com mais golos da era Champions, sete, superando Sergio Ramos e Daniel Alves.

Ao intervalo Zidane esteve bem, tirou o (muito) apagado Isco e colocou em campo Asensio, dispondo a equipa num 4x3x3 mas ainda com Ronaldo bastante aprisionado. E as coisas saíram bem ao francês, pois um passe mal medido de Raphinha permitiu a Asensio iniciar e concluir o contra-ataque e marcar após combinação com Lucas Vásquez.

O marcador espelhava a qualidade na finalização de uma e outra equipa. Repare-se: aos 59" Ribèry fez brilhar Navas, aos 62" novo mano-a-mano entre o costa-riquennho e o francês com o mesmo vencedor. Aos 68" Thomas Müller falhou praticamente na pequena área e no minuto seguinte novamente Ribéry. Muito desperdício para quem quer estar na final da Liga dos Campeões. Quem não desperdiçou foi Ronaldo, que recebeu um passe longo e atirou a contar com um belo remate de pé esquerdo. O pormenor que tramou o português foi a forma como ajeitou a bola com o seu braço esquerdo - Ronaldo protestou muito mas parece evidente a infração. Até ao apito final Benzema, que entrou muito bem, e Lewandowski perderam mais duas boas oportunidades.

O Bayern tem muito da tradição contra si. Apenas uma equipa se qualificou para a final da Liga dos Campeões depois de perder o primeiro jogo da meia-final em casa - em 1995/96 o Ajax perdeu em Amesterdão 0-1 com o Panathinaikos e depois goleou 3-0 em Atenas. Mais, os bávaros têm, pela primeira vez, uma série de seis derrotas consecutivas contra um adversário na Europa do futebol.

Dom Jupp nada surpreendido

No final do encontro, Jupp Heynckes, antigo treinador do Benfica e que se sagrou campeão europeu ao serviço de Bayern e Real Madrid, foi frio na sua análise: "Oferecemos dois golos ao Real Madrid por erros nossos e tivemos uma série de ocasiões para marcarmos que não aproveitámos. Assim não é surpreendente termos perdido o jogo."

Por sua vez, Zinedine Zidane preferiu não culpar o seu guarda-redes pelo golo apontado por Kimmich: "Temos que ficar contentes com o resultado porque ganhar aqui neste estádio não é fácil. Sofremos um pouco sem bola. O erro no golo que sofremos é de todos e não só de Keylor Navas. O Bayern Munique teve oportunidades para marcar, mas controlámos bem o jogo."

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