Portugal defronta amanhã a França (20.00, RTP1) no último jogo do Grupo F a precisar de um empate para se apurar para os oitavos-de-final do Euro 2020. Os gauleses, curiosamente, são uma das (poucas) seleções a nível mundial que não foram ainda vítimas de Cristiano Ronaldo - em seis jogos, CR7 nunca faturou diante dos franceses. Mas o mesmo já não pode dizer o guarda-redes Hugo Lloris, titular das redes da França, que já sofreu na pele com a pontaria do avançado português a nível de clubes..Quando Cristiano Ronaldo jogava no Real Madrid foi oito vezes opositor do guardião Hugo Lloris, sempre em jogos da Liga dos Campeões. E marcou-lhe um total de cinco golos. Numa eliminatória da fase de grupos da Champions em 2017, contra o Tottenham, CR7 fez no Santiago Bernabéu o golo do Real no empate a um golo e no jogo da segunda mão voltou a fazer o gosto ao pé na derrota por 3-1..Mas os duelos de Ronaldo e Lloris são anteriores, ainda o guarda-redes francês representava o Olympique Lyon. Em novembro de 2011, na fase de grupos da prova milionária, os merengues venceram os gauleses por 2-0 e o bis foi assinado pelo avançado português. No ano anterior, Lloris também já tinha sofrido um golo de CR7, num jogo dos oitavos-de-final que terminou igualado a um golo..No total foram cinco golos, mas em competições de clubes. Já a nível de seleções, o avançado português continua em branco frente a Lloris e à França num total de seis confrontos. Ou seja, dos 107 golos que Cristiano Ronaldo apontou ao serviço de Portugal, nenhum foi alcançado frente à França. Um cenário que se espera seja alterado no jogo de amanhã entre as duas seleções, pois além de contribuir para ajudar Portugal, CR7 poderia encurtar distâncias para bater o recorde do iraniano Ali Daei (109 golos) como o jogador com mais golos apontados ao serviço de uma seleção..Desde que se estreou a marcar ao serviço de Portugal, no jogo inaugural frente à Grécia, no Europeu de 2004, Cristiano Ronaldo já fez golos a um total de 43 seleções (entre as 68 que defrontou) em todo o mundo, com destaque para os sete golos à Suécia e à Lituânia, e aos seis apontados a Andorra, Luxemburgo e Hungria..Refira-se que a França é uma das nove seleções que Ronaldo defrontou mais do que uma vez e nunca conseguiu marcar. As outras são a Albânia (quatro), Brasil e Inglaterra (três) e Cabo Verde, Itália, Liechtenstein, República da Irlanda e Turquia (duas), numa lista que deixou de incluir, desde sábado, a Alemanha, à qual CR7 marcou à quinta tentativa..Ronaldo, de 36 anos, também nunca faturou com a África do Sul, Angola, Argélia, Áustria, Bulgária, Canadá, Chile, China, Costa do Marfim, Estados Unidos, Geórgia, Macedónia do Norte, México, Moçambique, Noruega e Uruguai, mas só tentou uma vez..Em novembro de 2020, antes de a França defrontar Portugal na Liga das Nações, Hugo Lloris não poupou elogios a Cristiano Ronaldo: "Quando defrontamos um jogador como Ronaldo temos de estar no nosso melhor. É um exemplo no mundo do futebol, pela sua longevidade, pela estatística, pelos resultados que tem alcançado. Faz parte dos melhores. É um jogador com um enorme talento.".Fernando Santos já admitiu que pode proceder a algumas alterações na equipa que amanhã vai alinhar de início frente à França, vincando, contudo, que em nenhum caso isso poderá ser interpretado como um castigo tendo em conta a derrota por 4-2 com a Alemanha que deixou Portugal com três pontos, no terceiro lugar do Grupo F.."Perante uma competição que se joga de quatro em quatro dias, e depois de uma época desgastante, em que uns fizeram muitos mais minutos que outros, é preciso olhar para o rendimento que alguns atletas têm tido para projetar mudanças na equipa. Acredito que possam acontecer duas no meio-campo e uma no setor ofensivo", avaliou à agência Lusa o treinador Toni, sem indicar nomes. Uma dessas alterações, contudo, deverá ser a entrada de Renato Sanches, jogador que deu outra dinâmica à seleção quando nos dois jogos anteriores saltou do banco.."Quando as derrotas surgem, normalmente vê-se grande tendência para encontrar bodes expiatórios nos jogadores. O selecionador [Fernando Santos] será sempre responsável, mas confio nele para encontrar as melhores soluções. Não acredito que revolucione ou faça a equipa sair da sua matriz, mas pode e deverá ter intervenientes distintos", acrescentou Toni..Para o ex-jogador do Benfica e antigo internacional português, agora só há um caminho até ao embate com a França, que passa por "estar na plenitude dos seus recursos para responderem no plano mental, físico e tático". "Há que continuar a transportar para o jogo aquilo que os fez ser campeões da Europa: solidariedade, crer, determinação e vontade de vencer, sustentando tudo isso numa boa organização. Foi assim que Portugal se construiu nesse caminho de 2016. É um teste às suas capacidades e penso que os adeptos estão à espera dessa resposta", considerou, destacando "o tridente ofensivo da França, sustentado por um meio-campo fortíssimo"..A França foi durante anos uma espécie de besta negra da seleção portuguesa em fases finais de grandes competições, eliminando a equipa das quinas em três meias-finais, dos Europeus de 1984 e 2000, e ainda do Mundial de 2006, roubando, assim, três finais ao futebol luso. Mas Portugal vingou-se em 2016, mais concretamente no dia 10 de julho desse ano, batendo os gauleses na final do Campeonato da Europa, com o famoso golo de Eder no prolongamento, que valeu o primeiro grande título à seleção portuguesa..O espanhol Antonio Mateu Lahoz foi nomeado para arbitrar amanhã o jogo entre a seleção portuguesa e a França, em Budapeste. Este vai ser o terceiro encontro que Lahoz, de 44 anos, vai dirigir neste Campeonato da Europa, depois de na primeira ronda ter estado no Bélgica-Rússia (3-0), do Grupo B, e na segunda no Inglaterra-Escócia (0-0), do Grupo D..O árbitro espanhol, que é internacional desde 2011 e está a cumprir a primeira participação num Europeu, depois de ter sido eleito para dirigir a final da última edição da Liga dos Campeões, na qual o Chelsea venceu o Manchester City por 1-0, no Estádio do Dragão, no Porto..Lahoz vai arbitrar pela terceira vez na carreira uma partida da seleção portuguesa, a última das quais em 2016, que culminou com uma derrota lusa por 2-0 na Suíça, no arranque da fase de apuramento para o Mundial 2018. Em 2011, também tinha dirigido um particular entre Portugal e o Luxemburgo (5-0), no Algarve..nuno.fernandes@dn.pt