Ronaldo está avisado. Uruguaios já fizeram doer as pernas a Eusébio

Em 1972, uruguaios foram apelidados de "pugilistas" pelos portugueses, tal a sua agressividade. Hoje essa imagem está a mudar

"Vamos marcar Cristiano Ronaldo com o mesmo respeito que marcamos todos os adversários, apesar de se tratar de uma estrela de nível mundial." A frase é de Coates, defesa uruguaio do Sporting, na abordagem à partida de sábado com Portugal, que vale um lugar nos quartos-de-final do Mundial.

Em 1972, Eusébio também era uma das maiores estrelas mundiais quando Portugal enfrentou o Uruguai na Minicopa, disputada no Brasil para comemorar os 150 anos da independência daquele país. Rezam as crónicas que, nesse jogo disputado no Maracanã e que terminou empatado 1-1, Pavoni e Esparrago recorreram a todo o tipo de entradas para travar Eusébio, considerado a principal vítima dos "pauliteiros" uruguaios, que tiveram a complacência do árbitro alemão Rudolf Scheurer, o qual se limitou a mostrar uns amarelos.

No final da partida as queixas portuguesas foram mais que muitas. Humberto Coelho catalogou o jogo como "impróprio para consumo", enquanto o defesa-esquerdo Adolfo chamou "pugilistas" aos jogadores adversários. Já passaram 46 anos, mas Fernando Peres tem bem viva na memória essa partida. "O Eusébio foi dos mais visados, mas também o Adolfo, que cada vez que ia ao ataque davam-lhe pancada", recorda ao DN, acrescentando que nem ele escapou à ira dos uruguaios. "Ameaçaram-me que me partiam a perna e chamavam-me nomes. Eles tentavam amedrontar-nos, mas soubemos manter a cabeça fria", acrescenta Peres, considerando que o futebol uruguaio era "muito quezilento e com um ADN muito próprio".

O selecionador nacional era José Augusto, que se lembra de "umas entradas mais duras", pois "o Uruguai era uma equipa rude mas tecnicamente muito boa". Ainda assim, deixou claro que "não houve violência" e que essa agressividade do adversário "foi ultrapassada pela qualidade dos jogadores portugueses". A memória de Toni não está tão fresca em relação a esse jogo, mas recorda-se de que "Eusébio estava em grande forma" e para o travar os uruguaios puseram em prática "o seu tipo de futebol muito próprio".

CR7 e Godin já fizeram faísca

A fama de violentos foi construída pelos uruguaios ao longo dos anos e teve o seu ponto alto num Uruguai-Escócia no Mundial"86, no México, quando José Batista foi expulso aos 56 segundos, numa partida em que as entradas dos sul- -americanos valeram mais cinco amarelos.

Aos poucos esse estigma foi desaparecendo, sobretudo depois de, em 2006, Óscar Tabárez ter assumido o cargo de selecionador uruguaio, que tornou a equipa mais técnica, mantendo os níveis de agressividade quanto baste. E a mudança é tão grande que neste Mundial apenas Bentancur foi amarelado. Ainda assim, Fernando Peres não concorda com essa mudança: "Vamos ver no sábado. Eles são assim, muito quezilentos, está-lhes no sangue. Basta lembrar os episódios do Suárez."

Quase certo é que Cristiano Ronaldo terá vigilância apertada, conforme admitiu Coates. E atenção que CR7 já teve alguns problemas com jogadores uruguaios, um deles o capitão, Diego Godin. Na final da Supertaça de Espanha, em 2014, entre o Real e o Atlético de Madrid, a estrela portuguesa deu um soco no adversário numa disputa de bola, na sequência de uma bola parada. Em maio do ano passado, foi Godin a abalroar Ronaldo, que se queixou de um golpe na cabeça.

Mais o grande "inimigo" uruguaio de CR7 foi Pandiani, que em 2011 era avançado do Osasuna e não gostou, num jogo, que CR7 lhe tivesse perguntado quanto ganhava. Isto porque Pandiani tentou parar os empurrões entre um companheiro de equipa e Ronaldo, altura em que saiu a pergunta do português. No fim da partida, o uruguaio não se conteve: "Como futebolista é um fenómeno, mas quando fala parece que lhe falta um parafuso. Disse-lhe que no meu país, depois de ações deste tipo, teria de fazer uma marcação no dentista. E ele ainda tem dentes porque eu quero." Ainda bem que Pandiani não joga no sábado...

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