Martínez responde a Amorim: "Sigo 82 jogadores, não trabalho com 23"

Selecionador nacional abordou encontro com a Eslováquia (sexta-feira, às 19.45, RTP1) de apuramento para o Euro 2024 e a polémica convocatória de João Félix.
Publicado a
Atualizado a

A convocatória de João Félix dominou a conferência de Imprensa de Roberto Martínez de antevisão do jogo de Portugal com a Eslováquia, sexta-feira (19.45, RTP1), do apuramento para o Euro 2024. O selecionador nacional lembrou que trabalha com 82 jogadores e não apenas com os 23 que são chamados.

Para o técnico espanhol parece não haver perguntas incómodas e nem as palavras de Rúben Amorim ficaram sem resposta. Depois do selecionador ter dito que João Félix e João Cancelo precisavam de carinho e ter deixado Paulinho e Pedro Gonçalves de fora das opções para o duplo compromisso da seleção, o treinador do Sporting defendeu que a seleção "não deve ser para ajudar jogadores que estão em momentos maus".

Agora Martínez respondeu assim: "É importante saber que as nossas escolhas temos um processo muito profissional, muito honesto e há muito trabalho. O treinador trabalha com os seus jogadores, é normal, é uma opinião emotiva, mas para mim é muito importante fazer um seguimento por uma ideia de jogo, do adversário e também do talento do jogador. O momento de forma é importante, mas o estágio de março é mais importante relativamente aos minutos e momento de forma. O de setembro, pela minha experiência, não é para ver o momento de forma, é para ver o que os jogadores podem oferecer à ideia de jogo, o compromisso, talento, paixão pela seleção. A convocatória não pode agradar a todos. Se alguém adora o futebol português tem uma opinião respeitável. O treinador sabe que temos de tomar decisões com processos profissionais. Vi jogo em Alvalade, sigo 82 jogadores, não trabalho com 23."

A controvérsia à volta dos eleitos não o surpreende. "É um ponto interessante. Temos mais de 80 jogadores a jogar nas principais ligas. Muitos populares, com carreira a alto nível, de patamar nível mundial. É normal que todos os adeptos tenham opinião. Para mim é importante ter uma linha de trabalho. Trabalhamos com a seleção sete dias para dois jogos. Depois temos agora três estágios antes de um apuramento para um torneio europeu. O tempo de trabalho é muito importante, precisamos de ter uma relação. Precisamos de nos tornar mais competentes na ideia de jogo. Para mim é muito fácil, porque controlo a informação dos jogadores. Depois trabalho com jogadores, vejo atitude, paixão, o que quer fazer pela seleção. A escolha tem isso, mais o adversário, momento da época, porque não é igual setembro e março. Isso é experiência do jogo internacional. Mas a escolha é muito profissional e honesta. Depois as convocatórias não são para agradar a todos. Opiniões gosto, é futebol. É parte da nossa vida".

Questionado sobre como está João Palhinha, depois da transferência falhada do Fulham para o Bayern Munique no último dia do mercado, Martínez admitiu que a seleção pode ajudá-lo a superar esse "momento difícil". Se vai jogar ou ser titular é outra conversa: "Temos muito boas opções. O Rúben [Neves] fez estágio muito bom, com a Bósnia esteve bem e com a Islândia também. Otávio fisicamente está muito bem. Danilo pode jogar a trinco e temos boas opções."

A mesma resposta receberam os jornalistas quando quiseram saber o momentos de forma de João Cancelo e João Félix, chamados à Seleção depois de pré-épocas atribuladas com mudança de clube: "Ser parte da seleção é muito diferente de jogar dois jogos de 90 minutos. Para ser parte da seleção conta o talento, o que se pode fazer. Jogar dois jogos de 90 minutos é totalmente impossível. Mas temos toda a informação que precisamos para tomar decisões. Quando João Félix e Cancelo chegam ao Barcelona e jogam diretamente, acho que é um sinal de que estão a um nível perfeito para atuar nos melhores momentos. Cancelo fez uma pré-temporada perfeita. O João Félix jogou menos, mas está a um nível psicologicamente muito positivo para ajudar equipa."

Mais prudente foi a abordagem às declarações de Cristiano Ronaldo, que caracterizou a liga portuguesa de "circo", depois dos acontecimentos no Estádio do Dragão, que levaram o FC Porto a pedir a repetição do jogo com o Arouca, depois do sistema do VAR falhar. "Não ouvi o que ele disse, mas para mim é a sua opinião, pode tê-la. A minha tarefa é seguir jogadores, não importa a equipa e competição, importa o talento, atitude. Isso é uma parte muito clara", limitou-se a dizer o treinador.

Para Bernardo Silva, a Eslováquia "é um rival direto" no apuramento para o Euro 2024, que começou muito bem a qualificação e tem aspirações a vencer o grupo. "Esperamos um jogo difícil, contra uma equipa organizada, com jogadores que estão nas melhores ligas. Dispensa apresentações. Temos estudado a Eslováquia, percebendo pontos fortes e menos fortes. Conheço alguns deles bastante bem, como Skriniar e Lobotka, que admiro muito, acompanhava muito o Nápoles e gostava de o ver. Jogam normalmente em 4x3x3 e estamos a estudá-los da melhor forma. Têm aspirações e merece todo o respeito, pois fizeram 10 pontos nos primeiros quatro jogos", disse o internacional português.

O médio do Manchester City é um dos 30 finalistas candidatos à Bola de Ouro e com a humildade que o caracteriza lembrou que "tudo o que vem depois dos títulos coletivos é bonito, mas acaba por ter menos importância", embora seja "uma motivação" para a nova temporada.

Questionado sobre se está no melhor momento da carreira e se sente que recebe o reconhecimento devido, Bernardo Silva respondeu: "Sinto que estou num momento muito bom, que ganhei ao longo dos anos a experiência necessária para os jogos grandes. Sinto-me bem fisicamente e também com nível de experiência muito bom para corresponder nestas etapas. É tentar manter este nível o máximo de tempo possível, essa é a parte mais complicada. Mais difícil do que chegar lá acima e manter-me lá."

Para o internacional português "a liga saudita ainda não está ao nível das europeias mas tem direito a querer crescer". Isto depois de Cristiano Ronaldo ter dito que a liga saudita era melhor que a portuguesa.

Artigos Relacionados

No stories found.
Diário de Notícias
www.dn.pt