Real revalida troféu que continua a escapar a Mourinho

Em fora de jogo, o improvável Casemiro iniciou triunfo merengue. Ronaldo saltou do banco aos 83 minutos

José Mourinho bem quis que à terceira fosse de vez, mas para ele não houve duas sem três. À terceira tentativa, o treinador português voltou a ver fugir-lhe a Supertaça Europeia, troféu que já tinha procurado vencer pelo FC Porto (2003) e Chelsea (2013). A taça acabou por fazer uma viagem de ida e volta para a capital espanhola, mais precisamente para as vitrinas do museu do Real Madrid, que igualou o feito do Milan (1989 e 1990) e revalidou o estatuto de detentor do título, após uma pré-época sem triunfos.

O técnico setubalense tinha avisado que "existe uma diferença óbvia entre o vencedor da Champions e o da Liga Europa", mas tal só se começou a notar a partir da primeira dezena de minutos, quando os merengues conseguiram assentar o seu futebol. Antes, o que se viu foi um arranque a todo o gás de um Manchester United disposto em 3x5x2, teoricamente em superioridade numérica nos dois primeiros terços do campo e a exercer uma pressão alta ofegante. Aliás, essa pressão foi tão ofegante que acabou por tirar o fôlego aos próprios jogadores dos red devils, que logo a partir do primeiro quarto de hora se ressentiram, dando espaço e tempo para que Kroos, Modric, Isco e companhia pudessem montar uma teia de passes a fazer lembrar o tiki-taka tornado célebre pelo rival Barcelona.

Mesmo numa partida entre dois gigantes do futebol mundial, tão vistos, revistos e dissecados, houve espaço para a aparição de um finalizador improvável: Casemiro. É verdade que o médio brasileiro do FC Porto já tem marcado alguns golos, entre os quais uma autêntica obra de arte na recente final da Liga dos Campeões ganha à Juventus (4-1), mas quase todos de fora da área. Ontem, em Skopje, mostrou dotes dignos de um ponta de lança. Primeiro, ameaçou com um cabeceamento que acertou na trave (16"). Depois, faturou mesmo, a passe de Carvajal (24"), num lance que devia ter sido invalidado por fora de jogo do centrocampista. Com o grande craque Cristiano Ronaldo ainda no banco por esta altura, o que fez falta ao espetáculo foi mesmo o videoárbitro.

Time-out útil para Mourinho

O golo sofrido ainda abanou mais o Manchester United, com um meio-campo muito macio e uma defesa a três ainda em processo de maturação. Valeu aos ingleses a paragem para refrescar, que Mourinho transformou em time-out para dar um raspanete aos seus jogadores e não ir para intervalo com um resultado ainda mais penalizante.

O interregno serviu para o special one mudar a estratégia. Trocou o apagado Lingard pelo irreverente Rashford e voltou aos quatro defesas. Ainda assim, a falta de agressividade não ficou no balneário. Reentrou em campo e foi bem notória no lance do 2-0, no qual Isco teve tempo para tabelar com Bale - que por sua vez recebeu a bola sem pressão -, ajeitar e bater De Gea (52").

Os campeões europeus não tiraram o pé, continuaram a dominar, tiveram Bale a acertar na trave (60") e aparentaram estar mais perto de aumentar para 3-0 do que de sofrer o 2-1. Contudo, numa aparentemente tímida reação, o detentor da Liga Europa reduziu a diferença por intermédio de Lukaku, na recarga a um remate de Matic que Navas defendeu para a frente (62").

O golo surgiu contra a corrente mas teve o condão de galvanizar o Manchester United, que também ganhou músculo e espírito guerreiro com a entrada de Fellaini - acabou com a cabeça ligada devido a um choque com Sergio Ramos. Rashford, isolado, teve mesmo a oportunidade de igualar o encontro, mas teve falta de frieza e classe perante um Navas que se agigantou entre os postes (81").

Não se assistiu a mais golos, mas um dos momentos altos ficou guardado para o minuto 83, com Cristiano Ronaldo a entrar em campo e a ter direito a ovação por parte do público macedónio. Com três dias de treino, após 37 de folga, o madeirense ainda jogou 14 minutos - a partida estendeu-se até aos 90+7". É verdade que não esteve em evidência, mas adquiriu algum ritmo e engrossou o palmarés com o 23.º título da carreira.

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