Qatar chega ao Mundial para provar que o futebol do país não acabou em 2022
FOTO: Instagram Federação Qatar

Qatar chega ao Mundial para provar que o futebol do país não acabou em 2022

Depois de organizar o Campeonato do Mundo, a seleção qatari regressa à competição e quer demonstrar que o crescimento dos últimos anos vai além do investimento feito para o torneio disputado em casa. 
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Quatro anos depois de ter organizado o Campeonato do Mundo, o Qatar regressa à principal competição internacional de seleções com um objetivo claro: demonstrar que o crescimento do futebol no país não terminou com o torneio disputado em casa. Integrada no Grupo B do Mundial de 2026, juntamente com Canadá, Suíça e Bósnia-Herzegovina, a seleção qatari chega ao torneio sob observação, procurando confirmar que o investimento realizado na última década permitiu construir uma base competitiva capaz de sobreviver para além do impacto imediato de 2022.

A participação no Mundial representa uma nova etapa para uma seleção que continua a consolidar espaço no futebol internacional. Se, em 2022, o Qatar beneficiou do estatuto de país anfitrião para marcar presença pela primeira vez na competição, agora o contexto é diferente: o desafio passa por demonstrar capacidade competitiva num cenário mais exigente e perante adversários habituados a competir regularmente em grandes torneios.

A estreia em Campeonatos do Mundo, há quatro anos, terminou sem pontos conquistados, depois das derrotas frente a Equador, Senegal e Países Baixos, mas o torneio foi encarado internamente como parte de um projeto de longo prazo. O futebol tornou-se uma das áreas prioritárias de investimento do país, não apenas ao nível das infraestruturas, mas também na formação e preparação de jogadores capazes de competir internacionalmente com maior consistência.

O momento mais marcante da história recente do futebol qatari continua a ser a conquista da Taça Asiática de 2019. O triunfo, alcançado nos Emirados Árabes Unidos, surpreendeu grande parte do panorama internacional e permitiu ao Qatar afirmar-se como uma das seleções emergentes do continente asiático. A esse sucesso juntou-se a conquista da Taça Asiática de 2023 — disputada no início de 2024 em solo qatari —, resultado que reforçou a credibilidade competitiva de uma equipa frequentemente analisada à luz do investimento financeiro realizado no país.

Grande parte da base da seleção mantém-se ligada ao ciclo mais bem-sucedido do futebol qatari. Akram Afif continua a assumir o papel de principal figura da equipa e apresenta-se como a principal referência ofensiva. A criatividade, capacidade técnica e inteligência nos espaços curtos fazem dele um dos jogadores mais influentes do futebol asiático. Ao lado de Afif, Almoez Ali mantém importância na profundidade ofensiva e na finalização, enquanto vários elementos do núcleo que conquistou os títulos continentais continuam a oferecer estabilidade competitiva e experiência internacional a uma equipa em renovação gradual.

O crescimento do futebol qatari está fortemente associado ao trabalho desenvolvido pela Aspire Academy, estrutura criada para elevar os níveis de formação e acelerar o desenvolvimento de talento nacional. Ao longo da última década, a academia tornou-se uma peça central da estratégia desportiva do país, permitindo criar uma geração tecnicamente mais preparada e taticamente mais evoluída do que em ciclos anteriores.

Dentro de campo, o Qatar procura hoje apresentar maior organização coletiva. A seleção privilegia posse de bola, circulação curta e mobilidade ofensiva, tentando assumir iniciativa em vários momentos do jogo. Persistem, contudo, dificuldades defensivas perante equipas fisicamente mais intensas ou com maior experiência internacional, um aspeto que continua a representar um dos principais desafios competitivos da equipa.

No Grupo B, o contexto competitivo será exigente. O Canadá beneficiará do fator casa e atravessa um dos períodos mais promissores da sua história futebolística, enquanto a Suíça surge como a seleção mais consolidada do grupo, sustentada pela regularidade em fases finais internacionais. Já a Bósnia-Herzegovina procura recuperar protagonismo europeu através de uma nova geração de jogadores.

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