Prisão preventiva pode chegar aos dois anos

Rúben Semedo fica preso a aguardar julgamento, mas os advogados do jogador vão recorrer. Medida de coação deveu-se a perigo de continuação de atividade criminosa

O pior dos cenários confirmou-se e, contrariando a intenção dos advogados, Rúben Semedo vai ficar em prisão preventiva, sem direito a pagamento de fiança, conforme decretado pela juíza do Tribunal de Instrução n.º 6 de Llíria, Valência, por alegada tentativa de homicídio, agressão, ameaças, sequestro e posse ilegal de arma. Em declarações ao DN, Bebiano Gomes, advogado do defesa português do Villarreal que esteve presente na audiência, lamentou a "dura e exagerada" medida de coação imposta ao ex-jogador do Sporting, justificando que o fundamento da juíza se prendeu com o perigo de continuação de atividade criminosa e não de fuga, como foi inicialmente avançado.

De acordo com o código penal espanhol, a prisão preventiva só pode ser decretada para assegurar a presença da pessoa investigada (perigo de fuga); evitar que possa atuar contra bens jurídicos da vítima ou que volte a cometer outros delitos, como é o caso de Rúben Semedo. E existem dois tipos de situações: não pode exceder um ano se a infração tiver uma pena de prisão igual ou inferior a três anos; não pode exceder os dois anos se a pena de prisão para o crime exceder os três. Neste caso, ao jogador aplica-se esta última, que poderá ser estendida uma única vez.

Isto não significa, porém, que Rúben Semedo tenha de aguardar preso até ao julgamento, já que a defesa vai apresentar recurso e o juiz pode entender que dadas as circunstâncias o jogador pode aguardar julgamento em liberdade.

"O Ministério Público pediu a prisão preventiva, alegando perigo de continuação de atividade criminosa e a juíza atendeu ao pedido. Para nós não faz qualquer sentido. Vamos apresentar recurso [têm cinco dias para o fazer]. Em conjunto com os meus dois colegas espanhóis que estão a acompanhar o caso, vamos decidir qual a melhor estratégia a seguir. Trata-se de um medida de coação que pode ser alterada a qualquer momento, mediante novas circunstâncias, e tudo faremos para a alterar", explicou ao DN Bebiano Gomes.

Ainda de acordo com o advogado, o jogador manteve-se em silêncio na audiência que demorou cerca de duas horas e meia, na qual só os advogados falaram: "O Rúben estava muito em baixo devido a toda esta triste situação. Não esperava esta decisão."

Rúben Semedo, que estava detido desde terça-feira, chegou por volta das 08.30 (hora espanhola, mais uma do que em Portugal) ao tribunal e saiu do carro da Guardia Civil algemado e ladeado por dois polícias. Esteve depois isolado numa sala até cerca das 11.20, quando começou a audiência. Posteriormente foi encaminhado para a penitenciária de Picassent, arredores de Valência, onde vai ficar em prisão preventiva.

O defesa central português, que chegou neste verão ao Villarreal, numa transferência que obrigou o emblema espanhol a pagar 14 milhões ao Sporting, é suspeito de ter, juntamente com outras duas pessoas, uma delas um primo, sequestrado um homem, a quem, sob ameaça de uma pistola, retiraram as chaves do apartamento, de onde roubaram 24 mil euros, um computador, vários relógios e outros objetos de valor - o queixoso apresentou queixa na polícia no passado dia 12 de fevereiro, horas depois da confusão em casa do jogador. Catio Baldé, empresário do jogador, já afirmou que o central foi alvo de uma burla e que por isso terá reagido "fora do âmbito legal". Mas ao DN o advogado do jogador não se pronunciou sobre o que seria esta burla.

Segundo relatos do jornal Las Provincias, o defesa e as outras duas pessoas terão imobilizado o homem e utilizaram tacos de basebol e golfe para o agredir. Rúben Semedo, ainda segundo o mesmo jornal, terá apontado uma arma à cabeça da vítima e ameaçado matá-lo e cortar-lhe um dedo. Os outros dois acusados, um primo do jogador e outra pessoa que já foi entretanto identificada, não foram ainda apanhados.

Além deste caso, Rúben Semedo foi protagonista de outros dois incidentes em Valência nos últimos meses que estão igualmente a ser investigados. As outras duas denúncias estão relacionadas com confusões à saída de uma discoteca e de uma casa de alterne em Valência. O jogador chegou a ser ouvido em ambos os casos, mas saiu sempre em liberdade.

O central tem contrato com o Villarreal por mais quatro anos e recebe cerca de 1,3 milhões de euros por ano. O clube já abriu um processo disciplinar que poderá acabar em despedimento.

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